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A Igreja está se descuidando dos pobres e se voltando mais à oração?

Respondo à seguinte pergunta da Leonor Reis: “Padre, parece que a nossa Igreja está deixando um pouco de lado a parte social e a preocupação com os pobres e se voltando mais à oração. Está acontecendo mesmo isso?”.

Leonor, não é só você que tem essa percepção. Muitos irmãos e irmãs que militaram nas pastorais sociais, na luta pelo trabalho, pela moradia, pela educação, muitos que ouviam o clamor dos pobres e davam sua vida por eles entendem que a Igreja perdeu o seu profetismo. Eles entendem que a Igreja esqueceu aquela dimensão horizontal, que a caracterizou nos anos pós-Concílio, e assumiu uma dimensão quase que exclusivamente vertical. Será verdade? 

Não, minha irmã. Definitivamente não é verdade. A Igreja está em busca do verdadeiro equilíbrio entre as duas dimensões: a dimensão vertical da fé, que nos liga a Deus; e a dimensão horizontal, que nos liga e nos compromete uns com os outros.

Este equilíbrio já existia nos tempos em que a reflexão da Igreja mergulhava fundo na Palavra de Deus e entendia que a libertação que Jesus veio trazer era total e plena. Sem oração e comunhão com Deus, teria sido impossível para bispos, padres e leigos enfrentar a ditadura militar e defender os pobres. 

O equilíbrio entre ação e oração existia, portanto. O que a Igreja quis e quer é tornar este equilíbrio mais evidente. A Igreja não pode nem poderá jamais se esquecer dos pobres. Jesus afirmou que eles julgarão o mundo. Leia o capítulo 25 de São Mateus.

Eu penso que outras forças da sociedade saíram também em defesa dos pequenos e pobres. Hoje nós temos muitas organizações não governamentais fazendo esse trabalho. A Igreja, porém, continua firme, como ficou demonstrado na atual pandemia. Além disso, diante de qualquer situação que fira a justiça, a Igreja se pronuncia, protesta.

Uma Igreja que não contemplasse o rosto sofrido de Jesus no rosto sofrido dos pobres não seria a verdadeira Igreja que quis Jesus. Eu tenho um santo orgulho de nossa Igreja que está sempre atenta às dores do pobre, não apenas para orar por ele, mas para ajudá-lo a conquistar concretamente a libertação de todos os males, físicos, psíquicos e espirituais.

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