
O primeiro compromisso de Leão XIV foi o encontro com as autoridades francesas e representantes da sociedade civil, no Palácio do Eliseu, em Paris, na sexta-feira, 25. Recepcionado pelo presidente Emmanuel Macron, o Papa destacou o patrimônio cultural e religioso da França, exortou ao respeito à dignidade e à liberdade das pessoas, à vida e à justa laicidade. Sublinhou, ainda, a vocação do país em ser “uma artífice incansável da paz e do multilateralismo, especialmente no interior da nossa querida Europa”.

Ainda na sexta-feira, na capital francesa, o Papa foi à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Ele lembrou que o ser humano é alguém concebido e que merece todos os cuidados e afeto, devendo ter sua magnífica dignidade resguardada, especialmente em um mundo no qual se proliferam guerras – “a mais terrível das obras humanas”. O Santo Padre lembrou que a Unesco “encontra a síntese das suas elevadas tarefas educativas e científicas no trabalho paciente de construção da paz”.

Em um dos momentos mais marcantes desta viagem apostólica, 80 mil fiéis participaram da vigília de oração do Papa com os jovens, na sexta-feira, 25, no Stade de France, em Saint-Denis, na região metropolitana de Paris. Leão XIV lembrou que anunciar Cristo requer coragem e respeito ao Evangelho da salvação. Ele pediu aos jovens que mantenham o coração aberto perante os sofrimentos dos vossos amigos”, tendo a firme certeza de que “quem segue Jesus no caminho do serviço humilde e gratuito é liberto da angústia e reencontra um novo entusiasmo, experimentando alegria e paz interiores”, colocando-se sempre, “com confiança e cheios de alegria”, a serviço de Cristo. “Todos juntos, digamos: ‘Eis-me aqui, Senhor!’”

Bispos, padres, diáconos, seminaristas e religiosos lotaram a Catedral de Notre-Dame, em Paris, para a celebração das vésperas, presidida pelo Papa no fim da tarde do dia 25, no templo que há sete anos fora consumido pelas chamas, mas que teve sua restauração viabilizada com grande empenho de vários benfeitores. Leão XIV destacou que a Igreja é sempre chamada à missionariedade, mesmo diante das dificuldades: “A escassez de meios não impede a missão, pois é a graça de Deus que permite a liberdade interior e a sobriedade de vida, a fim de refletir o estilo evangélico”.

Na manhã do domingo, 27, em Lourdes, o Papa encontrou-se com os membros da Conferência Episcopal Francesa. Ele destacou as potencialidades da Igreja local, mas também falou sobre problemas, como o enfrentamento do “doloroso flagelo dos abusos contra menores cometidos por membros do clero ou no contexto eclesial” (no mesmo dia, encontrou-se com sete vítimas) e o “triste declínio” das vocações à vida consagrada. Ele exortou a que enfrentem os desafios com coragem, audácia e criatividade missionária: “Não se deixem desanimar pelos erros, pelas incoerências e nem sequer pelas quedas que marcaram a história deste Povo a caminho. Tenham sempre a coragem de reconhecer os erros com o amor à Verdade, e a determinação de tratar das feridas com a caridade do Bom Pastor”.

No sábado, 26, o Papa esteve no centro de acompanhamento e integração Maison Bakhita, um projeto da Arquidiocese de Paris, administrado pelas Irmãs Scalabrinianas, com trabalhos em prol de migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. “O Cristo pobre e crucificado deixa-se encontrar e amar nos homens e nas mulheres que nos chamam a sair de nós mesmos e a ousar a caridade”, declarou.

Outro momento marcante da viagem ocorreu na tarde do sábado, 26, quando Leão XIV presidiu missa na Praça da Concórdia. No translado no papamóvel, encontrou-se com a multidão de 800 mil fiéis pelas ruas da capital francesa. Na homilia, o Santo Padre convidou os fiéis a reconhecerem a sede mais profunda que habita o coração humano e a buscarem em Cristo a verdadeira fonte da vida. “Com o Batismo, recebemos a água viva de que fala o Evangelho, mas será que, na verdade, encontramos pessoalmente Cristo? Na sua essência, o ser humano é um ser que ‘deseja’ e só Deus pode preencher este vazio interior”.

Em Lourdes, os fiéis acompanharam o Papa em três ocasiões marcantes de fé: na noite do sábado, 26, em sua peregrinação à Gruta das Aparições de Massabielle, quando Leão XIV rezou silenciosamente diante da estátua da Virgem Maria e, depois, conduziu uma oração mariana com os fiéis. Na manhã do domingo, 27, presidiu missa no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes: “Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz”, afirmou na homilia. Ainda no domingo, participou da procissão luminosa e da récita do Santo Rosário (foto) e deixou uma mensagem de esperança aos enfermos: “Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós”.

Ainda no sábado, em Paris, o Papa encontrou-se com os membros da Assembleia Sinodal Provincial, os catecúmenos e os neófitos. Ele revelou ter ficado surpreso com “o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade de adultos que solicitam os sacramentos da Iniciação Cristã”, mesmo diante de uma cultura francesa tão secularizada. Alertou, porém, que não basta haver aumento de batizados: os que recebem os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã devem se comprometer a ações pastorais concretas e ser introduzidos à vida litúrgica da Igreja.

Também em Lourdes, no domingo, 27, Leão XIV esteve no Accueil Notre-Dame, uma estrutura no santuário mariano para a acolhida e assistência a peregrinos enfermos ou com deficiência. Ele sublinhou que a vida humana é inviolável: “Sei que, para alguns de vós, devido a determinadas doenças e a dores por vezes terríveis, o horizonte pode parecer sombrio, incerto, sem saída. Mas nenhuma lei humana deve levar-vos a perder a certeza da vossa dignidade. Pelo contrário, é precisamente em nome desta dignidade inalienável da pessoa humana que a tentação de tirar a vida sob o pretexto de uma falsa compaixão deve ser firmemente rejeitada. Não é possível aceitar como algo normal tirar a vida. O que é legal não é necessariamente moral”.

No último dia da viagem apostólica, na segunda-feira, 28, o Papa esteve em Metz, onde participou de um encontro inter-religioso (foto) no Centro de Congressos Robert Schuman e sublinhou que o discurso religioso “deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras”. No mesmo local, palestrou no encontro “Nas raízes da Europa pela paz e unidade”, em que pediu que haja “coragem nas negociações” e “esforços criativos para promover a paz mundial” e não apenas para “conter a hemorragia da guerra”.

A missa na Catedral de Santo Estêvão, em Metz, na tarde da segunda-feira, 28, foi o último compromisso da viagem apostólica. O Papa lembrou que na cidade que “nunca deixou de ser um ponto de encontro de povos e que foi uma fronteira dolorosa na Europa, a promessa de Deus ressoa hoje com uma força singular”. Ao final da celebração, agradeceu a acolhida que recebeu nos quatro dias de visita à França e exortou: “Continuemos a caminhar juntos, unidos na Santa Mãe Igreja, para a glória de Deus e para o serviço do seu Reino de amor, justiça e paz. Muito obrigado!”
(Com informações de Vatican News)



