
Enquanto milhões de pessoas acompanham os jogos do Mundial de 2026, no México há quem tenha decidido aproveitar o maior palco desportivo do planeta para lembrar uma realidade muito menos visível: o sério problema das pessoas desaparecidas no país.
Nas últimas semanas, além da disposição de sindicatos de professores e organizações de bairro, grupos de familiares de desaparecidos lançaram uma iniciativa intitulada Mundial pelos Desaparecidos, um conjunto de ações que procura levar a sua exigência de verdade e justiça a uma audiência global. Trata-se de uma oportunidade única para dar visibilidade a uma crise que consideram ignorada dentro e fora do país.
Entre esses grupos está ‘‘Fuerzas Unidas por Nuestros Desaparecidos y Desaparecidas en Nuevo León’’, organização formada por familiares que procuram os seus entes queridos há 15 anos.

‘‘O Mundial pelos Desaparecidos é um conjunto de ações que realizamos desde o mês passado, quando lançamos uma campanha em 11 idiomas com a pergunta que nos fazemos sempre: ‘Onde estão?’’’, explica Angélica Orozco, membro porta-voz do grupo.
O país vive há anos uma das maiores crises de desaparecimentos do mundo. Segundo dados oficiais, há mais de 133 mil pessoas desaparecidas e não localizadas. Para a sociedade, a persistência do problema tem uma explicação clara: a impunidade.
A gravidade da situação foi assinalada por organismos internacionais. O Comitê das Nações Unidas contra o Desaparecimento Forçado decidiu levar o caso mexicano à Assembleia Geral da ONU após concluir que existem ‘‘indícios fundados’’ de desaparecimentos forçados que podem equivaler a crimes contra a humanidade. O organismo também alertou para a existência de milhares de fossas clandestinas e dezenas de milhares de restos humanos por identificar.

A ativista denuncia que, enquanto as autoridades investem recursos para projetar uma imagem positiva do país, as famílias continuam a enfrentar deficiências estruturais na busca de seus entes queridos.
‘‘Queremos que o Estado olhe para as pessoas desaparecidas com a mesma atenção que dedica a este evento esportivo’’, afirma. ‘‘O Mundial é importante, mas mais importantes deveriam ser os seus cidadãos’’, conclui.
Fontes: Euronews e CNN Brasil




