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Santa Sé: guerras e clima extremo são letais para os sistemas alimentares globais

O observador permanente da Santa Sé junto à FAO, ao FIDA e ao PMA, Dom Fernando Chica Arellano, falando em Dushanbe, no Tadjiquistão, referiu-se ao magistério de Leão XIV: caminhar juntos em harmonia fraterna para construir uma segurança alimentar justa e acessível a todos.

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Reprodução

“É importante intensificar ações concretas que promovam com determinação a segurança alimentar num contexto global marcado por uma série de crises graves nos últimos anos. A soma de guerras, recessões econômicas, eventos climáticos extremos, instabilidade política e volatilidade de mercado criou uma combinação letal para os sistemas alimentares globais.”

Esta declaração foi feita pelo observador permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e ao Programa Mundial de Alimentos (PMA), Dom Fernando Chica Arellano, na 35ª sessão da Conferência Regional da FAO para a Europa, realizada nesta terça-feira, 12 de maio, em Dushanbe, Tadjiquistão.

Caminhar juntos

Recordando uma passagem fundamental do discurso do Papa Leão XIV, proferido em 16 de outubro de 2025 à FAO, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, Dom Chica Arellano enfatizou que “para combater essa tendência negativa, é indispensável fortalecer a convergência de políticas eficazes e a implementação coordenada e sinérgica de ações. A exortação a caminhar juntos, em harmonia fraterna, deve se tornar o princípio orientador das políticas e dos investimentos, pois somente por meio de uma cooperação sincera e constante será possível construir uma segurança alimentar justa e acessível a todos”. Para que isso aconteça, continuou ela, toda pessoa deve ter acesso “regular, permanente e livre a uma alimentação suficiente, segura, nutritiva e culturalmente adequada”. Daí a sugestão de que “o reconhecimento explícito nos quadros jurídicos internos dos países europeus que ainda não o incorporaram serviria de estímulo para a adoção de modelos alimentares que integrem a justiça social, a sustentabilidade ambiental e o respeito pela pessoa humana como princípios orientadores de toda a ação pública e privada. Isso também seria facilitado por uma maior promoção da resiliência dos nossos sistemas alimentares, colocando esta estratégia entre as prioridades mais urgentes do nosso tempo.”

Transformar a produção de alimentos

O observador permanente da Santa Sé enfatizou posteriormente: “Isso não significa produzir mais usando os mesmos métodos antigos para compensar as perdas, mas sim transformar a maneira como produzimos alimentos, afastando-nos completamente de uma visão baseada exclusivamente na exploração gananciosa dos recursos naturais e focando, em vez disso, no aumento do investimento nas áreas rurais mais desfavorecidas e esquecidas. Para isso, é preciso apoiar o setor agrícola com decisões econômicas e políticas sábias que garantam que os jovens se dediquem com entusiasmo à agricultura e não abandonem o campo desencorajados para migrar para as cidades.”

Cuidar do meio ambiente

Ao falar sobre a cadeia agroalimentar, Dom Chica Arellano esclareceu: “É indispensável que o cultivo da terra, a pecuária, a indústria de processamento de alimentos, os setores de distribuição e comércio e o consumo no varejo sejam guiados por uma lógica que priorize o cuidado do meio ambiente. Isso garante que os sistemas alimentares mantenham a dignidade da pessoa humana no centro, promovam o trabalho digno em nível local e atendam às necessidades alimentares atuais sem prejudicar o futuro. Essas ações nos levam a cumprir o mandato que Deus confiou aos seres humanos de cultivar e proteger a criação, colaborando em sua obra criadora.”

Medidas corajosas

Por fim, a Santa Sé “incentiva esta Conferência Regional a identificar medidas corajosas para empreender ações direcionadas ao combate das desigualdades existentes no setor primário, melhorando as condições de vida daqueles que ali trabalham e permitindo-lhes receber uma remuneração justa pelo seu trabalho diário, para garantir que nenhum ser humano fique sem o pão de cada dia.

Fonte: Vatican News

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