Jogos de Paris 2024 terão um delegado episcopal

Francisco reconhece a Olimpíada como uma “esperança” durante a pandemia e vê no esporte um sinal da fraternidade universal entre os povos. A fim de promovê-lo ainda mais, nomeou um delegado episcopal para os Jogos Olímpicos Paris 2024

foto: Diocese de Lyon

Os 32º Jogos Olímpicos continuam na capital japonesa até domingo, dia 8. Devido à atual pandemia, os atletas estão competindo em estádios quase vazios e diante de poucos espectadores.

As esperanças são grandes de que as coisas voltem ao normal a tempo para os próximos Jogos de Verão, que acontecerão em 2024, em Paris. Pensando nisso e também em como aproximar ainda mais a Igreja do esporte, a Santa Sé já nomeou um delegado para o evento global: ele é o bispo francês Dom Emmanuel Gobilliard.

O Bispo Auxiliar de Lyon, de 53 anos, conhecido como um ávido esportista, aceitou o desafio e, em uma breve entrevista, compartilha como vê a presença da Igreja em Paris 2024.

Como o senhor foi nomeado para este cargo?

Fui nomeado pela Santa Sé, que me contatou por meio da Conferência Episcopal da França (CEF). Por que eu? Como acho que os bispos sabem, sou o único que é membro de um clube esportivo. Além disso, é verdade que também tenho uma longa experiência no tênis, futebol e judô.

Em 2018, quando participava do Sínodo para a Juventude, organizei um torneio de futebol entre os jovens e os bispos. Todo mundo deve ter percebido que adoro esportes! Não sou o único, porém, que recebeu uma missão para os Jogos Olímpicos de 2024.

Dom Philippe Marsset [Bispo Auxiliar de Paris] será, por exemplo, o responsável por toda a dimensão pastoral do evento. E Dom Luc Ravel [Arcebispo de Estrasburgo] será o responsável pelas federações esportivas. Somos uma pequena equipe de bispos, formada para a ocasião.

Em que consistirá a sua missão?

Minha função é conectar as pessoas entre si, para garantir que Paris 2024 alcance a todos pessoalmente.

É importante mostrar, hoje, que a Igreja se interessa pelo esporte, que estamos em contato com a sociedade, sobretudo porque a Igreja está historicamente presente neste meio por intermédio de clubes desportivos, muitas vezes fundados por padres e religiosos. Pierre de Coubertin, o idealizador dos Jogos Olímpicos, era católico.

Hoje, as federações esportivas na França representam dezenas de milhares de pessoas, muitas delas jovens. Queremos mostrar que a Igreja se junta a elas neste evento. Os Jogos Olímpicos também levantam a questão do diálogo inter-religioso, e a Igreja Católica está na vanguarda nessa área.

Quando países com diferentes tradições religiosas se encontram, ter o conhecimento do culto e de como cada um vive a sua fé é muito importante a fim de se evitar conflitos. Assim, em campo, possíveis problemas religiosos serão resolvidos por meio do diálogo inter-religioso. Terei esse papel de fazer a ligação, caso surjam dificuldades.

Quais valores esportivos são mais importantes para o senhor como sacerdote e como cristão?

A fraternidade é obviamente muito importante. Então eu acrescentaria vulnerabilidade e deficiência, que são duas dimensões realmente levadas em conta no esporte e que podem até, às vezes, se tornar um ponto forte.

Há alguns anos, sofri um acidente gravíssimo que me obrigou a ficar muito tempo em uma cadeira de rodas. Eles [os médicos] até consideraram amputar minha perna esquerda. Eu estava muito em contato com a Handisport [organização para atletas em cadeiras de rodas] na época.

Acho ótimo, hoje, ver que o esporte pode permitir que as pessoas com deficiência se expressem. Na verdade, há um certo realismo no esporte: você é o que é, não pode trapacear ou mentir. Eu nunca poderia dizer que sou um campeão de futebol!

Por fim, vejo que existe uma dimensão competitiva em cada ser humano e que expressá-la no esporte evita expressá-la em outro lugar. Acho que a Igreja tem seu lugar nessas questões.

Que iniciativas o senhor pretende colocar em prática até Paris 2024?

Em primeiro lugar, teremos um primeiro encontro de trabalho com Dom Philippe Marsset no dia 5 de outubro. Vamos, contudo, avançar lentamente: estamos apenas em 2021! Precisamos entender quais necessidades existem e o que se espera de nós.

Uma coisa é certa: gostaria de aproveitar este evento para destacar iniciativas e pessoas generosas que têm investido no esporte. Gostaria de destacar aqueles que estão envolvidos no serviço aos jovens, para falar de iniciativas que estão em pleno desenvolvimento, como patrocínios, por exemplo.

Além disso, não estarei muito presente no local, pois estarei lá previamente, para fazer deste encontro um evento de comunicação. Existem atletas que são discretamente cristãos… e é importante destacá-los, para mostrar que é possível ser cristão e atleta!

Destaque-se que, por muito tempo, associamos os projetos da Igreja a algo que não é divertido. Os alunos preferem professores de ginástica ao seu catequista, por exemplo.

Os jovens precisam ter experiências fraternas e estimulantes que não sejam contraditórias com a prática esportiva. Deste ponto de vista, a Igreja tem algo a lhes oferecer!

Fonte: La Croix International

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