Na 6ª sessão da assembleia sinodal, participantes analisam a 1ª versão do relatório geral do sínodo

Individualmente, eles puderam redigir emendas a cada uma das 130 propostas apresentadas. Redação final será apresentada na próxima sessão, em 3 de dezembro

Na 6ª sessão da assembleia sinodal, participantes analisam a 1ª versão do relatório geral do sínodo, Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

No caminho de “comunhão, conversão e renovação missionária” trilhado ao longo do 1o sínodo arquidiocesano de São Paulo, a busca de formação permanente, a acolhida aos que procuram a Igreja, o compromisso com a missionariedade e a evangelização na cidade aparecem como eixos centrais das propostas elaboradas pelas 25 comissões temáticas da assembleia sinodal arquidiocesana. 

Um relatório preliminar, composto por 130 propostas, foi apresentado no sábado, 5, na 6a sessão da assembleia, realizada na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom). Na ocasião, houve a leitura das propostas e, posteriormente, os participantes as apreciaram de modo individual, indicando que em uma folha-gabarito se discordavam do conteúdo proposto, se concordavam plenamente ou se aceitavam com ressalvas, devendo, neste último caso, apresentar sugestões de emendas ao texto original. 

Nesta sessão também foi apresentada a composição da Comissão de Escrutínios do sínodo, que será presidida por Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ, Bispo Auxiliar da Arquidiocese, tendo como missão coordenar os trabalhos de votação.

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AVANÇAR PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS 

Como aconteceu nas demais sessões, houve, inicialmente, a celebração da Palavra, desta vez presidida por Dom Carlos Silva, OFMCap., Bispo Auxiliar da Arquidiocese. Ele destacou que o chamado aos participantes era o de, com fé e coragem, ousar “novos caminhos na evangelização missionária em nossa Arquidiocese”, e “avançar para as águas mais profundas”, em alusão ao Evangelho segundo Lucas (cf. Lc 5,1-11), proclamado na celebração.

Para tal, destacou o Bispo, é preciso que cada pessoa saia da “zona de conforto” de suas próprias convicções e se abra a um processo permanente de conversão, “para permanecer ainda mais fiel Àquele que tem um projeto de vida e de liberdade para todos”. 

“A evangelização só é efetiva a partir da ação testemunhal de cada um de nós”, enfatizou o Bispo. “Eis o tempo sinodal: o tempo de saída da superficialidade costeira e de avanço para as águas cada vez mais profundas”, concluiu.  

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DISCERNIMENTO ECLESIAL

Antes da leitura das 130 propostas – formuladas pelas 25 comissões temáticas nas duas sessões anteriores e que tiveram alguns ajustes de texto por parte da Comissão de Redação do sínodo –, houve a explicação sobre a dinâmica dos trabalhos do dia e se recordou a natureza consultiva do sínodo, de modo que compete ao Arcebispo a liberdade de acolher ou não as indicações feitas. Também se ressaltou que as votações na assembleia arquidiocesana não têm a finalidade de alcançar um acordo majoritário, mas de verificar o consenso dos membros sinodais sobre o que é proposto.

Ao se dirigir aos participantes, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, recordou uma fala do Papa Francisco antes dos trabalhos do Sínodo sobre a Amazônia, em 2019, na qual o Pontífice explicou que o sínodo não é um parlamento, em que se vota algo para ganhar ou perder ou para se buscar um consenso negociado, mas um processo próprio da Igreja. “Portanto, devemos fazer um discernimento eclesial, de modo que refletimos e ouvimos para perceber para qual direção o Espírito Santo está soprando, e depois, com liberdade, cada um expressa seu parecer sobre as propostas”, afirmou, lembrando que, a partir da redação final das propostas, o próprio Arcebispo apresentará algumas diretrizes para a Arquidiocese, a serem divulgadas na solene celebração de encerramento do sínodo, em 25 de março de 2023. 

