Magistério da Igreja acompanha o desenvolvimento da comunicação social

No domingo, 24, Solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja também comemora o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Celebrado pela primeira vez em 6 de maio de 1967, essa data foi instituída por São Paulo VI como fruto do Concílio Vaticano II, que, por meio do decreto Inter mirifica, determinou que, para reforçar o apostolado da Igreja por intermédio dos meios de comunicação social, em cada diocese fosse celebrado, anualmente, “um dia dedicado a ensinar aos fiéis seus deveres no que diz respeito aos meios de comunicação”.

Desde a primeira edição da comemoração, o Pontífice escreve uma mensagem a respeito de um tema específico, publicada com antecedência, no dia 24 de janeiro, memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas.

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SÃO PAULO VI

Em 1967, o tema da primeira mensagem de São Paulo VI para a data foi justamente os meios de comunicação social. Na ocasião, o Pontífice reconheceu que graças a “essas maravilhosas técnicas, a convivência humana assumiu dimensões novas”.

Paulo VI acompanha, pela televisão, a transmissão da viagem espacial para a Lua, em 1969

Ao mesmo tempo, enfatizou que tais meios influenciam a opinião pública e, consequentemente, o modo de pensar e agir de cada indivíduo e dos grupos sociais. O Papa exaltou, ainda, o “nobre serviço” desempenhado pelos agentes desse campo e  lembrou-os da responsabilidade que possuem como “intermediários, mestres e guias, entre a verdade e o público, as realidades do mundo exterior e a intimidade das consciências”.

ATUALIDADE DOS TEMAS

Nos anos seguintes, as mensagens abordaram a temática das comunicações em relação a diversos âmbitos da vida humana e o contexto vivido na época, tais como a família, a juventude, a unidade, o compromisso com a verdade, a promoção dos valores espirituais, a evangelização no mundo contemporâneo, direitos fundamentais do ser humano.

Em algumas mensagens, o Papa chamou a atenção para a responsabilidade e riscos de certas práticas comunicativas, como em 1977, quando abordou o tema da publicidade. Já em 1978, sua última mensagem refletiu sobre as expectativas, direitos e deveres dos receptores da comunicação social.

SÃO JOÃO PAULO II

Nesses mais de 50 anos, São João Paulo II, devido ao seu longo pontificado, foi o Papa que mais escreveu mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: 27.

Na primeira delas, de 1979, o Santo Padre refletiu sobre as comunicações sociais para a defesa e o desenvolvimento da infância na família e na sociedade, tema que havia sido escolhido por seu antecessor, que falecera em agosto do ano anterior.

O Papa polonês também tratou de temas como a liberdade responsável do ser humano, a promoção da paz e da justiça, o encontro entre fé e cultura, formação cristã, a opinião pública, solidariedade entre os povos e os meios de comunicação de massa.

Em 2001, São João Paulo II enviou pela primeira vez um documento via e-mail

INTERNET

Na última década do século XX, as novas tecnologias começaram a ser destaque nas mensagens. Em 1990, São João Paulo II escreveu sobre “A mensagem cristã na cultura informática atual”, quando discorreu sobre os “sistemas computadorizados de participação” e destacou como os métodos de comunicação agilizada e o acesso imediato à informação permitem à Igreja aprofundar o diálogo com o mundo contemporâneo.

Em 2002, quando o acesso doméstico à rede mundial começava a se popularizar, o mesmo Pontífice reforçou a ideia de que a internet era como o foro romano, um “lugar público em que se decidia sobre política e o comércio, onde se cumpriam os deveres, onde se desenrolava uma boa parte da vida social da cidade e se expunham os melhores e os piores aspectos da natureza humana”.

Já em 1990, na Encíclica Redemptoris missio, o Papa Wojtyla utilizou analogia semelhante, quando se referiu aos “modernos areópagos” para falar dessas novas plataformas.

BENTO XVI

Nas oito mensagens que o Papa Bento XVI escreveu para a data, ele também deu bastante ênfase às novas tecnologias. Já na primeira delas, em 2006, ele abordou a mídia como rede de comunicação, comunhão e cooperação.

Em 2009, o Pontífice destacou as novas relações e a promoção de uma cultura de respeito, diálogo e amizade. No ano seguinte, durante a celebração do Ano Sacerdotal, convidou os padres a refletirem sobre a “pastoral no mundo digital”.

Foi em 2011, contudo, que o Papa emérito aprofundou a reflexão sobre a “verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital” e afirmou que nas redes sociais, a comunicação não se dá apenas pela troca de dados, “mas também e cada vez mais uma partilha”.

Bento XVI foi o primeiro Papa a ingressar no Twitter, em 2012

REDES SOCIAIS

Dirigindo-se especialmente aos jovens, Bento XVI recordou que a presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, desde que sejam evitados seus perigos, como “refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual”.

“Redes sociais, portais da verdade e de fé; novos espaços de evangelização” foi o tema da última mensagem de Bento XVI para a data, em 2013. Ele salientou que “se a Boa-Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial”.

FRANCISCO

Em sua primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2014, o Papa Francisco refletiu sobre a “Comunicação a serviço de uma verdadeira cultura do encontro”. Ele chamou a atenção para o fato de a velocidade da informação superar a capacidade de reflexão e discernimento, e não permitir uma expressão equilibrada e correta de si mesmo.

“O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa, pelas mais diversas razões, que não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluída”, afirmou o Pontífice, ressaltando que as redes sociais são um dos lugares nos quais se podem “redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo”.

Papa Francisco participa de videoconferência com estudantes, em 2015

FAKE NEWS

Em 2018, Francisco deu destaque para o perigo da disseminação de notícias falsas, as fake news. Ele as definiu como algo “diabólico”, fazendo referência à mentira dita pela serpente a Adão e Eva no contexto do pecado original.

O Papa indicou como antídoto para o “vírus da falsidade” a purificação pela verdade e propõe um “jornalismo de paz”, que seja “hostil às falsidades” e empenhado com a verdade. 

Em 2019, o Pontífice provocou uma reflexão sobre a importância da comunidade humana nas redes sociais a partir da metáfora do corpo de Cristo e recorda as palavras de São Paulo: “Somos membros uns dos outros”.

Ele alertou que a rede deve ser entendida como um “prolongamento ou expectação” do encontro humano, sendo um  “recurso para a comunhão”.

NARRATIVAS

Neste ano, o Papa Francisco escolheu como tema “‘Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10,2)’. A vida se faz história”, na qual reflete sobre a narração, ressaltando que, para que as pessoas não se percam, é preciso respirar a verdade das histórias boas. “Histórias que edifiquem, e não as que destroem; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos”, afirma.

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Graduado em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção; tem pós-graduação em Jornalismo Multimídia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo Digital e gestão de mídias digitais.

É repórter do jornal O SÃO PAULO e professor no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL).

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