Beata Bárbara Maix: religiosa austríaca testemunhou a fé no Brasil

Em 8 de maio de 1849, no Rio de Janeiro, Bárbara Maix fundou a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria (ICM)

Reprodução

Bárbara Maix nasceu em 27 de junho de 1818, em Viena, na Áustria. A filha de José Maix e de Rosália Mauritz era a caçula de nove irmãos e ficou órfã aos 15 anos de idade. Da família, herdou a vivência da fé cristã, a coragem e o espírito de luta pela vida, a confiança em Deus, o amor generoso ao próximo e a perseverança diante das dificuldades.

Em 1848, devido à perseguição religiosa, ela precisou deixar sua pátria. O destino era a América do Norte, mas no Porto de Hamburgo, na Alemanha, precisou mudar a rota e acabou emigrando ao Brasil, juntamente com 21 jovens que desejavam, como ela, viver em comunidade, inspiradas pelo testemunho das primeiras comunidades cristãs, e consagrar suas vidas a Cristo, animadas pelo espírito missionário.

Após 57 dias de viagem, elas foram acolhidas no Convento Nossa Senhora da Ajuda, no Rio de Janeiro (RJ).

Fundação

Em 8 de maio de 1849, no Rio de Janeiro, Bárbara Maix fundou a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria (ICM), que é a segunda ordem religiosa mais antiga do Brasil. O objetivo das religiosas era se dedicar à educação de crianças e jovens, especialmente os mais pobres.

Irmã Gentila Richetti, religiosa e postuladora da causa de canonização de Bárbara Maix, recordou que o sofrimento e os apelos de ajuda eram constantes e urgentes.

“Madre Bárbara deparou-se com grande pobreza e desafios: as epidemias da febre amarela e do cólera, e a guerra do Brasil com o Paraguai, que geraram grande sofrimento, doenças e muitos órfãos. A educação carecia de professores habilitados. Ela recebia um pedido após outro para se encarregar da direção de asilos e escolas”, afirmou.

Em 1855, em Pelotas (RS), Bárbara Maix assumiu o Asilo Nossa Senhora da Conceição. Dois anos depois, o Asilo Santa Leopoldina, em Porto Alegre (RS), onde, durante 14 anos, se dedicou à educação das crianças entregues na Casa da Roda, como era conhecida a Santa Casa de Misericórdia. Em 1860, fundou o Colégio Coração de Maria e em 1963 dirigiu o Asilo Providência. Em 1870, voltou para o Rio de Janeiro, assumindo a Escola Nossa Senhora do Amparo, em Petrópolis (RJ), destinada à educação de órfãos e filhas de escravos, após a lei do Ventre Livre, promulgada em 1871. Ela faleceria dois anos depois, em 17 de março de 1873.

Beatificação

Bárbara Maix foi beatificada em 6 de novembro de 2010, em Porto Alegre (RS). O milagre para a causa da beatificação foi a cura do menino Onorino Ecker, de 4 anos, por intercessão da Madre. Em 10 de julho de 1944, na cidade de Santa Lúcia do Piaí, distrito de Caxias do Sul (RS), caiu sobre o garoto uma panela com água fervente e ele se feriu nas brasas, tendo o corpo totalmente queimado. Ele foi levado a pé para o hospital, que ficava a 15 quilômetros.

Hospitalizado com queimaduras de terceiro grau, foi desenganado pelo médico. No pequeno hospital, atuavam as Irmãs do Imaculado Coração de Maria, que, juntamente com os familiares, começaram uma corrente de oração, invocando a intercessão da Madre. As preces foram atendidas e, em menos de 15 dias, o menino estava completamente curado.

Processo de canonização

O processo de canonização está em andamento no Vaticano. Para que seja declarada Santa, a Igreja pede a comprovação de mais um milagre, ocorrido após sua beatificação.

Está em análise um milagre que teria ocorrido em 15 de dezembro de 2018, quando uma senhora da cidade de Santa Lúcia do Piaí sofreu uma grave queimadura ao fazer sabão em casa, e, enquanto estava internada, a família invocou em prece a Bem-Aventurada. Em 13 dias, a mulher se curou.

“Este é o fato que foi encaminhado à Congregação para as Causas dos Santos. Se for concedido o decreto de validade do processo diocesano, a documentação será examinada pela comissão de médicos, sob o ponto de vista da ciência, e por teólogos, cujas conclusões serão apresentadas aos bispos e, finalmente, ao Papa”, disse a postuladora.

Espiritualidade, carisma e apostolado

Irmã Eurides Alves de Oliveira, Coordenadora Provincial da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, comenta que a espiritualidade das religiosas é a cristocêntrica.

“Somos convocadas a viver a fé, a exemplo de Maria, na intimidade com Deus, na abertura ao Espírito Santo, prontas a ouvir, a acolher e a responder às suas iniciativas”, disse a Superiora. “Encontramos no Imaculado Coração de Maria, nossa padroeira, mãe e serva, uma fonte de inspiração e um caminho seguro para crescer no amor e adesão total à pessoa de Jesus Cristo, único fundamento”, acrescentou.

“busca contínua da vontade de Deus, caracterizada pelo seguimento radical a Jesus Cristo, numa disponibilidade aos apelos dos mais pobres em cada momento histórico, olhando de modo preferencial as mulheres em situação de vulnerabilidade, a juventude, as crianças e adolescentes”, disse Irmã Eurides, destacando que as religiosas se doam em atitude de total e permanente disponibilidade aos apelos da Igreja.

“A fundadora foi uma pessoa muito atenta aos problemas sociais de sua época. Ela viveu os valores do Evangelho, os valores da solidariedade, do respeito”, afirmou Irmã Eurides.

No âmbito apostólico, as consagradas atuam nas áreas de educação, assistência social, animação missionária, pastorais sociais, catequese, saúde alternativa e formação de lideranças, sempre focadas nos mais necessitados.

A congregação expandiu-se e, atualmente, as religiosas estão em 14 estados no Brasil e em mais sete países: Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Moçambique, Itália e Haiti, sempre tendo como inspiração uma frase da Beata Bárbara Maix: “Nossa missão é grande, por isso precisamos de grande fé, esperança e amor… somos obrigadas a não esquecer os pobres”

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