10 novos santos testemunharam a fé em diferentes realidades

Eles disseram verdadeiramente “sim” a Deus e à construção do seu Reino, como ministros ordenados, religiosos consagrados ou leigos que colocaram o testemunho da fé no Cristo acima do apego à própria vida e, assim, inspiram os católicos de geração em geração. Afinal, como aponta o Catecismo da Igreja Católica, “ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores” (CIC, 828). 

Leia a seguir, um breve perfil dos dez santos canonizados pelo Papa Francisco, no domingo, 15, no Vaticano. 

CHARLES DE FOUCAULD: O FORTE TESTEMUNHO DE UM ‘RECONVERTIDO’ 
10 novos santos testemunharam a fé em diferentes realidades
Fotos: Reprodução

A partir do carisma de Charles de Foucauld, ao longo dos anos surgiram dez congregações religiosas e oito associações de vida espiritual, o que já indica o grande testemunho de fé deste francês nascido em 1858, na cidade de Estrasburgo. 

Na juventude, Charles de Foucauld ingressou na carreira militar e foi enviado em missão para a Argélia. Três anos depois, porém, renunciou à carreira. Entre 1883 e 1884, empreendeu uma viagem a Marrocos, com a finalidade de exploração científica. Na ocasião, testemunhou a intensa religiosidade dos muçulmanos, o que o levou a uma busca interior e ao retorno à fé cristã que aprendera com seus pais. 

Em 1886, entrou em contato com o Padre Huvelin, de Paris, com quem pretendia debater sobre religião. Ao encontrar o Sacerdote, se confessou e comungou. Dois anos depois, já com a certeza de que “não podia deixar de viver para Deus”, desejou consagrar a Ele toda a sua vida. Foi, então, em peregrinação para a Terra Santa. Durante sete anos, viveu em diferentes mosteiros trapistas. A partir de 1897, em Nazaré, assumiu a função de porteiro das Irmãs Clarissas e viveu numa cela junto da clausura. 

De volta à França, foi ordenado sacerdote em 1901, aos 43 anos, e obteve licença para realizar trabalhos missionários na África, tendo evangelizado, por meio do exemplo de vida e da caridade, os povos no deserto do Saara. Também atuou para libertar os que viviam como escravos. 

Entre 1909 e 1913, realizou viagens à França para apresentar o projeto “União de irmãos e irmãs do Sagrado Coração”, voltado à conversão dos infiéis de todo o mundo. Com a eclosão da 1a Guerra Mundial, em 1914, retornou à Argélia, construiu um forte para proteger as populações em perigo de vida, mas ele próprio acabou sendo assassinado por um bando de saqueadores, em 1o de dezembro de 1916. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI, em 2005.


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TITO BRANDSMA: O JORNALISTA MARTIRIZADO PELO NAZISMO 
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Nascido na Holanda em 1881, Tito Brandsma ingressou no carmelo aos 17 anos e foi ordenado sacerdote, aos 24, no ano de 1905. Após ter se doutorado em Filosofia e Sociologia em Roma, regressou ao país de origem, onde, além de lecionar para os frades carmelitas, passou a escrever artigos em jornais. 

Ao ser nomeado diretor espiritual da União dos Jornalistas Católicos da Holanda, em 1935, demarcou firme posição contra o nazismo. Frei Tito foi ainda presidente da União das Escolas Católicas e se opôs firmemente à exigência nazista de que crianças judias não tivessem acesso às instituições de ensino. 

Os atritos com o regime nazista fizeram com que Frei Tito fosse perseguido e preso em janeiro de 1942. No cárcere, dedicou-se ainda mais à oração e meditação e, vendo em seu sofrimento o mesmo a que foi submetido Cristo antes da crucifixão, teve ainda mais certeza de que “sofrer não faz mal, desde que nos sintamos amados”. Tempos depois, foi transportado para o campo de extermínio em Dachau, Alemanha. Por algumas vezes, conseguiu receber, às escondidas, a Eucaristia, enviada a ele por seus confrades. Os maus-tratos recorrentes tiraram-lhe as forças. Frei Tito faleceu em 26 de julho de 1942. Ele foi beatificado por São João Paulo II, em 1985. 

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MARIE RIVIER: UMA RELIGIOSA DETERMINADA 
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“Nada sou, nada tenho, nada posso. Foi Deus e Nossa Senhora que tudo realizaram.” A frase é da Irmã Anne Marie Rivier, nascida na França, em 1768, e que fundou a Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, hoje presente em 19 países. 

Com pouco mais de 1 ano de vida, Marie Rivier quebrou o quadril ao cair da cama. Passou boa parte da infância sem conseguir se locomover, mas esse sofrimento a aproximou da devoção à Virgem Maria: “Se me curares, eu trago-te meninas, ensino-as e digo-lhes para te amarem muito”. 

