Dom Odilo: A celebração da Eucaristia é para nós, cristãos, o memorial da Páscoa de Cristo

Arcebispo Metropolitano presidiu a Missa da Ceia do Senhor na Catedral da Sé, com o rito de lava-pés

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na abertura do Tríduo Pascal, no começo da noite da Quinta-feira Santa, 14, o Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu a Missa da Ceia do Senhor, na Catedral da Sé, celebração que recorda a instituição da Eucaristia, a nova e eterna aliança de Deus com a humanidade.

Diferentemente dos anos de 2020 e 2021, quando a fase mais crítica da pandemia impediu que os fiéis participassem presencialmente dessa missa, desta vez muitos estiveram na Catedral para a celebração na qual também voltou a ser realizado o rito do lava-pés, fazendo memória do exemplo de Cristo aos seus apóstolos sobre a caridade e o serviço ao próximo.

‘FAÇAM ISTO EM MINHA MEMÓRIA’

Na homilia, o Arcebispo Metropolitano recordou que assim como os demais judeus, Jesus celebrava a ceia pascal judaica, para festejar a grande ação misericordiosa de Deus que levou à libertação do povo escravizado no Egito, mas que Ele deu um novo significado àquela celebração.

“Quando tomou o pão, como era costume na ceia pascal judaica, Jesus o partiu, foi entregando aos que estavam com Ele à mesa e disse: ‘Este é o meu corpo, entregue por vocês’. Essa entrega significa a morte, a morte de cruz, em que Ele se entrega para a libertação, salvação do povo”, disse o Arcebispo, lembrando que o Senhor fez o mesmo com o vinho, sinal de seu sangue que seria derramado por todos,  “o sangue da nova e eterna aliança”, libertadora e misericordiosa com o povo, um gesto daquele que se entrega por amor a toda a humanidade até o fim de suas forças, até as últimas consequências, e que ordena que seus discípulos façam o mesmo.  

“Jesus diz, ‘façam isto em minha memória’, e é o que fazemos quando celebramos a Eucaristia. Portanto, aqui tem origem a celebração da Eucaristia, que é para nós, cristãos, o memorial da Páscoa de Cristo, da passagem de Cristo deste mundo para o Pai, ou seja, de sua Morte e Ressurreição para a glória de Deus”, explicou Dom Odilo.

EUCARISTIA E CARIDADE

Ao fim da Santa Ceia, Jesus realiza um gesto que comprova o renovado sentido que essa celebração adquire a partir de então: como sinal daquele que se coloca a serviço do próximo, Ele lava os pés dos apóstolos, dando o exemplo a ser seguido.

“Lavar os pés era um gesto simbólico neste momento. Significava a atitude de colocar-se a serviço uns dos outros, atitude de verdadeira fraternidade, solicitude, cuidado uns dos outros, de ninguém pretender estar acima dos outros, mas de todos estarem uns pelos outros, como irmãos”, disse Dom Odilo, lembrando, ainda que nesta atitude está o ensinamento de que aquele que quer ser o primeiro deve se colocar sempre a serviço, pois o próprio Cristo não veio para ser servido, mas para servir.

“Celebrar a Eucaristia e viver a caridade são duas coisas inseparáveis. Não dá para celebrar a Eucaristia e permanecer com o coração fechado, indiferente, em relação aos irmãos. Celebrar a Eucaristia deve sempre nos levar à partilha, ao cuidado, à atenção, sobretudo com aqueles que mais necessitam, que mais sofrem”, enfatizou.

RITO DO LAVA-PÉS

Após a homilia, o Arcebispo Metropolitano realizou o rito do lava-pés. Tiveram os pés lavados 12 pessoas, algumas delas com vínculos com a Educação – tema da Campanha da Fraternidade deste ano – uma educadora, um professor universitário, um representante da educação popular, um casal da Pastoral Familiar, uma representante da Pastoral da Pessoa Idosa e duas catequistas. Além deles, um membro da Pastoral da Saúde e um médico – em reconhecimento a todos que se empenharam na assistência aos enfermos e flagelados durante a pandemia – além de um filho de ucranianos, representando todos aqueles que têm sofrido com o atual conflito na Ucrânia.

“‘Eu vos dei o exemplo, para que façam a mesma coisa’, disse Jesus. Pois bem, nós queremos valorizar, lembrar, tudo isso que foi feito neste tempo de pandemia para socorrer as pessoas”, comentou Dom Odilo, que na oração dos fiéis pediu a Deus para que cresça a fraternidade humana e pelo fim de todas as situações de conflito e violências.

DIANTE DO SANTÍSSIMO

Após a comunhão, o Arcebispo recordou que a Sexta-feira Santa é dia de oração, jejum e abstinência de carne.

Ao final da celebração, houve a transladação do Santíssimo para o altar da reposição da Capela do Santíssimo da Catedral da Sé, onde o Cardeal, os concelebrantes e a assembleia de fiéis participaram da vigília e adoração ao Santíssimo, que ocorre até às 22h da Quinta-feira Santa.

O Arcebispo recordou que mesmo ao retornar para suas casas, as pessoas devem permanecer em atitude de oração. Ele pediu especialmente que não se esqueçam dos pobres e dos que sofrem com os horrores das guerras.

CELEBRAÇÕES DA SEMANA SANTA

O Cardeal Scherer também presidirá  na Catedral a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa, 15, às 15h; a Vigília Pascal, no Sábado Santo, 16, às 19h; e a Missa do Domingo da Páscoa da Ressurreição, às 11h, todas com transmissão pela rádio 9 de Julho (www.radio9dejulho.com.br) e pelas mídias sociais da Arquidiocese.

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