Bispos espanhóis apelam por cuidados paliativos em vez de eutanásia e suicídio assistido

Propor uma lei para colocar nas mãos de outros, especialmente dos médicos, o poder de tirar a vida dos enfermos, não faz sentido’, afirmaram os prelados em comunicado

Em resposta a um projeto de lei referente ao suicídio assistido, que poderá em breve ser aprovado na Espanha, a conferência dos bispos espanhóis propôs a criação de uma lei de cuidados paliativos, afirmando que “não há pacientes que não possam ser tratados, mesmo que sejam incuráveis”.

“É uma má notícia, porque a vida humana não é um bem de que qualquer pessoa possa se livrar”, disseram os bispos, numa nota publicada na segunda-feira, 14, a respeito do projeto de lei para oferecer ampla proteção jurídica a algumas formas de eutanásia e suicídio assistido, agora em debate na legislatura espanhola.

O comunicado destacou que “insistir no direito à eutanásia é típico de uma visão individualista e reducionista do ser humano” e de um conceito de “liberdade sem relação com a responsabilidade”.

Os defensores da eutanásia querem “uma autonomia individual radical” e, ao mesmo tempo, “apelam a uma intervenção ‘compassiva’ da sociedade por meio da medicina, decorrente de uma antropologia inconsistente”.

“Por um lado, nega-se a dimensão social do ser humano, ‘dizendo que a minha vida é minha e só minha e eu próprio posso tomá-la por mim mesmo’ e, por outro, responsabiliza-se os outros, a sociedade organizada, de legitimar a decisão, ou apropriando-se da decisão para si mesma ‘a fim de eliminar o sofrimento ou a sua falta de sentido, encerrando assim a vida da pessoa’”, disseram os bispos.

“A epidemia que continuamos a sofrer nos fez perceber que somos responsáveis ​​uns pelos outros e relativizou as propostas de autonomia individualista”.

“Há muitos pacientes morrendo sozinhos e a situação dos idosos nos desafia”, disseram os bispos, acrescentando que, durante a pandemia, “a sociedade espanhola aplaudiu sua dedicação e pediu um maior apoio ao sistema de saúde, a fim de aumentar o nível de atendimento para que ‘ninguém seja deixado para trás’”.

Eles enfatizaram que “a legalização das formas de suicídio assistido” não ajudará na tentativa de persuadir aqueles que são tentados a cometer suicídio de que “a morte não é a solução correta de seus problemas”.

Os bispos ressaltaram que a lei, que deve ser pautada por critérios éticos, “não pode propor a morte como solução de problemas”, porque “curar pertence à Medicina, mas também prestar assistência e socorro e, principalmente, consolo ao fim da vida”.

“Os cuidados paliativos”, disseram, “visam a levar humanidade ao processo de morrer e a acompanhar a pessoa até o fim”. A conferência dos bispos defendeu “uma legislação apropriada sobre cuidados paliativos, que responda às necessidades atuais que não estão sendo plenamente atendidas”.

“A fragilidade da vida que vivemos neste momento constitui uma oportunidade para refletir sobre o sentido da existência, o cuidado fraterno e o significado do sofrimento e da morte”, afirmaram.

“Propor uma lei para colocar nas mãos de outros, especialmente dos médicos, o poder de tirar a vida dos enfermos, não faz sentido”, disseram os bispos.

“Dizer sim à dignidade da pessoa, ainda mais nos momentos mais indefesos e de maior fragilidade, obriga-nos a nos opor a esta lei que, em nome de uma suposta morte digna, nega a dignidade de cada vida humana desde suas raízes”.

Fonte: CNA – Catholic World Report

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