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Qual a origem da personagem Verônica na procissão do Senhor Morto?

A Dalva, da Vila Gustavo, me envia esta pergunta após ter participado intensamente da Semana Santa: “Por que na procissão do Senhor Morto não vemos mais o retrato de Jesus naquele pano nem Verônica cantando? Por que mudou?”. 

Dalva, antes de responder a você, faço um convite: folheie os quatro evangelhos. Garanto que não irá encontrar o episódio da Verônica. Dito isso, por que, então, na sexta estação da via-sacra, nós contemplamos a cena de Verônica enxugando o rosto do Senhor? 

Veja bem: há duas fontes que sustentam a nossa fé. A principal é a revelação. O próprio Deus revelou-se, deu-se a conhecer a nós, falou-nos de seu amor, de seus planos, de seu projeto de salvação. A Igreja mergulhou na Palavra de Deus revelada e foi nela buscar as verdades que a norteiam. Por isso mesmo, quem afirma que nós, católicos, não temos a Bíblia como norma de fé, está mentindo descaradamente! 

Há, porém, outra forma de transmissão da fé, a chamada tradição. A fé nos foi transmitida também de boca em boca, um trabalho coletivo de memória. Você, por exemplo, sabe de muitas coisas sobre a vida de sua família, porque seus bisavós passaram para seus avós, seus pais para você, e você vai transmitir a seus filhos e eles a seus netos. Na transmissão da fé, portanto, aconteceu a mesma coisa. Há muitos costumes, devoções, orações, memórias de fatos que foram transmitidos ao longo dos séculos. É o caso de Verônica, neste episódio que lembra que cabe a nós enxugar o rosto ensanguentado e desfigurado de Jesus presente nos pequenos, nos pobres, nos feridos deste mundo. 

E há muitas parôquias que continuam a fazer a procissão do Senhor Morto, lembrando Verônica. E isso é um belo costume! Que Ele nos ajude a reproduzir o gesto dela pela vida afora. 

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