Líderes católicos discutem problemas na fronteira EUA-México

Encontro “Ouvindo na Fronteira” foi promovido pelo Ministério Social Católico

Líderes católicos discutem problemas na fronteira EUA-México
Migrantes que sobrevivem na fronteira dos dois países lutam diariamente para sobreviver (Unicef Mexico)

Antes de conhecer uma família de imigrantes, a Irmã Horan, da Congregação da Providência de St. Mary-of-the-Woods, ainda como estudante no ensino médio, defendia a construção de um muro na fronteira EUA-México, mas percebeu, com o tempo que isso não era o melhor a ser feito. Hoje, ela é diretora associada de educação e advocacia da Kino Border Initiative em Nogales, no Arizona, nos Estados Unidos, e do outro lado da fronteira em Nogales, no estado mexicano de Sonora.

Irmã Horan foi uma das palestrantes de uma sessão plenária, em 31 de janeiro, durante o Encontro do Ministério Social Católico, “Ouvindo na Fronteira”.

“Vi em primeira mão tantas histórias de irmãos e irmãs”, disse o Cardeal Álvaro Ramazzini Imeri, de Huehuetenango, Guatemala, outro palestrante. “Histórias de sucesso e fracassos. Histórias de dor e tristeza.”

De suas conversas com aspirantes a imigrantes atualmente presos no lado mexicano da fronteira, a Irmã Horan disse: “eles não sentem que pertencem aos lugares de onde vêm, não sentem que pertencem a Nogales e sentem que não pertencem aos Estados Unidos.”

Enquanto isso, eles têm a sensação de que “parece que todos estão entrando”, acrescentou a Irmã Horan,. “Mas eles não deixam que isso seja uma desculpa para desistir… Os migrantes expressam muita esperança.”

O padre franciscano capuchinho David Couturier, psicólogo e psicoterapeuta de formação, recordou a postura do ex-presidente Donald Trump em relação aos migrantes: “O que Donald Trump dizia sobre as crianças migrantes era um ataque ao seu desenvolvimento e dava às pessoas um novo modelo de como a infância deveria ser”, recordou lembrando que o ex-chefe da Casa Branca usava palavras como “doente”, “perigo” e “terror”.

ACOLHIDA

De acordo com o Cardeal Ramazzini, “o dever de advogar – em certo sentido, proteger e acompanhar os migrantes – encontra seu fundamento nas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo – em Mateus 25: 35-40 – sobre convidar o estrangeiro, ou acolher o migrante”.

“Isso garante que eu possa ouvir as palavras do Senhor”, disse o cardeal.

Ouvir as palavras do Papa Francisco também é valioso, segundo o Cardeal. “O Santo Padre falou de estratégia, combinada com ação ousada, acolher os migrantes, protegê-los e promovê-los”, disse. “Esta é uma estratégia para todos os crentes em Cristo, católicos ou não católicos: acolher”.

Irmã Horan, que cresceu em Indianápolis, disse: “Sabemos que existem famílias migrantes por toda parte”. Depois de seu episódio do ensino médio sobre a construção de muros, ela se tornou uma organizadora da comunidade e descobriu que “na mesma rua onde cresci havia uma comunidade de imigrantes”.

Irmã Horan complementou: “Temos várias paróquias e escolas nos Estados Unidos que decidiram adotar uma família. Uma vez que você está em um relacionamento, você começa a fazer perguntas: ‘Por que essa família não pode entrar?’ ” Leva a perguntar também: “Que diferença posso fazer?” ela disse.

Ela contou quando havia várias famílias de imigrantes que queriam se aproximar de um porto de entrada e pedir asilo. Ela convidou os americanos a acompanhá-los em uma marcha para solicitar asilo na fronteira.

“Os Estados Unidos acabaram rejeitando todas as 25 famílias, mas essas pessoas (americanas) voltaram para suas comunidades e começaram a advogar”, disse a Irmã Horan, que entrou em sua ordem religiosa em 2014.

EM BUSCA DE AÇÕES CONCRETAS

O primeiro passo para a advocacia é “apenas conversar com as pessoas ao nosso redor. Todos nós temos amigos, familiares, colegas com quem trabalhamos”, disse ela, e ao conversar com eles, alguém ficaria “surpreso com quanta confusão existe ” sobre a política de imigração e as realidades dos imigrantes.

O Cardeal Ramazzini afirmou que os apelos devem ser feitos à consciência dos líderes empresariais que se envolvem em práticas de exploração. Na Guatemala, recordou, os trabalhadores das plantações de banana ou café ou da mineração de ouro e prata são explorados, mas os altos executivos, eles próprios guatemaltecos, são principalmente católicos.

Dado que muitas empresas guatemaltecas estão em parceria com empresas norte-americanas, os executivos norte-americanos “poderiam aplicar mais pressão para impressionar os horários éticos nos negócios guatemaltecos. E o governo dos Estados Unidos poderia continuar em sua luta contra a corrupção e a injustiça”, complementou.

Padre Couturier defendeu “uma política consistente que é desenvolvida como um compromisso legislativo não sujeito a mudanças radicais cada vez que um novo presidente chega. Não podemos deixar os imigrantes sujeitos a esse tipo de instabilidade e volatilidade”.

Se alguém olhou, acrescentou o Padre Couturier, “permitimos que nossas comunidades fronteiriças se tornassem locais de desinvestimento… Eles se tornaram alguns dos lugares mais pobres dos Estados Unidos”.

Fonte: UCA News

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