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A Palavra de Deus: coração de toda a ação eclesial

O mês de setembro mobiliza nossas comunidades e paróquias em torno de iniciativas que promovem a proximidade, o conhecimento e a meditação da Palavra de Deus, bem como a leitura orante da Bíblia. Nesse espírito, vale a pena recordar as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032) que, no seu capítulo V, colocam a animação bíblica da pastoral como o primeiro entre os “Caminhos da Missão”. A passagem bíblica que introduz esse título diz: “Lâmpada para meus pés é a Tua Palavra, e luz para minhas veredas” (Sl 119,105). De fato, a Palavra de Deus ilumina, aquece, guia, fortalece, orienta, corrige, consola e sustenta cada fiel e a caminhada de toda a Igreja, quando acolhida como tal: “Agradecemos a Deus sem cessar, porque, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais.” (1Ts 2,13).

As Diretrizes, no no 105, ressaltam, a partir de Hb 1,1-2, que Jesus Cristo é Palavra eterna e definitiva do Pai para a humanidade e, portanto, a Igreja deve abrir os tesouros da Palavra para todos! Lembram, também, que, graças à redescoberta da importância das Sagradas Escrituras, deu-se uma renovação da vida eclesial nos âmbitos da liturgia, da catequese, da espiritualidade e da ação pastoral (cf. no 105), fazendo da Palavra de Deus o coração de toda a ação eclesial (cf. no 106). E ainda nos fazem refletir sobre a escuta, a celebração e o anúncio da Palavra como três movimentos que são fundamentais para a vida de fé. De fato, a Igreja existe para evangelizar, mas antes de anunciar o Evangelho, ela mesma se coloca como ouvinte atenta e serva da Palavra (cf. no 106).

Recordando “a centralidade da Palavra como fonte e critério de toda a evangelização” (no 107), as Diretrizes fazem um alerta importante: “A Animação Bíblica da Pastoral não é uma pastoral a mais, mas uma qualidade da Igreja”, que se deixa conduzir e iluminar pela Palavra em toda a sua ação evangelizadora, formando discípulos que, tendo acolhido o Evangelho, tornam-se missionários a anunciá-lo aos outros (cf. no 107 e 108). 

Iluminado e transformado pela Palavra acolhida no coração e na vida, o discípulo missionário adquire um novo olhar e torna-se capaz de novas escolhas que o despertam para os valores do Evangelho e o capacitam para exercer a solidariedade, a justiça e a proximidade com os irmãos e irmãs, especialmente os mais pobres, os quais têm o direito de receber o anúncio do Querigma (anúncio fundamental do Evangelho) por parte da Igreja (cf. n.108), que não é uma ONG, mas existe para evangelizar (cf. no 109,i). Nesse sentido, lembrava o Papa Francisco que “a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a Sua amizade, a Sua bênção, a Sua Palavra, a celebração dos sacramentos e a proposta de um caminho de crescimento e amadurecimento na fé. A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, em uma solicitude religiosa privilegiada e prioritária.” (EG, no 200).

Motivados, portanto, pelo Mês da Bíblia e pelas palavras de ânimo e orientação das Diretrizes, escutemos e acolhamos a Palavra, não sendo ouvintes distraídos, mas praticantes (cf. Tg 1,22-25), deixando que ela nos converta e nos ajude – a cada um de nós e a todas as nossas comunidades – a produzir os frutos que Deus desejou ao enviá-la (cf. Is 55,11), sendo suas testemunhas, especialmente para aqueles que dela mais carecem!

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