Principais documentos da Igreja sobre comunicação

Em 1963, o Concílio Vaticano II aprovou o Decreto Inter Mirifica, primeiro documento conciliar que trata do tema das comunicações sociais

Ao longo dos séculos, foram muitos os documentos pontifícios e pastorais que destacam o tema das comunicações. Embora os mais conhecidos sejam os que tratam dos modernos meios, a Igreja sempre se pronunciou a respeito da importância e do bom uso dos meios de comunicação. Confira os principais:

Inter multiplices – Papa Inocêncio VIII (1487). Bula dirigida aos bispos alemães, o texto fala sobre o entusiasmo da “invenção providencial” da prensa de Gutemberg (1439) e dava algumas orientações quanto ao cuidado pastoral dos bispos em relação ao conteúdo publicado.

Vigilanti cura – Papa Pio XI (1936). Encíclica que fala sobre o cinema, sendo considerado o primeiro documento pontifício que trata dos modernos meios de comunicação além da imprensa. Não se limita a tratar dos perigos trazidos por esse meio, mas ressalta os valores e oportunidades que podem ser oferecidos por este moderno meio de comunicação.

Miranda prorsus – Papa Pio XII (1957). Encíclica que desenvolve o pensamento da Igreja sobre os “meios eletrônicos”: cinema, rádio e televisão. Mostra também uma análise positiva, os potenciais e exigências pastorais que deles derivam. 

Inter mirifica – Concílio Vaticano II (1963). É o primeiro documento de um concílio exclusivamente sobre o tema, este decreto foi o primeiro texto da época a adotar a expressão “comunicação social”, recordando que esta deve ser considerada um processo entre seres humanos. Aborda, ainda, temas como o direito à informação, a opinião pública, a escolha livre, pessoal e responsável no lugar da censura.  

Communio et progressio – (1971). Essa instrução pastoral foi elaborada pela comissão pontifícia instituída em 1964 por São Paulo VI para atender a uma disposição do Concílio, expressa no Decreto Inter mirifica. Fruto de um longo trabalho de cooperação internacional, este documento apresenta uma orientação para as atitudes que os cristãos devem tomar perante os meios de comunicação social. Apresenta uma fundamentação doutrinal, destacando Jesus como o comunicador perfeito e a Eucaristia como a comunicação que leva à comunhão. O texto destaca os meios de comunicação como fatores do progresso humano, além de aprofundar o tema do direito à informação, a liberdade de comunicação, oportunidades e obrigações, o papel das diferentes iniciativas católicas nesse campo e a sólida formação profissional de seus agentes.  

Central de controle do Vatican Media, antigo Centro Televisivo Vaticano, responsável pela captação de imagens e transmissões dos eventos do Papa e da Santa Sé

Aetatis novae – (1992). Instrução pastoral elaborada pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, 20 anos após a Communio et progressio, tem o objetivo de refletir sobre as consequências pastorais das modernas “revoluções tecnológicas”. Reforça a necessidade de uma pastoral com os profissionais dos meios de comunicação social que, frequentemente, são expostos a “pressões psicológicas e particulares dilemas éticos”. Como apêndice, apresenta elementos para um plano de pastoral para as comunicações sociais.

O Rápido Desenvolvimento – São João Paulo II (2005). Nesta carta apostólica, o Pontífice se dirige aos responsáveis pelos meios de comunicações sociais, recordando o caminho percorrido desde o decreto Inter mirifica até então. Ele ressalta a importância do discernimento evangélico e do compromisso missionário, fala sobre uma mudança de mentalidade e renovação pastoral, a relação da mídia com as grandes questões sociais e exorta a uma comunicação verídica e livre, que contribua para consolidar o progresso humano com a “força do Espírito Santo”. 

Há, ainda, outros documentos publicados pela Santa Sé para tratar de assuntos específicos, como:

LEIA TAMBÉM:
Magistério da Igreja acompanha o desenvolvimento da comunicação social
Dia Mundial das Comunicações Sociais: ‘É preciso respirar a verdade das histórias boas’

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Graduado em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção; tem pós-graduação em Jornalismo Multimídia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo Digital e gestão de mídias digitais.

É repórter do jornal O SÃO PAULO e professor no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL).

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