Referindo-se ao Evangelho proclamado no começo da sessão, Dom Odilo destacou que é preciso que haja coragem no agir evangelizador, confiando na Palavra de Jesus, na ação do Espírito Santo e contando com todos aqueles que se dispõem a caminhar. “Outros caminharão quando virem que o barco vai adiante. O sínodo é, justamente, esta proposta de uma Igreja que quer caminhar. O Papa tem usado a expressão de que não somos uma Igreja de museu. A Igreja precisa se mover”, comentou. 

Na 6ª sessão da assembleia sinodal, participantes analisam a 1ª versão do relatório geral do sínodo, Jornal O São Paulo

UM OLHAR DA IGREJA PARA A METRÓPOLE

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Irmã Helena Corazza, FSP, uma das relatoras-gerais do sínodo, afirmou que as 130 propostas mostram que os participantes da assembleia sinodal estão atentos e sensíveis às diferentes realidades da Igreja na metrópole, e sugerem respostas pastorais às questões mais emergentes. 

“Entre os assuntos transversais está o do acolhimento, que é mencionado em diversas comissões, na dimensão de acolher as pessoas como elas são. A questão da formação também foi muito citada, e a dimensão missionária, eu diria, é o grande eixo, pois apareceu em quase todas as comissões. Muito se mencionou também a sensibilização da Igreja em relação às políticas públicas”, destacou a religiosa. 

Na 6ª sessão da assembleia sinodal, participantes analisam a 1ª versão do relatório geral do sínodo, Jornal O São Paulo

Também um dos relatores-gerais e membro da Comissão de Redação do sínodo, o Cônego José Arnaldo Juliano disse à reportagem que alguns dos eixos fundamentais que aparecem nas propostas se referem à formação permanente, Catequese, promoção de uma espiritualidade que leve ao encontro pessoal com Cristo – como é preconizado no Documento de Aparecida (2007) –, e a necessidade da participação ativa da Igreja em São Paulo nos diferentes setores da sociedade. 

“Tudo isso está contemplado nas propostas. O passo seguinte, após a conclusão do sínodo, será o de reconhecer quais os caminhos devemos percorrer e nos abrir em nossas pastorais e nas demais ações eclesiais”, comentou o Cônego, destacando que posteriormente haverá as deliberações do Arcebispo sobre o que fazer e de como fazer uma caminhada de comunhão, conversão e renovação missionária na Arquidiocese. 

O Sacerdote disse, ainda, que a tendência é que o documento final da assembleia sinodal tenha menos que as atuais 130 propostas, pois algumas são similares, mas que, por terem sido redigidas em diferentes comissões, foram mantidas neste primeiro relatório. “Não tiramos proposta alguma. Apenas as sintetizamos, enxugamos a redação, para centrar naquilo que era a proposta em si e não em suas justificativas”, detalhou.

Na 6ª sessão da assembleia sinodal, participantes analisam a 1ª versão do relatório geral do sínodo, Jornal O São Paulo

Na plenária aberta que antecedeu a avaliação individual das propostas, alguns dos participantes externaram a preocupação de que estas contemplem a acolhida a todas as pessoas na Igreja, se atentem às novas realidades do cotidiano, que favoreçam uma dimensão querigmática, impulsionem um novo espírito missionário, proporcionem uma evangelização programática na Arquidiocese e estimulem especialmente os leigos a participar dos conselhos paritários sobre as políticas públicas na cidade, em especial as voltadas à população mais vulnerabilizada.

Todo o material de trabalho produzido nesta 6a sessão, incluindo as folhas-gabarito e as sugestões de emendas às propostas, será passado à Comissão de Redação do sínodo para que proceda a redação final do relatório geral, a ser submetido à apreciação e votação na 7a sessão da assembleia, em 3 de dezembro. 

Na 6ª sessão da assembleia sinodal, participantes analisam a 1ª versão do relatório geral do sínodo, Jornal O São Paulo

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