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Igreja Nossa Senhora do Monte Serrate: 460 anos de evangelização e presença de Deus na metrópole

Igreja Nossa Senhora do Monte Serrate: 460 anos de evangelização e presença de Deus na metrópole
Luciney Martins / O SÃO PAULO

A comunidade de fé que deu origem à Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate, localizada no Largo da Batata, em Pinheiros, completou 460 anos em setembro de 2020. A história da igreja e da criação da Paróquia misturam-se com aquela do bairro e até mesmo da cidade, pois foi a partir da construção de uma capelinha, em 1560, que a região começou a crescer.

No sábado, 3, às 12h, a comunidade de fiéis reuniu-se para celebrar a data, em uma missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e concelebrada pelo Padre Vandro Pisaneschi, Pároco.

“Este é um bairro em transformação. Queremos pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora do Monte Serrate, por todo o povo que mora aqui, todas as famílias, sem esquecer os pobres, os doentes. Que a presença da Igreja neste templo possa significar que
Deus está aqui, que a mãe de Jesus Cristo e de toda a humanidade está olhando por todos”, disse o Cardeal, no início da celebração.

História
Após a chegada dos padres jesuítas e a fundação do Pateo do Collegio, os missionários saíram para outras duas aldeias: Pinheiros e São Miguel Paulista. “A primeira capela, construída em 1560, foi dedicada a Nossa Senhora da Conceição dos Pinheiros. O termo ‘pinheiros’ deve-se ao nome do rio ou à presença de muitas árvores dessa espécie na região”, explicou, em entrevista ao O SÃO PAULO, Padre Vandro.

O texto “Pinheiros, as resiliências de um sítio urbano”, de Noemi Yolan Nagy Fritsch, publicado na revista eletrônica Labverde, da Universidade de São Paulo (USP), informa que “o núcleo oficial fundado aproveitou-se de uma organização territorial indígena preexistente, estabelecendo-se nas proximidades do rio Jerubatuba, na continuidade de uma aldeia indígena em uma plataforma elevada sobre a várzea inundável, onde a travessia do rio era facilitada devido ao estreitamento de suas margens, tornando-se um
trecho obrigatório de diversos caminhos que cruzavam a região, sejam de indígenas ou posteriormente de bandeirantes”.

Em 1640, quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, os monges do Mosteiro de São Bento, que já estava estabelecido no centro da cidade, assumiram os cuidados pastorais da capela e escolheram como padroeira Nossa Senhora do Monte Serrate, uma devoção que nascera na Espanha.

Projeto arquitetônico
A construção do templo, que desde a década de 1940 abriga a Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate, é um projeto do arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto, o mesmo responsável pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

O pedido para a construção foi feito pelo Padre Septímio Ramos Arante, que assumiu a Paróquia em 1943. O projeto nunca foi terminado. Detalhes decorativos e imagens sacras que ficariam em nichos do lado de fora, além da edificação de altares, por exemplo, não chegaram a acontecer.

Além da troca integral do telhado, que causava muitos transtornos para a comunidade, o Padre Vandro foi em busca da história da devoção de Nossa Senhora do Monte Serrate e trouxe da Espanha uma cópia da imagem original, que é feita por monges beneditinos e não se encontra em nenhuma igreja brasileira.

“Durante a Quaresma, resolvemos colocar esta imagem, trazida da Espanha, no lugar da que estava antes, e a recepção da comunidade foi muito positiva, ficando fixa no altar”, contou o Padre, que também instalou vitrais contando a história da Paróquia na porta principal da igreja.

Perspectivas
O bairro de Pinheiros, que nasceu em torno da pequena capela, cresceu muito. “A Paróquia teve muitos altos e baixos. Se olharmos para a região, aquela com mais pobres e problemas estruturais é esta.

Entretanto, muitos prédios comerciais e residenciais têm sido construídos no entorno e, provavelmente, em cinco ou seis anos, teremos aqui um bairro diferente”, explicou Padre Vandro.

Além da retomada da Catequese, das pastorais, da ampliação dos horários das celebrações, de reformas em diversos ambientes do templo, nos últimos meses, antes do início da pandemia, Padre Vandro e a comunidade vinham promovendo atividades culturais com apresentações musicais e artísticas. “Tivemos aqui a Orquestra do Clube Pinheiros e o coral e a orquestra Ouro Preto”, conta
o Pároco, que falou ainda sobre a confecção de um presépio que está sendo realizado por um artista mineiro: “A ideia é fazer algo como os presépios napolitanos, mas, no nosso caso, será um presépio paulistano, com muitas figuras e a narração, por meio delas, da história de São Paulo. Cenas da Catedral da Sé, da Avenida Paulista e outros símbolos da cidade farão parte do presépio”.

Memória Comunitária
Francisco Ryoiti Mariya, 76, nasceu em 1944 e passou toda a infância numa casa localizada a cem metros da igreja. “Meus pais sempre foram muito católicos e eu fui batizado na Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate. Ali recebi os sacramentos da Eucaristia e do Crisma e, também, me casei”, contou.

Igreja Nossa Senhora do Monte Serrate: 460 anos de evangelização e presença de Deus na metrópole
Luciney Martins / O SÃO PAULO

Membro da equipe de cantos, o paroquiano reforçou a importância das reformas para o retorno dos paroquianos. “O sistema de som era muito ruim e muitas pessoas, sobretudo idosas, deixaram de participar das missas porque reclamavam que não entendiam nada. Além disso, muitas vezes tivemos que cancelar ou interromper reuniões, porque o salão ficava alagado quando chovia. Com certeza, essas reformas vão impactar muito positivamente a todos”, afirmou Mariya.

Evelin Melo, 47, é membro da Pastoral da Comunicação (Pascom) e participa da comunidade há mais de um ano. Para ela, a Paróquia, além de ser um patrimônio para o bairro, é um refúgio espiritual não só para os moradores, mas também para quem trabalha ou passa por ali. “Há muita gente nova chegando, e são pessoas que querem efetivamente fazer parte, seja em alguma pastoral, seja participando dos cursos, que eram oferecidos antes da pandemia”, explicou Evelin.

Comunidade eucarística
Na homilia da missa de sábado, o Cardeal Scherer recordou a história do bairro e a presença da Igreja na região: “Quando se fala do início de São Paulo, sempre se pensa no Pateo do Collegio e, de fato, lá temos o início da referência da cidade. No entanto, tantos outros lugares são referenciais e um deles é aqui. Recordamos a Igreja como elemento agregador das comunidades. Entre as preocupações estava sempre a defesa dos indígenas, e, por isso, os aldeamentos, mas também a educação, a Igreja – uma igreja onde as pessoas pudessem rezar e fosse ensinada a Palavra de Deus, o Catecismo e a celebração da Eucaristia”.

(Colaborou: Jenniffer Silva)

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