Jovens se conectam a Assis para pensar em uma economia a serviço da vida

Três dos brasileiros inscritos no evento partilham as experiências em live feita pela PUC-SP / Reprodução da internet

Mais de 2 mil jovens, de 115 países, participaram, entre os dias 19 e 21, do encontro internacional “Economia de Francisco”, atendendo ao convite do Papa para pensar ações de reconfiguração da economia global.

A atividade que seria realizada presencialmente em Assis, na Itália, ocorreu de modo on-line em razão da atual pandemia, o que ampliou a possibilidade de participação dos jovens.

Ao acolher os participantes, o Bispo de Assis, Dom Domenico Sorrentino, ressaltou que São Francisco é um exemplo e inspiração para essa nova economia proposta pelo Papa. Ele afirmou que o Santo de Assis considerava o dinheiro um instrumento para o bem de todos e especialmente dos últimos. Com a sua nudez, disse Dom Domenico, Francisco escreveu o manifesto de uma nova economia.

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REDE GLOBAL

“Vocês decidiram dar vida a uma rede global de jovens que iniciarão a mudança. Decidiram ajudar o Papa, a Igreja e o mundo a realizar uma economia inclusiva e justa, a serviço de todos, uma economia social que investe nas pessoas, garantindo formação e trabalho digno”, acrescentou o Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que se conectou aos jovens, direto de Roma.

O Purpurado recordou, ainda, que o objetivo das empresas é criar uma comunidade de pessoas. “Não é o mercado que pode curar a economia. Por isso é importante que a inspiração venha das pessoas, que não são simples trabalhadores” refletiu o Cardeal Turkson.

Ao longo desses três dias, os jovens participaram de encontros virtuais preparados nos últimos meses por meio de 12 grupos temáticos. Também foram convidados economistas, pesquisadores, cientistas políticos e sociais de fama mundial, como Jeffrey Sachs, Ilaria Schnyder von Wartensee, Stefano Bartolini, Raul Caruso, Juan Camilo Cárdenas, Susi Snyder e Cécile Renouard.

Além da economia, também houve reflexões de temas como a paz, reconversão industrial, inteligência artificial, um novo paradigma global e um novo modelo de desenvolvimento, modelos empresariais para uma economia humana, experiências em comunidades de transição ecológica e social, e insegurança alimentar.

BRASILEIROS

O Brasil teve a segunda maior participação no evento, com cerca de 100 jovens inscritos de diferentes regiões do País, atrás apenas dos italianos.

Entre esses brasileiros estava Alan Faria Andrade Silva, advogado e doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele relatou ao O SÃO PAULO que o evento foi uma rica conexão de ideias e sentimentos.

“Foi um momento no qual pudemos conhecer o rosto dos jovens, suas realidades locais e uma oportunidade de mostrarmos a nossa realidade. Compartilhamos nossas experiências de leste a oeste e todas as suas dimensões”, destacou Andrade Silva, que ressaltou, ainda, a beleza do trabalho coletivo realizado.

Matheus Machado, advogado, empresário, professor e palestrante de Finanças Pessoais, candidatou-se para participar do evento atraído pela proposta do Papa de repensar as relações econômicas, mudando sua mentalidade do foco absoluto no lucro financeiro para o bem do ser humano.

“O que mais me motivou a participar deste evento foi a possibilidade de poder unir em um mesmo momento aquilo que trazemos no trabalho com a missão de fazer o bem, de olhar para o outro, de colocar o ser humano sempre em primeiro lugar”, destacou Machado, que foi um dos representantes da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE) e da União Internacional Cristã dos Dirigentes de Empresas (Uniapac) Brasil. Ele definiu o evento como uma fonte para absorver princípios e valores e entender que existem muitas pessoas pelo mundo com essa mesma intenção de modificar a forma de como realizam negócios.

Para Claudia de Andrade Silva, arquiteta e urbanista, mestranda na Universidade de São Paulo (USP), ficou evidente durante o evento que os jovens não estão sozinhos no desejo de transformar a sociedade. Ela destacou, ainda, que o Papa Francisco foi o primeiro líder mundial a chamar a juventude para esse processo de mudança, dando-lhe responsabilidade e importância.

“Precisamos ecoar a cultura do encontro, que proporcione voz a todos, sem exceção, em um processo que pensemos com e não por eles… Não tem como mudar o mundo sem antes mudar as realidades, concretas e diretas, em que estamos inseridos”, disse a jovem, reforçando que a Economia de Francisco não é o evento, mas um processo já iniciado.

Todas as reflexões dos jovens da PUC-SP feitas durante os dias de encontro podem ser vistas no facebook da TV PUC-SP.

(Colaborou: Jenniffer Silva)

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