Cáritas Internacional e Santa Sé pressionam ONU para promover maior justiça alimentar

Evento promovido em Roma chama a atenção para o direito dos pobres e o apoio que deve ser dado aos produtores locais de alimentos para erradicar a fome mundial

foto: Caritas Internacional

A confederação internacional da Cáritas desafiou a Organização das Nações Unidas (ONU) a promover uma maior justiça alimentar, com valorização das “mulheres e agricultores locais”, numa mensagem dirigida à pré-cúpula sobre Sistemas Alimentares, realizada em Roma na semana passada.

“A agricultura industrial não é o único caminho para a justiça alimentar”, assinala a Caritas Internationalis em comunicado, pedindo uma discussão mais justa sobre o sistema alimentar.

Exortação

A organização católica intervém publicamente para pressionar os participantes do evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

A Cáritas exorta os responsáveis internacionais a “incluir os direitos dos pobres em todas as discussões e a garantir a participação significativa de produtores e consumidores locais, especialmente mulheres”.

O encontro em Roma prepara a chamada Cúpula dos Sistemas Alimentares, que vai ser realizada em setembro, na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos.

O comunicado da Caritas Internationalis diz que estes eventos devem promover uma “transformação duradoura dos sistemas alimentares”, algo “ainda mais necessário” num momento em que a pandemia de COVID-19 agravou “as desigualdades preexistentes no acesso aos alimentos”.

“Prevê-se que vários milhões de pessoas sofram de insegurança alimentar e desnutrição nos próximos meses e anos”, adverte a organização católica de solidariedade e ação humanitária.

Direitos básicos

Falando do acesso aos alimentos como “direito humano básico”, a confederação internacional da Cáritas mostra-se convencida de que “a segurança alimentar não pode ser garantida e os sistemas alimentares não podem ser transformados apenas promovendo a agricultura industrial, que a longo prazo só contribuirá para excluir mais pessoas da cadeia de abastecimento”.

Com base em décadas de experiência com as comunidades mais pobres, a Cáritas defende “a promoção da agricultura tradicional de base comunitária, a agroecologia, uma revisão da cadeia de abastecimento em favor dos mercados locais e promoção do consumo responsável de alimentos”.

As organizações da Cáritas questionam “soluções tecnocráticas” para problemas como a mudança climática, a degradação ambiental e o desperdício de alimentos.

A pré-cúpula de Roma reúne agricultores, empresas, povos indígenas, sociedade civil e líderes políticos mundiais.

Posição da Igreja

A chefe da delegação da Santa Sé, Irmã Alessandra Smerilli, advertiu que 70% dos lucros do comércio global de produtos agrícolas estão concentrados nas mãos de poucas empresas, algo que impede “uma verdadeira transição para a agroecologia e sistemas alimentares sustentáveis”.

Na mensagem que enviou ao encontro, o Papa Francisco disse que a fome no mundo é um “escândalo” e um “crime” contra os direitos humanos.

A crise provocada pela pandemia pode vir a mergulhar mais 132 milhões de pessoas na desnutrição.

“É necessário transformar as palavras em ações incisivas e frutíferas para erradicar a fome, de modo a obter uma colheita abundante de solidariedade e justiça”, manifestou Dom Fernando Chica Arellano, representante da Santa Sé na FAO e no Programa Mundial de Alimentos.

Fonte: Agência Ecclesia

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