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Copa 2026: é hora de escalar os bons valores do esporte

Copa 2026: é hora de escalar os bons valores do esporte - Jornal O São Paulo
Imagem gerada por IA

Na maior Copa do Mundo de Futebol de todos os tempos, com início na quinta-feira, 11, serão realizadas 104 partidas nos Estados Unidos, México e Canadá, envolvendo 48 seleções, das quais 41 irão em busca de um título inédito e 7 tentarão conquistar mais uma estrela em suas camisas: Brasil (5 vezes campeão), Alemanha (4), Argentina (3), Uruguai (2), França (2), Inglaterra (1) e Espanha (1). 

No contexto da realização da Copa do Mundo, Leão XIV, por meio da Rede Mundial de Oração do Papa (https://www.popesprayer.va/pt-pt), coloca os valores do esporte na intenção de oração para este mês de junho. 

O Pontífice agradece ao Senhor pelo dom do esporte e por todos aqueles que “glorificam a Deus com o exercício dos seus corpos, pelas amizades que nascem no campo e pela alegria de jogar em equipe”. Também roga para que o esporte “seja sempre escola de fraternidade e não de rivalidade vazia, espaço de encontro e não de exclusão, caminho de paz e não de violência”, sendo, também, “uma linguagem universal que aproxima culturas, une povos e semeia respeito, solidariedade e superação pessoal”. 

O ESPORTE E O DESENVOLVIMENTO DA PESSOA 

Na carta apostólica “A vida em abundância”, publicada em fevereiro deste ano, Leão XIV lembra que o esporte “é fonte de alegria e favorece o desenvolvimento pessoal e as relações sociais”, algo que certamente poderá ser verificado ao longo desta Copa do Mundo por quem tiver atenção não apenas aos resultados das partidas. 

Como recorda o Papa, durante a prática esportiva, ocorre a fusão entre ação e consciência, “a ponto de não restar espaço para uma atenção explícita voltada para si mesmo. Neste sentido, a experiência interrompe a tendência ao egocentrismo”. 

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Vatican Media

Especialmente nos esportes coletivos – prossegue o Pontífice – há grande sentido de união entre os membros de uma equipe, pois “o jogador não está mais voltado para si mesmo, pois faz parte de um grupo que tende a um objetivo comum”, e, assim, busca compreender como suas capacidades podem ser úteis ao time. 

O jogo em equipe também faz lembrar que “trabalhar em conjunto com os colegas da mesma idade implica, às vezes, a necessidade de enfrentar conflitos, lidar com frustrações e fracassos. É preciso até aprender a perdoar (cf. Mt 18, 21-22)”. 

A CULTURA DO ENCONTRO NAS COMPETIÇÕES ESPORTIVAS 

Na carta apostólica, Leão XIV também aborda como as competições esportivas podem colaborar para a cultura do encontro. 

O Pontífice recorda que a palavra competição deriva de duas raízes latinas: cum – ‘juntos’ – e petere – ‘pedir’. Assim, em uma competição “pode-se dizer que duas pessoas ou duas equipes buscam juntas a excelência. Não são inimigos mortais”. 

Toda competição também tem um “pacto ético comum: a aceitação leal das regras e o respeito pela verdade da disputa”. 

O verdadeiro esporte também educa para uma relação serena com o limite e com a norma: “Sem regras não há competição, nem encontro, mas apenas caos ou violência. Aceitar os limites do próprio corpo, do tempo, do esforço e respeitar as regras comuns significa reconhecer que o sucesso nasce da disciplina, da perseverança e da lealdade”. 

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Rafael Ribeiro/CBF

Toda competição esportiva, prossegue Leão XIV, também ensina “que se pode aspirar ao máximo sem negar a própria fragilidade, que se pode vencer sem humilhar, que se pode perder sem ser derrotado como pessoa”. 

A competição justa guarda, assim, uma dimensão profundamente humana e comunitária: não separa, mas relaciona; não torna absoluto o resultado, mas valoriza o caminho; não idolatra o desempenho, mas reconhece a dignidade de quem joga”, diz o Papa. 

Também os torcedores são cha-mados a viver a cultura do encontro, evitando tornar a competição esportiva um ambiente de polarizações, que redundam em violência verbal e física, ocasiões em que “torcer transforma-se em fanatismo; o estádio torna-se um local de conflito em vez de encontro. Aqui, o esporte não une, mas radicaliza; não educa, mas deseduca; porque reduz a identidade pessoal a uma pertença cega e opositora”. 

Leão XIV sublinha que grandes competições esportivas internacionais – como é o caso da Copa do Mundo de Futebol – ajudam a lembrar que “somos chamados a formar uma única família humana. Os valores promovidos pelo esporte – tais como a lealdade, a partilha, o acolhimento, o diálogo e a confiança nos outros – são comuns a todas as pessoas, independentemente da sua origem étnica, da cultura e da crença religiosa”. 

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POSTURAS NAS VITÓRIAS E NAS DERROTAS 

O Pontífice também aponta que a dimensão educativa do esporte revela-se especialmente na relação entre vitória e derrota: “Vencer não é simplesmente chegar em primeiro, mas reconhecer o valor do caminho percorrido, da disciplina, do compromisso partilhado. Perder, por sua vez, não coincide com o fracasso da pessoa, mas pode tornar-se uma escola de verdade e humildade”. 

Nesse sentido, diz ainda o Papa, o esporte educa para uma compreensão mais profunda da vida, “na qual o sucesso nunca é definitivo e a queda nunca constitui a última palavra. Aceitar a derrota sem desespero e a vitória sem arrogância significa aprender a viver a realidade com maturidade, reconhecendo os próprios limites e possibilidades”. 

A ALEGRIA DE CAMINHAR JUNTOS 

Nos parágrafos finais do texto, o Papa afirma que o esporte “pode e deve ser um espaço de acolhimento, capaz de envolver pessoas de diferentes origens sociais, culturais e físicas. A alegria de estar juntos, que nasce do jogo partilhado, do treino comum e do apoio mútuo, é uma das expressões mais simples e profundas da humanidade reconciliada”. 

Chegou a hora de torcer! E não apenas pelo hexa da seleção brasileira. Que a Copa do Mundo da Fifa de 2026, cujo lema “We Are 26” [Nós somos 26] evoca a união dos países organizadores do Mundial de Futebol e das seleções participantes, ajude a viabilizar o que Leão XIV indica na conclusão da carta apostólica: “o esporte pode tornar-se verdadeiramente uma escola de vida, na qual se aprende que a abundância não nasce da vitória a qualquer custo, mas da partilha, do respeito e da alegria de caminhar juntos”. 

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