Líderes religiosos se unem a cientistas e pedem seriedade no combate à mudança climática

Às vésperas da COP 26, membros das maiores religiões do mundo assinam apelo conjunto com o Papa Francisco, no Vaticano

Vatican Media

Quase 40 líderes representantes das maiores religiões do mundo se reuniram com cientistas no Vaticano para apresentar um apelo comum: que o mundo leve a sério o compromisso de zerar as emissões globais de carbono que provocam o aquecimento global. Liderado pelo Papa Francisco, o encontro “Fé e Ciência: Rumo à COP 26” foi organizado pelas embaixadas do Reino Unido e da Itália junto à Santa Sé, na segunda-feira, 4.

Entre os signatários do apelo estão líderes de diferentes tradições cristãs, além de muçulmanos sunitas e xiitas, judeus, hindus, sikh, budistas, confucionistas, taoístas, zoroastristas e jainistas.

Entre os mais conhecidos estavam o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, que é líder da Igreja Ortodoxa; o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, da Igreja Anglicana; e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmed al-Tayeb.

“Não existem fronteiras e barreiras culturais, políticas ou sociais que possam nos isolar”, afirmou o Papa Francisco em discurso entregue aos participantes do evento. “O encontro de hoje, que une tantas culturas e espiritualidades em um espírito de fraternidade, reforça a consciência de que somos membros da mesma família humana”, acrescentou. “Queremos nos empenhar para um futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade.”

Apelo comum

O documento conjunto foi elaborado ao longo de meses de diálogo entre líderes religiosos e cientistas neste ano, e pede, primeiro, que as autoridades internacionais cumpram o compromisso de zerar as emissões de carbono “o mais rápido possível”, para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais (dos anos 1750 a 1850).

Para que isso ocorra, se aponta no documento que é preciso que os países desenvolvidos assumam uma maior parte da responsabilidade, pois são os principais emissores de gases estufa, e apoiem os países mais vulneráveis a conter os efeitos do aquecimento global.

De acordo com a Santa Sé, o apelo pede que os governos também devem aumentar seus esforços de cooperação internacional para promover a transição energética rumo a energias mais limpas e um sistema financeiro responsável.

“Gerações do futuro nunca nos perdoarão se perdermos a oportunidade de proteger nossa casa comum. Herdamos um jardim: não podemos deixar um deserto para nossos filhos”, afirma o texto.

Rumo à COP 26

A expectativa dos participantes, ao assinar o documento conjunto é de ter algum impacto na conferência do clima das Nações Unidas de Glasgow, a COP 26, que será realizada entre 31 de outubro e 12 de novembro – na qual está previsto, inclusive, um discurso do Papa Francisco. O objetivo da COP 26 é acelerar as metas traçadas no Acordo de Paris, em 2015.

Além disso, os signatários manifestam a intenção de conscientizar os 84% da população mundial que se identificam como pessoas de fé.

Segundo o presidente da COP 26, o parlamentar britânico Alok Sharma, o apelo conjunto é “histórico”. Ele declarou que é preciso “ouvir todas as vozes daqueles mais afetados pelo aquecimento global. Espero que as pessoas de fé continuem sendo parte desse diálogo, conforme trabalhamos juntos para movimentar ações sobre o clima”.

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