Somente aos 8 anos de idade, conseguiu andar com mais autonomia. Aos 18 anos, obteve permissão para criar uma escola e se dedicar aos cuidados de pessoas pobres e doentes, além de ter aberto um salão em uma paróquia para preparar ao mercado de trabalho jovens desempregados. 

Quando eclodiu a Revolução Francesa, em 1789, mudou-se com outras mulheres para Thueyts, no interior do país. Anos depois, em 1796, fundou a Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, mesmo em meio à perseguição que as ordens religiosas sofriam na França. 

Irmã Marie Rivier morreu em 3 de fevereiro de 1838, após ter fundado 141 casas. Foi beatificada, em 1982, por São João Paulo II. 

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MARIA DE JESUS SANTOCANALE ABRIU O CORAÇÃO A DEUS E, AS PORTAS, AOS POBRES 
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O forte chamado à vida consagrada que recebeu ao ser crismada na juventude fez com que Carolina Concetta Angela, nascida em Palermo, na Itália, em 1852, sempre tivesse a certeza de consagrar a vida a Deus. 

Após ficar acamada por quase 16 meses, nos anos de 1884 e 1885, recebeu o hábito negro da ordem terciária regular em 1887. Já vivendo na cidade de Cinisi, começou o apostolado com outras companheiras a partir de 1891, tendo uma criado um orfanato e, depois, um internato para filhas de mães que não tinham com quem deixar suas meninas por precisarem trabalhar. 

Devido ao aumento expressivo de religiosas, a Irmã começou a redigir a regra da congregação, obtendo a agregação do novo instituto, a Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada Conceição de Lourdes, à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Em 13 de junho de 1910, Irmã Maria de Jesus Santocanale e outras 11 irmãs receberam o hábito capuchinho, confiando a congregação a Nossa Senhora de Lourdes. Na fase final de sua vida, a partir de 1917, lutou contra um câncer de mama. Para se tratar, regressou a Palermo para viver com familiares, mas já em melhor condição de saúde voltou para Cinisi. Morreu em 27 de janeiro de 1923, cercada de outras religiosas. Foi beatificada pelo Papa Francisco em 2016. 

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LUÍS MARIA PALAZZOLO: A SANTIDADE DE UM PADRE DIOCESANO 
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“Onde os outros agem, fazem muito melhor do que eu poderia fazer; mas, onde os outros não chegam, procuro fazer algo como posso.” Essa é uma das frases que marcaram o ministério do Padre Luís Maria Palazzolo, que nasceu em Bergamo, na Itália, em 1827, ordenou- -se nesta diocese em 1850, e nela atuou até a morte, em 15 de junho de 1886. Fundou, em 1869, com Teresa Gabrieli, a Congregação das Irmãs Pobres, hoje presente na Itália, Luxemburgo, Suíça, França e na África, atuando nas áreas de Educação e assistência aos mais necessitados. Os que conviveram com o Padre Luís Maria Palazzolo testemunharam que ele se caracterizava pela austeridade e alegria com as quais contagiava as demais pessoas. Era conhecido como grande orador, pregador de exercícios espirituais e encenava comédias e peças de teatro para atrair os mais jovens à evangelização. Foi beatificado, em 1963, por São João XXIII. 

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LÁZARO DEVASAHAYAM: HINDU CONVERTIDO AO CATOLICISMO FOI MARTIRIZADO 
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Primeiro leigo indiano a ser declarado santo, Devasahayam Pillai nasceu em uma tradicional família hindu em 1712, tendo, inclusive, atuado como oficial na corte do antigo reino de Travancore. 

Em 1741, um prisioneiro católico holandês o colocou em contato com um missionário jesuíta. Pouco tempo depois, em 1745, aos 33 anos, Devasahayam foi batizado. Ele passou a adotar o nome de Lázaro e abandonou o sobrenome Pillai, que lhe dava a distinção de alguém nascido em uma casta superior da sociedade indiana. 

Em 1749, em razão de sua conversão, foi acusado de traidor e de supostamente ter revelado segredos de Estado aos inimigos do governo local. Lázaro, então, foi preso e levado a uma espécie de exílio em uma região de floresta de Travancore, onde acabou sendo espancado diariamente com chibatadas. Foi morto, por fuzilamento, em 14 de janeiro de 1752. Sua beatificação ocorreu em dezembro de 2012. 

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GIUSTINO MARIA RUSSOLILLO: O PADRE QUE ANIMOU VOCAÇÕES 
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Um padre extremamente dedicado à promoção das vocações em sua diocese. Assim pode ser sintetizada a vida de Giustino Maria Russolillo, que nasceu em 1891, em Pianura di Napoli, na Itália, e foi ordenado sacerdote em 1913, na Diocese de Puzzuoli, onde desenvolveu todo seu trabalho pastoral até a morte, em 2 de agosto de 1955. 

