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Cardeal Scherer e Dom Cícero presidem missas na festa da Paróquia Santa Cruz

Cardeal Scherer e Dom Cícero presidem missas na festa da Paróquia Santa Cruz - Jornal O São Paulo

A Paróquia Santa Cruz, na Vila Rica, Decanato São Timóteo da Região Belém, celebrou solenemente, na segunda-feira, 14, a Festa da Exaltação da Santa Cruz, em missa presidida por Dom Cícero Alves de França. Concelebraram os Padres José Carlos dos Anjos, Pároco, e João Batista Dinamarques, Decano do Decanato São Timóteo, com a assistência do Diácono João Botura.

Na homilia, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém convidou os participantes a refletirem sobre a maneira como cada pessoa olha para a Cruz de Jesus e sobre a atitude que esse olhar revela. O Bispo propôs uma reflexão a partir de diferentes personagens dos relatos da Paixão: Maria, o discípulo amado, Maria Madalena e os soldados. Segundo ele, cada um contempla a Cruz a partir de uma experiência distinta. Maria o faz com afeto e dor; o discípulo amado, com amor e obediência; Maria Madalena, com fé. Já os soldados representam um olhar marcado pela arrogância e pela superioridade diante de Jesus.

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COMO OLHAMOS PARA A CRUZ DE JESUS?

“Somos convidados hoje a nos perguntar a partir de que olhar nós olhamos para a Cruz de Jesus”, afirmou Dom Cícero, ressaltando que, muitas vezes, os cristãos podem assumir diante de Cristo uma postura semelhante à dos soldados, marcada pela desconfiança e pela tentativa de colocar-se acima de Deus.

Ao comentar a primeira leitura, que narra a passagem do povo de Israel pelo deserto e a serpente de bronze erguida por Moisés, o Bispo destacou a importância de recordar as ações de Deus. O povo havia experimentado a libertação da escravidão, mas, diante das dificuldades da caminhada, passou a murmurar e a reclamar.

Para Dom Cícero, o episódio também chama os cristãos a resgatarem a memória do amor de Deus e a reconhecerem sua presença mesmo nos momentos de sofrimento. Assim como aqueles que foram picados pelas serpentes encontravam a cura ao olhar para a serpente de bronze, o cristão é chamado a voltar o olhar para Cristo crucificado.

“A Cruz de Cristo, portanto, em primeiro lugar, é aquilo que nos cura, aquilo que nos salva”, afirmou. Segundo o Bispo, nela encontram-se a cura, a libertação e a ação salvadora de Deus. Em Jesus, a Cruz, antes instrumento de suplício e morte, transforma-se em expressão máxima do amor e sinal da aliança estabelecida entre Deus e a humanidade.

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SINAL DE ESPERANÇA

Dom Cícero recordou ainda que a Cruz acompanha cada cristão desde o Batismo. Ao receber o sacramento, a pessoa é marcada com o sinal da Cruz, que expressa sua configuração a Cristo e sua pertença à Igreja. Por isso, a Cruz não deve ser contemplada apenas como símbolo do sofrimento, mas como sinal da esperança e da vida nova que brotam da Ressurreição.

Ao final da homilia, o Epíscopo também relacionou a reflexão à experiência cotidiana dos fiéis. Ele afirmou que diante das dificuldades e dos sofrimentos, não se deve tentar carregar sozinho a cruz da própria existência. É a presença de Cristo que dá sentido à caminhada e transforma o sofrimento em caminho de salvação.

“A cruz sem Cristo é loucura; a cruz com Cristo é vitória”, ressaltou.

DOM ODILO EXORTA OS FIÉIS AO PERDÃO

Cardeal Scherer e Dom Cícero presidem missas na festa da Paróquia Santa Cruz - Jornal O São Paulo

A celebração da Festa da Exaltação da Santa Cruz foi precedida de um tríduo preparatório, entre os dias 11 e 13, concluído na noite do domingo, com a missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer e concelebrada pelos Padres José Carlos dos Anjos, Pároco, e Carlos André Romualdo, Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Califórnia.

No início da homilia, o Arcebispo Metropolitano destacou a importância do título da comunidade e convidou os fiéis a contemplarem o significado da Cruz de Cristo.

“Que belo, grande título, lembrando sempre da Cruz de Cristo, a árvore da vida”, afirmou. Segundo o Arcebispo, da Cruz de Jesus brotam frutos como o perdão, a redenção, a esperança e a misericórdia de Deus, manifestadas de modo pleno na entrega de Cristo pela humanidade.

A homilia, porém, teve como tema central o perdão. A partir do Evangelho do domingo, no qual Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deveria perdoar o irmão que pecasse contra ele, Dom Odilo destacou a resposta de Cristo: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.

Para o Cardeal, a expressão bíblica significa que o discípulo de Jesus é chamado a perdoar sempre e “de todo o coração”. O perdão, explicou, não consiste em apagar necessariamente da memória aquilo que aconteceu, mas em decidir não permanecer preso à ofensa nem utilizá-la continuamente para cobrar o outro.

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CONTRA A CULTURA DO ÓDIO

Dom Odilo também chamou a atenção para uma cultura de ódio que tem se espalhado na sociedade e, particularmente, nas redes sociais, nas quais muitas vezes se multiplicam ofensas, calúnias, julgamentos e acusações.

“Isso é contrário ao Evangelho, contrário ao ser cristão”, afirmou, ao recordar que até mesmo as comunidades católicas e as famílias precisam estar atentas para não reproduzir essa lógica.

O Arcebispo comparou o rancor e a falta de perdão a um peso que a própria pessoa carrega. Recordando a primeira leitura, do livro do Eclesiástico, ressaltou que alimentar a raiva e o desejo de vingança pode consumir interiormente aquele que não consegue perdoar.

“É como uma pessoa que fica carregando um saco de pedra”, disse, incentivando os fiéis a abandonarem os pesos de situações não reconciliadas. Para ele, o cristão não deve esperar o fim da vida para buscar a reconciliação, mas resolver as situações enquanto está “a caminho” com o irmão.

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PERDOADOS PARA PERDOAR

Ao comentar a parábola do empregado cuja grande dívida foi perdoada pelo rei, mas que depois se recusou a perdoar uma pequena dívida de seu companheiro, Dom Odilo ressaltou a contradição de quem recebe a misericórdia de Deus, mas não consegue oferecê-la ao próximo.

O Arcebispo lembrou ainda que os cristãos pertencem a Cristo, que morreu por todos, e são chamados a viver de acordo com essa nova condição. “Se estamos vivos, é para o Senhor que nós vivemos”, recordou, citando São Paulo.

Dessa forma, perdoar não é apenas uma recomendação moral, mas consequência da própria fé cristã: quem experimenta a misericórdia de Deus deve também aprender a concedê-la aos irmãos.

Ao final, Dom Odilo recordou uma das palavras de Jesus durante a Paixão: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. Para o Cardeal, o gesto de Cristo constitui o exemplo maior para aqueles que desejam viver como seus discípulos.

Ele também incentivou os pais e responsáveis a educarem as crianças para o perdão, ensinando-as desde cedo a reconhecer os próprios erros, pedir desculpas e não guardar ódio ou rancor no coração. “Perdoar nem sempre é fácil, mas é um exercício que nós devemos fazer”, afirmou.

Ao concluir a homilia, o Arcebispo pediu que Deus conceda aos fiéis a graça de experimentar e oferecer continuamente o perdão, tendo como referência Jesus Cristo, que entregou a própria vida na Cruz pela salvação da humanidade.

Por Fernando Arthur e Maria Laura Tonon
Colaboração especial para a Região Belém

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