‘Bebês para o Céu’: Igreja no Equador sepulta bebês abortados e abandonados

Iniciativa de caridade cristã surgiu há três anos quando corpos de bebês, abortados ou afogados, foram encontrados jogados em um parque, na cidade equatoriana de Quito

Fotos: Arquidiocese de Quito

A Arquidiocese de Quito, no Equador, realizou um funeral para 25 bebês que foram abortados ou morreram após serem abandonados.

A cerimônia aconteceu no dia 21 de maio e começou com a celebração de uma missa presidida pelo Bispo Auxiliar de Quito, Dom Danilo Echeverría, que disse em sua homilia que colocaria estes pequeninos que “morreram de forma violenta nas mãos misericordiosas de Deus”.

Motivação

“Bebês para o Céu” é uma iniciativa da Pastoral da Família da Arquidiocese de Quito, em conjunto com o Serviço Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses do Equador, explica uma nota da Arquidiocese da capital do país.

No Parque Santos Jardins de Santa Rosa, ao sul de Quito, os corpos desses pequenos que permaneceram vários anos no Departamento de Medicina Legal e Ciências Forenses da Polícia Nacional sem serem reconhecidos, receberam um sepultamento digno.

Já são 116 os bebês abortados entre a 10ª semana de gestação ou recém-nascidos, sepultados desde 2017. A nota lembra que naquele primeiro ano foram sepultados 51 bebês, 40 em 2018 e 25 em 2021.

O dom mais valioso desvalorizado

Dom Danilo afirmou que uma das dolorosas realidades do mundo de hoje é que “só se valorizam as coisas que são caras, que têm um grande preço econômico” e o que é de graça “fica em segundo plano”.

O Prelado destacou que essa tendência é algo muito sério, pois é Deus quem dá a vida que é o “dom mais valioso que temos” e vem cada vez mais sendo desvalorizada.

O Bispo frisou que agora se fala também em “direito de matar alguém”. Matar não só aos bebés no ventre materno, mas a todas as pessoas que “supostamente constituem um estorvo à sociedade”.

A vida de um inocente

“A vida”, lamentou Dom Danilo, “principalmente a vida de um ser inocente, indefeso, tornou-se algo negociável, não é mais considerada sagrada”.

Então, ele pediu a Deus que, neste confronto com a realidade atual, “recuperemos aquele sentido inviolável da vida humana, ainda mais se for uma vida humana inocente e indefesa”.

“Aquela vida humana que não tem voz para reclamar, que não tem presença a ser notada e que exige pessoas com grande coração, com profundo sentido de dignidade, que façam valer os seus direitos, que façam valer o dom extraordinário que receberam tendo sido chamado à existência “.

Dom Echeverría pediu a Deus que movesse o coração dos cidadãos para compreender que “a vida humana é sagrada, que nenhuma pessoa pode ser violada”, especialmente se for um ser inocente.

Da mesma forma, pediu à Virgem Maria e a São José que ajudassem a cuidar da vida inocente, pois “souberam cuidar da vida de seu Filho quando viram que Ele estava sendo perseguido por Herodes”, e a comover os fiéis a enfrentar dificuldades, como o fizeram, “para defender a vida, desde que a vida seja reconhecida pelo que é, um bem inviolável, um bem sagrado, um bem intangível”.

Projeto ‘Bebês para o céu’

Em declarações ao ACI Prensa, a coordenadora do Projeto “Bebês para o Céu”, Amparo Medina, informou que esta iniciativa nasceu em 2017, quando recém-nascidos afogados foram encontrados em um parque, em Quito.

A coordenadora informou que quando procurou as autoridades do Instituto de Criminologia para pedir os restos mortais dos bebês, foi informada de que havia “mais de 90 restos” congelados e pediram ajuda para enterrar esses bebês.

Em coordenação com o então Arcebispo de Quito, Dom Fausto Trávez, e o responsável e coordenador dos projetos de Pastoral da Família, Dom Echeverría, fizeram um acordo interinstitucional entre a criminalística, o Ministério Público, a Arquidiocese de Quito e os Camposanto Santa Rosa.

Amparo Medina informou que embora não se saiba se todas as crianças sepultadas pelo projeto são vítimas de aborto, sabe-se que todos os recém-nascidos encontrados são “bebês abandonados vivos e que morreram no abandono”.

Enterro cristão

Medina disse que o Projeto “Bebês para o Céu” procura destacar a importância de dar a esses bebês um enterro cristão ”e quer mostrar que esses pequeninos não são coisas, não são objetos”, são crianças que merecem “amor e respeito, como qualquer outra pessoa”.

As pessoas têm que perceber que “quando um bebê perde a vida no ventre da mãe, ainda é uma criança, ainda é um bebê, ainda é uma pessoa e merece o mesmo tratamento digno que qualquer outro ser humano”, acrescentou. 

Fontes: Gaudium Press e Vatican News

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