É missão de todos nós!

Missionária por natureza, a Igreja Católica conta com os batizados para conduzir os povos à fé, à verdadeira liberdade e à paz de Cristo

Leigos, padres, seminaristas, religiosos e bispos em atividade na Arquidiocese de São Paulo no ano de 2018 (foto: Luciney Martins)

Em outubro, a Igreja celebra o Mês das Missões, durante o qual recorda sua identidade missionária. Este ano, com o tema “Jesus Cristo é missão” e o lema “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (At 4,20), a proposta é ressaltar que todo o cristão é discípulo e missionário e deve viver unido ao Senhor “nas coisas mais cotidianas, no trabalho, nos encontros, nas ocupações diárias, nas casualidades de cada dia”, conforme afirmou o Papa Francisco, em uma videomensagem com a intenção de oração para este mês missionário.

O Pontífice afirma que fazer missão não é proselitismo, mas sim “encontro entre as pessoas, no testemunho de homens e mulheres que dizem: ‘Eu conheço Jesus, gostaria que tu também O conhecesse’”.

Na mensagem para o Dia Mundial das Missões, a ser celebrado em 24 de outubro, Francisco lembra que, diante do aumento das situações de sofrimento, solidão, pobreza e injustiças que muitos experimentaram nesta pandemia, “há urgente necessidade de missionários da esperança” e que “tudo aquilo que o Senhor nos tem concedido deve ser multiplicado, doando-o gratuitamente aos outros. Como os apóstolos que viram, ouviram e tocaram a salvação de Jesus (cf. 1Jo 1,1-4), também nós, hoje, podemos tocar a carne sofredora e gloriosa de Cristo na história de cada dia e encontrar coragem para partilhar com todos um destino de esperança, esse traço indubitável que provém do fato de saber que estamos acompanhados do Senhor. Como cristãos, não podemos reservar o Senhor para nós mesmos: a missão evangelizadora da Igreja exprime o seu valor integral e público na transformação do mundo e na salvaguarda da criação”.

A Igreja é missionária

O Catecismo da Igreja Católica aponta que a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, “pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai. E o fim último da missão não é outro senão fazer os homens participarem da comunhão que existe entre o Pai e o Filho em seu Espírito de amor” (CIC, §850).

Cumprindo seu mandato missionário, a Igreja – conforme se lê no §849 do Catecismo – “esforça-se para anunciar o Evangelho a todos os homens. ‘Ide, portanto, e fazei que todos os povos se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos’ (Mt 28,19-20)”.

No decreto Ad gentes (AG), sobre a atividade missionária da Igreja, publicado em 1965, São Paulo VI indica que a missão da Igreja consiste em conduzir todos os homens ou povos “à fé, liberdade e paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação, mas também pelos sacramentos e pelos demais meios da graça, de tal forma que lhes fique bem aberto o caminho livre e seguro para participarem plenamente no mistério de Cristo” (AG, 5).

Para que se cumpra a missão a ela confiada, a Igreja conta com todos os batizados: “Cristo confiou aos apóstolos e a seus sucessores o múnus de ensinar, de santificar e de governar em seu nome e por seu poder. Os leigos, por sua vez, participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, compartilham a missão de todo o povo de Deus na Igreja e no mundo. Finalmente, em ambas as categorias [hierarquia e leigos] há fiéis que, pela profissão dos conselhos evangélicos, se consagram, em seu modo especial, a Deus e servem à missão salvífica da Igreja” (CIC, §873).

Os caminhos da missão

Padre brasileiro em missão em Moçambique, no continente africano no ano de 2019 (foto: Padre Michelino Roberto)

Conforme aponta o Catecismo, o esforço missionário “começa pelo anúncio do Evangelho aos povos e aos grupos que ainda não creem em Cristo; prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs que sejam ‘sinais da presença de Deus no mundo’ e na fundação de Igrejas locais; encaminha um processo de inculturação para encarnar o Evangelho nas culturas dos povos; e não deixará de conhecer também fracassos” (CIC, §854).

Nessas missões Ad gentes (além-fronteiras), a Igreja envia missionários ordenados, consagrados ou leigos com a tarefa “de pregar o Evangelho e de implantar a mesma Igreja entre os povos ou grupos que ainda não creem em Cristo… O fim próprio desta atividade missionária é a evangelização e a implantação da Igreja nos povos ou grupos em que ainda não está radicada” (AG, 6). E a missão não chega ao fim quando uma comunidade eclesial é iniciada, uma vez que – conforme se lê neste mesmo ponto do decreto –  ainda há “o dever de a continuar pregando o Evangelho a todos aqueles que ainda tenham ficado de fora. Há de se considerar também que as comunidades em que a Igreja vive, não raras vezes e por variadas causas, mudam radicalmente, de maneira a poderem daí advir condições de todo novas”.

A Igreja particular, portanto, tem também uma missão ad intra, que é a de olhar para seu entorno mais próximo, tendo a consciência de que “foi também enviada aos habitantes do mesmo território que não creem em Cristo, a fim de ser, pelo testemunho da vida de cada um dos fiéis e de toda a comunidade, um sinal a mostrar-lhes Cristo” (AG, 20).

Na encíclica Redemptoris missio (RM), publicada em 1990, São João Paulo II afirma que “sem a missão ad gentes, a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada do seu significado fundamental e do seu exemplo de atuação” (RM, 34), mas que a comunidade deve também ser missionária em sua realidade mais próxima: “As Igrejas de antiga tradição cristã, por exemplo, preocupadas com a dramática tarefa da nova evangelização, estão mais conscientes de que não podem ser missionárias dos não cristãos de outros países e continentes se não se preocuparem seriamente com os não cristãos da própria casa: a atividade missionária ad intra é sinal de autenticidade e de estímulo para realizar a outra ad extra, e vice-versa”.

Renovação missionária

Registro anterior à pandemia de COVID-19 (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O Documento de Aparecida (DAp), publicado em 2007, chama a Igreja na América Latina a um processo de conversão pastoral e renovação missionária, algo que na Arquidiocese de São Paulo tem sido refletido de modo mais intenso desde 2018 com o 1o sínodo arquidiocesano – “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”.

No DAp é apontado que nenhuma comunidade eclesial deve se isentar de participar dos “processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DAp, 365). Ressalta-se, também, que todos os batizados “são chamados a assumir uma atitude de permanente conversão pastoral” (DAp, 366), a qual exigirá que em todas as comunidades “se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. Assim, será possível que ‘o único programa do Evangelho continue introduzindo-se na história de cada comunidade eclesial’ com novo ardor missionário, fazendo com que a Igreja se manifeste como uma mãe que vai ao encontro, uma casa acolhedora, uma escola permanente de comunhão missionária” (DAp, 370).

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