Hoje adoramos o Sagrado Coração de Jesus. Olhemos uns para os outros, não só neste dia, mas sempre, com respeito e confiança. Inflamados pela caridade do seu Coração, sejamos portadores da sua misericórdia e da sua paz, para que cessem as guerras no mundo e cresça à nossa volta uma nova humanidade, reconciliada no amor: disse Leão XIV na Missa celebrada esta quinta-feira no Estádio de Gran Canária, Las Palmas, penúltima etapa de sua viagem apostólica à Espanha, que se conclui amanhã, 12 de junho

Após um dia definido pelo próprio Papa como tendo sido rico de encontros e partilha, Leão XIV presidiu a Eucaristia na noite desta quinta-feira, 11 de junho, no Estádio de Gran Canári, Las Palmas, dando graças ao Senhor pelo tanto bem que ali se faz quotidianamente “confiando-Lhe o empenho de todos e, ao mesmo tempo, os sofrimentos de que esta terra é testemunha”. Em seguida, convidou os cerca de 50 mil fiéis presentes também a rezar juntos, nesta Santa Missa, pelos irmãos e irmãs que perderam a vida no mar.
Com o pão e o vinho, tudo levamos ao Altar, ao entrarmos – através desta Celebração vespertina – na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a quem toda a Espanha está consagrada. Peçamos ao Senhor que, neste momento, estejam presentes em nós os mesmos sentimentos de humanidade, misericórdia e compaixão do Coração do Salvador.

Na homilia da celebração, o Santo Padre ateve-se às leituras propostas pela liturgia, ressaltando que na caridade de Deus nossa vocação ao amor tem as suas raízes, vocação que não se baseia no cálculo, nem no mero sentimento, nem se reduz a simples filantropia, mas penetra todo o nosso ser: fogo para a alma, luz para a mente, impulso irresistível para a liberdade, paz e, ao mesmo tempo, tormento para o coração, que bate em sintonia com outros corações, envolvendo toda a pessoa. Porque amar é conatural ao homem, ou melhor, é condição para a plenitude da própria existência.
“Assim, na humanidade do Salvador e nos movimentos do seu Santíssimo Coração, se nos revela o amor: imutável e fiel mesmo perante a incompreensão e a rejeição, o medo, a tristeza e a resistência humana”, destacou o Pontífice, acrescentando que “é neste rosto de Deus, sempre “apaixonado”, que anseia total e constantemente o nosso bem e a nossa plena felicidade, que reconhecemos o caminho da vida, aprendendo um novo modo de existir e de nos relacionarmos, um critério diferente para avaliar as decisões, um estilo renovado e estimulante de viver a comunhão”.

A este respeito, o Papa Francisco, falando da caridade de Cristo, dizia que «a melhor resposta ao amor do seu Coração é o amor aos irmãos» e acrescentava: «não há maior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor». “Retribuir amor por amor”: esta é a maravilhosa permuta, o «admirabile commercium», pelo qual o Evangelho convida a deixar-nos atrair, traduzindo a medida infinita do amor de Deus na generosidade com que O servimos, todos os dias, nos irmãos e irmãs que Ele próprio coloca no nosso caminho. Em especial nos mais necessitados, indefesos, incapazes de dar algo em troca. Exatamente como acontece nesta ilha, no acolhimento, na partilha, no dom desinteressado.
Leão XIV frisou, contudo, que a nossa caridade não deve limitar-se a um mero assistencialismo, mas deve integrar as pessoas, para a sua plena realização — espiritual, intelectual e física — e a sua inserção digna e construtiva na comunidade. Só assim os nossos encontros, mesmo perante acontecimentos difíceis e dolorosos, se transformarão numa ocasião para semear a esperança no caminho da humanidade rumo a um futuro melhor.
Fonte: Vatican News