Padre Giustino fundou a Sociedade das Divinas Vocações (Vocacionistas), ajudando no despertar vocacional de moças e rapazes para a vida consagrada a Deus, ação que encontrava muita ressonância na sociedade local, graças à proximidade que ele mantinha com as famílias, chamando-as à evangelização: “Em cada casa, rua ou praça deve ser feito um templo e escola do Evangelho”, afirmou em um dos seus muitos escritos, que hoje estão compilados em 26 livros. 

O Sacerdote também colaborava com outros padres e religiosos consagrados em dificuldades financeiras, algo recorrente em um mundo que vivia as incertezas do período entre a 1º e a 2º Guerras Mundiais. Foi beatificado, em 2011, pelo Papa Bento XVI. 

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MARIA FRANCISCA DE JESUS RUBATTO: ABNEGADA SERVIDORA DOS POBRES E DOENTES 
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Anna Maria Rubatto nasceu em um lar cristão, em Carmagnola, na Itália, em 1844, e desde a infância cultivou forte espiritualidade. Após a morte da mãe, quando ela tinha 19 anos – o pai morrera quanto ela estava com 14 anos –, passou a viver com sua irmã mais velha, em Turim, até ser adotada por uma rica senhora, Mariana Scoffone, ajudando-a na administração de seu patrimônio, até 1882. 

Nesse período, diariamente, Anna Maria servia os doentes, ajudava os pobres e ensinava o Catecismo às crianças. Anos depois, quando sua irmã faleceu, Anna Maria e outras senhoras iniciaram obras de caridade e de apostolado sob a direção dos padres Capuchinhos. Em 1883, foi designada para cuidar de uma comunidade feminina. Aprofundado o desejo de uma vida consagrada a Deus, vestiu o hábito franciscano em janeiro de 1885, dando início à família religiosa das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, que prestava assistência aos doentes e se dedicava à educação cristã da juventude. 

Professou votos definitivos em 1886, quando adotou o nome de Maria Francisca de Jesus, e tornou-se a primeira superiora do instituto, que se expandiu pela Itália e para a América, com a própria Madre Francisca tendo fundado casas no Uruguai e na Argentina nos anos 1890. Já vivendo no Uruguai e acometida por um câncer, faleceu em 6 de agosto de 1904. Foi beatificada por São João Paulo II, em 1993. 

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MARIA DOMENICA MANTOVANI, DAS ‘PEQUENAS IRMÃS’ DE GRANDES OBRAS 
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Maria Domenica Mantovani, nascida em Castelletto de Brenzone, na Itália, em 12 de novembro de 1862, aprendeu em família e na comunidade paroquial o valor do trabalho e da oração. 

Na adolescência, aproximou-se ainda mais de uma vida de fé, especialmente após o Beato José Nascimbene ter se tornado pároco da igreja que ela frequentava e a ter incentivado a ensinar o Catecismo às crianças e a visitar os pobres e doentes. O Beato a convidou para ser cofundadora da Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família, em 1892, cujas constituições foram inspiradas na Regra da Ordem Terceira Regular de São Francisco. 

Nos escritos a respeito da vida de Maria Domenica, são comuns os relatos sobre sua bondade e as virtudes como mestra sábia, lúcida, zelosa e, por vezes, exigente, características que permitiram que mantivesse as ações da Congregação, mesmo após a morte do fundador. A Madre faleceu em 2 de fevereiro de 1934, quando já haviam sido aprovadas, de modo definitivo, as constituições da congregação, a qual já contava com 1,2 mil irmãs, em 150 casas na Itália e no exterior. Foi beatificada por São João Paulo II, em 2003. 

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CÉSAR DE BUS CRIOU CENTROS DE INSTRUÇÃO RELIGIOSA EM ÁREAS RURAIS 
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Nascido em 1544, na cidade de Cavaillon, na França, César de Bus recebeu formação cristã na infância. Entretanto, abandonou a fé na juventude. Desejava seguir carreira militar, mas teve seu sonho impedido por uma enfermidade para qual não se encontrava uma razão. Em seu leito de dor, recebeu a visita do bispo local, de amigos cristãos, de alguns jesuítas e de uma camponesa, por meio dos quais voltou à fé católica. 

Assim que recobrou a boa condição de saúde, iniciou o processo formativo para o sacerdócio ao mesmo tempo em que percorreu as fazendas e sítios distantes no interior da França para ensinar o Catecismo. Em alguns destes locais, fundou centros de instrução religiosa, nos quais ensinava a doutrina católica a crianças do meio rural. 

Ordenado sacerdote aos 38 anos, e tendo junto de si muitos jovens para a missão evangelizadora, fundou a Congregação dos Padres da Doutrina Cristã, os Padres Doutrinários, inicialmente sem a exigência dos votos de pobreza, obediência e castidade para o ingresso na comunidade, algo que mudaria anos depois. 

Acometido por uma enfermidade, Padre César de Bus faleceu em 15 de abril de 1607. Foi beatificado, em 1975, por São Paulo VI.

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