Papa Francisco aos jovens: ‘Não fiquem fora de onde se produz o presente e o futuro!’

Em mensagem aos participantes de ‘Economia de Francisco’, o Papa defende uma nova abordagem econômica que inclua os pobres

Papa Francisco aos jovens: ‘Não fiquem fora de onde se produz o presente e o futuro!’
Vatican Media

“Ou vocês se envolvem ou a história vos passará por cima”, alertou o Papa Francisco aos jovens participantes do evento on-line “Economia de Francisco” (The Economy of Francesco), em mensagem publicada no sábado, 21. “Vocês não podem ficar fora de onde se produz o presente e o futuro”, declarou.

O evento, organizado entre os dias 19 e 21, deveria ter ocorrido presencialmente na cidade de Assis, na Itália, mas foi reorganizado por causa da atual pandemia. Trata-se de um encontro de centenas de jovens economistas e empreendedores com personalidades e estudiosos que propõem um modelo econômico alternativo ao atual (leia mais na página 12).

O Papa Francisco tem a intenção de “iniciar processos” para mudar a presente lógica dominante. É preciso mudar “os estilos de vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem a sociedade. Sem fazer isso, vocês não farão nada”, acrescentou.

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Uma lógica franciscana

“Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está em ruína”, diz o relato do próprio Santo, que morreu em 1226. Essas palavras, diz o Papa Francisco, fizeram com que o jovem saísse da “normalidade” e passasse a buscar a esperança nos pobres.

O mesmo devem fazer os jovens de hoje, afirmou o Pontífice, pois “urge uma narração econômica diferente”, já que “o atual sistema mundialé insustentável” e exclui grande parte da sociedade. A economia atual atinge duramente os pobres e excluídos, mas também a “casa comum”, o planeta Terra.

Conforme já dizia o Papa Bento XVI, “a fome não depende tanto de escassez material, quanto da escassez de recursos sociais, a mais importante das quais é de natureza institucional”, citou Francisco.

Encontrar-se com o outro

A mera soma de interesses individuais nunca é capaz de gerar um mundo melhor para toda a humanidade, insistiu o Papa. Para promover a chamada “cultura do encontro”, é preciso romper com lógicas que vão contra o diálogo, como “desacreditar, caluniar ou descontextualizar o interlocutor”.

Essa mudança também depende da criação de um sistema econômico que não concentre ainda mais os recursos nas mãos de uma pequena parcela da humanidade. É preciso acabar com os desequilíbrios, defendeu o Papa, reconhecendo as diferenças e incluindo nos debates o olhar dos mais prejudicados.

“É necessário aceitar estruturalmente que os pobres têm dignidade suficiente para se sentar nos nossos encontros, participar nas nossas discussões e levar o pão às suas casas”, disse. “Isso é muito mais que assistencialismo: estamos falando de uma conversão e transformação das nossas prioridades e do lugar que o outro tem nas nossas políticas e na ordem social.”

A cultura do descarte obriga parte da sociedade “a viver no próprio descarte”. Os participantes do evento fizeram um “pacto de Assis”, comprometendo-se a promover propostas intelectuais, acadêmicas, culturais e científicas que promovam o “desenvolvimento humano integral”, que vai além do aumento das capacidades técnicas e se volta a respostas que visam ao bem comum.

A criatividade que vem de Deus continuará inspirando as jovens gerações, exortou o Papa. “Não temam de se envolver e tocar as almas das cidades com o olhar de Jesus”, disse.

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