Deus vê e escuta toda a realidade… e nós nos maravilhamos

“A fé é um exercício do olhar”, a frase do sacerdote italiano Luigi Giussani bem poderia servir de epígrafe para essa edição do Caderno Fé e Cultura – ainda que, nos textos a seguir, talvez fosse melhor dizer que a fé é um exercício do olhar e do escutar. Um ver e um ouvir que se referem sobretudo à beleza que se esconde no real, que apaixona os amantes e revela, de forma maravilhosa, para aquele que tem fé, o … Leia mais

Aprender como Deus vê

“No princípio”, em nossa origem, existem três ações de Deus: Ele cria, Ele diz e Ele vê…. Ver… É o olhar de alguém que nos faz reconhecer nossa dignidade. De fato, se diz: “quando você me vê, então eu existo”. Como uma criança que cresce e começa a se compreender sob o olhar amoroso de sua mãe. Como uma amante que compreende quem ela é, sob o olhar de admiração de quem a ama. Assim Deus desde o início olha … Leia mais

O olhar de amor do Infinito para com o insignificante

Então cada criatura é objeto da ternura do Pai que lhe atribui um lugar no mundo. Até a vida efêmera do ser mais insignificante é objeto do seu amor e, naqueles poucos segundos de existência, Ele envolve-o com o seu carinho (PAPA FRANCISCO, Laudato si’, LS 77). Onde você estava quando eu lancei os fundamentos da terra? (Jo 38, 4, no início de “A árvore da vida”) Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo / dai-lhes o descanso … Leia mais

Deus é fascinado pela música

Narciso Yepes (1927-1997) foi um dos maiores violonistas clássicos do século XX. Nascido na Espanha, personificou um importante capítulo da história universal do violão. Entre outras distinções foi Doctor Honoris Causa pela Universidade de Murcia e membro da Real Academia de Belas Artes da Espanha. Na entrevista a seguir ele apresenta-nos sua experiência de relação com Deus e com a música. Narciso Yepes: Quase sempre, para quem eu realmente toco é para Deus. Eu disse “quase sempre” porque há vezes … Leia mais

Adélia Prado: não apesar, mas por meio da circunstância

Tudo pode ser visto como sinal de outra coisa: o descascar da laranja, a briga com o pároco, a compra da carne no açougue, a desobediência do filho….  Quem tiver olhos que veja. Em Adélia Prado, sinal e mistério são uma coisa só. A primeira vez que li um texto da Adélia Prado fiquei muito decepcionada! O poema era muito simples e tolo. Descrevia uma mulher que cozinhava a vida toda um trivial mineiro sem graça e sem fim e … Leia mais

Quando a viola canta Deus e o sertão

Chico Lobo é um violeiro que canta o sertão. “Amor de violeiros / É o Grande Sertão” (Caminhos de João, composto em parceria com Joãozinho Gomes). Contudo, seu sertão, como aquele mítico de Guimarães Rosa, é a própria existência, o cosmo e o local do encontro com o Outro. “Esperança de novo tempo / Eu sinto no coração / Alívio pra minha alma / Olho o imenso sertão […] Às vezes não reparamos / O que a vida nos deu … Leia mais

A beleza da fé que me alcançou pela cultura popular da viola

Me lembro como se fosse hoje, tinha 8 anos e papai recebeu uma Folia de Reis na nossa casa, em São João Del Rei MG. As Folias cantam o nascimento do menino Deus e ocorrem por todo o Brasil da noite do dia 24 de dezembro até 6 de janeiro, dia consagrado aos Santos Reis. Algumas se estendem até 20 de janeiro, dia de São Sebastião. As Folias de Reis, ternos de reis, caravanas de reis, rememoram a viagem dos … Leia mais

Edith Stein, brisa de humanidade arejando uma razão reduzida e sufocante

Atualmente, na cidade de São Paulo, nenhuma personalidade intelectual católica está tão presente nas reflexões acadêmicas e na espiritualidade de grupos e movimentos como Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz, 12 de outubro de 1891 – 9 de agosto de 1942), filósofa e monja carmelita, santa católica de origem judia, morta num campo de concentração nazista, mártir da Igreja. Sua influência é cada vez mais sentida, tanto pela riqueza de seu pensamento quanto pela profundidade de sua fé e … Leia mais

Como Edith Stein transformou minha visão de mundo

Há um corpo de verdades acessíveis à razão natural. Ela, porém, sozinha, já não basta para delimitar o seu próprio alcance, fazendo-se necessário o auxílio da razão sobrenatural. (…) uma compreensão racional do mundo, a saber, uma metafísica – e nisso reside, secreta ou abertamente, a intenção de toda filosofia – só pode ser adquirida pela ação conjunta da razão natural e sobrenatural (STEIN, Edith. “O que é filosofia? Uma conversa entre Edmund Husserl e Tomás de Aquino” [in] Textos … Leia mais

Edith Stein: algumas contribuições para a Psicologia Clínica

Que o ser humano possui uma dupla experiência de si mesmo, uma interna e outra externa, e que ambas se resumem em uma experiência unitária que engloba as duas, é algo que pertence à essência do ser humano mesmo (STEIN, Edith. La estructura de la persona humana. Madri: Biblioteca de Autores Cristãos, 2002). Ser pessoa significa ser livre e espiritual. Que o homem é uma pessoa: é isso que o distingue de todos os seres da natureza (STEIN, Edith. La … Leia mais