O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos convida a rezar pelas vítimas e suas famílias e a transformar a memória da tragédia em um compromisso concreto com a paz e a reconciliação. No Brooklyn, uma exposição fotográfica leva à igreja os rostos dos desaparecidos.

“Enquanto os conflitos se intensificam em todo o mundo, renovamos nosso compromisso de sermos instrumentos da paz de Cristo em um mundo cada vez mais fragmentado e dividido. A construção da paz em nosso país e no mundo inteiro, uma missão que nos permite ser chamados de filhos de Deus, é o grande desafio do nosso tempo”. Foi o que escreveu o presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), Dom Paul S. Coakley, por ocasião do aniversário de 25 anos dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
Próximos às famílias das vítimas
“Naquele dia terrível e nas horas sombrias de medo e incerteza que se seguiram, devemos lembrar que nossa fé nos levantou e nos sustentou. Como nação, nos vimos voltados para Deus em oração e contemplando nossa fé com renovada intensidade e um senso de unidade”, continua o bispo, convidando os católicos “a se unirem em oração pelas vítimas que foram arrancadas da vida por atos de violência injustificável há 25 anos no World Trade Center, no Pentágono e na zona rural da Pensilvânia. De maneira especial, abraçamos com amor em oração as famílias e os amigos das vítimas, que ainda choram a perda irreparável de seus entes queridos ocorrida naquele dia. Lembramos também os socorristas e profissionais de emergência, muitos dos quais deram a vida em atos de coragem altruísta”.
A paz é um caminho
Dom Paul S. Coakley ressalta ainda que: “nosso Santo Padre, o Papa Leão XIV, nos diz que a paz é mais do que um simples objetivo; é uma presença e um caminho. Ele afirma que, mesmo nos lugares onde restam apenas escombros e o desespero parece inevitável, ainda encontramos pessoas que não esqueceram a paz” e acrescenta que: “enquanto rezamos pela cura contínua de nossa nação, pelas almas de todos aqueles que perderam a vida naquele dia e pelo consolo de suas famílias, imploramos ao Espírito Santo que nos transforme, cada vez mais, à imagem de Jesus, o Príncipe da Paz, e que, juntos, construamos uma civilização do amor e da fraternidade universal”.
A mensagem da Igreja Episcopal
Por ocasião da data, o Primaz da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Sean Rowe, escreve: “25 anos depois, ainda vivemos em um mundo moldado pelo 11 de setembro. Nosso luto por aqueles que perdemos e por aqueles que continuam sofrendo nunca terá fim, e nossa dor é particularmente intensa por ocasião deste aniversário histórico. Lamentamos também o fato de que, desde aquele dia de 2001”, continua o comunicado publicado pelo Episcopal News Service, “nossa vida em comunidade tenha sido distorcida pela divisão e pelo medo mútuo. Às vezes, parece que o abismo se tornou intransponível. No entanto”, conclui, “sabemos que existe um caminho melhor. Nós a vimos naquela época no testemunho extraordinário dos socorristas e, de maneira especial, no ministério heróico de assistência realizado em nossa Capela de São Paulo, na parte sul de Manhattan. Nós a vemos hoje em toda a nossa Igreja, por meio de inúmeros ministérios de reconciliação e construção da paz, e em nosso compromisso com a colaboração inter-religiosa com nossos irmãos e irmãs muçulmanos na fé”.
A exposição fotográfica


Para a ocasião, a Paróquia Most Holy Trinity – St Mary’s, em Williamsburg, no Brooklyn, recebe uma exposição singular, com curadoria de Sarah Celentano e Olena Speranska, do fotógrafo Phil Buehler. Na igreja estão expostas 144 fotos de pessoas desaparecidas, cujos rostos foram afixados nas ruas de Nova York após o atentado. A iniciativa se chama “Countenance: The 9/11 Missing Posters” e relembra os momentos de dor de tantas famílias que, por meio das fotos de seus entes queridos afixadas nas paredes da cidade, buscavam desesperadamente notícias na esperança de poder abraçá-los novamente.
O pároco, Padre Rick Riccioli, acolheu imediatamente o projeto, interpretando a exposição não apenas como uma mostra de arte, mas como um ato de memória, de solidariedade e de oração. “Trazer esses rostos para esta igreja é mais do que uma simples exposição de arte. É um ato de solidariedade, um ato de lembrança e, para nós, um ato de oração”, disse o sacerdote. A presença franciscana tem, além disso, uma ligação direta com o 11 de setembro: o Padre Mychal Judge, capelão do Corpo de Bombeiros de Nova York e uma das primeiras vítimas identificadas, era um frade franciscano.
Fonte: Vatican News




