Uma mãe solteira pode proclamar leituras na missa?

A pergunta acima é da Talita Amaral. Este questionamento me faz pensar na infinidade de mães solteiras que existem por este mundo afora. Muitas engravidaram com a promessa de casamento, muitas levadas pela busca desenfreada do prazer, muitas na doce ilusão de que cedendo ao parceiro o seguraria, muitas cederam a falsas promessas de amor. Enfim, seja como for, elas se tornaram mães.

Eu já ouvi depoimentos angustiados de muitas falando do sofrimento por terem sido abandonadas pelos parceiros, de terem sido discriminadas pela família. Quanta pressão, quanta incompreensão, quantas sugestões a fazerem a loucura do aborto.

Pois bem, essas mãezinhas todas, com apoio ou sem o apoio da família, resistiram, assumiram a gravidez, tiveram seus filhos, tornaram-se mães, mães solteiras. Eu tiro o chapéu para todas elas! Entenderam que o milagre da vida não pode ser interrompido. Entenderam que toda vida é um dom de Deus, não importa como foi concebida, se com amor ou sem amor, se com responsabilidade ou sem.

Nossas comunidades têm muitas dessas mãezinhas. Elas estão lá buscando o carinho dos irmãos na fé. Estão lá porque entendem que a missão de ser pai e mãe ao mesmo tempo é pesada. Entendem, ainda, que o filho precisa, desde cedo, conhecer, amar, seguir e testemunhar Jesus Cristo.

Diante disso, dá para pensar numa comunidade excluindo uma mãe solteira de servir na liturgia, de ser catequista, de exercer alguma forma de apostolado? Uma comunidade que assim fizesse seria tudo, menos cristã.

Que Deus abençoe todas as mães solteiras. Que Ele abençoe particularmente aquelas de nossas comunidades que estão testemunhando a beleza da maternidade. Elas podem ajudar os jovens a entenderem a importância de fazerem as escolhas certas na vida. Elas podem ajudar tantas outras meninas a se prepararem bem para a missão de ser mãe em condições melhores do que aquelas em que elas se tornaram mães.

Termino com mais uma reflexão. A nossa Mãe Igreja, de várias formas, vem assumindo a causa dos excluídos. No ano 2000, fez uma Campanha da Fraternidade sobre a exclusão. No ano de 2005, a CF foi sobre solidariedade e paz. Que força moral teriam nossas comunidades para falar e lutar contra a exclusão social se no meio delas há excluídos do carinho, do afeto, da ternura dos irmãos por um motivo ou por outro?

É tempo de nossas comunidades assumirem a prática da inclusão do próprio Jesus. Ele acolheu os pequenos, os pobres, os sofredores, os pecadores. Ele sentou-se à beira de um poço e experimentou a dor de uma mulher que tinha sido abandonada sete vezes pelos seus companheiros, fez com que ela recuperasse sua autoestima e a transformou em uma bela catequista que anunciou Jesus por toda a cidade.

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Valério Intopia
Valério Intopia
8 meses atrás

De facto, há muito disso nas nossas comunidades cristãs. Mas, precisamos é de uma orientação catequetica em torno desse tema e de vários outros. Assim seja.