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Em encontro na Catedral da Sé, Terço dos Homens fortalece compromisso com a oração em família

Em encontro na Catedral da Sé, Terço dos Homens fortalece compromisso com a oração em família - Jornal O São Paulo
 Cardeal Scherer preside missa na Catedral da Sé, no sábado, 12, na comemoração do 4º Dia Nacional do Terço dos Homens
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Homens de diferentes paróquias da Província Eclesiástica de São Paulo se reuniram na manhã do sábado, 12, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção para a celebração do 4º Dia Nacional do Terço dos Homens. A programação teve início às 8h30, com a oração do Terço, seguida da missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo.

Inicialmente prevista para a Praça da Sé, a oração ocorreu no interior da Catedral em razão da chuva. Participaram integrantes de grupos da Arquidiocese de São Paulo e das Dioceses de Santo Amaro, São Miguel Paulista, Campo Limpo, Santo André, Osasco, Guarulhos, Santos e Mogi das Cruzes.

Instituído por meio da Lei Federal nº 14.558/2023, o Dia Nacional do Terço dos Homens é comemorado anualmente em 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora. A data tem o propósito de dar visibilidade aos milhares de homens que encontram na oração do Santo Terço um caminho de crescimento na fé e de participação mais ativa na família, na Igreja e na sociedade. Em São Paulo, a comemoração foi realizada no sábado posterior à data oficial, favorecendo a participação dos diferentes grupos.

Mais do que um movimento organizado de maneira uniforme, o Terço dos Homens reúne grupos paroquiais que se encontram regularmente para rezar e meditar os mistérios da vida de Jesus Cristo sob o olhar de Maria. Essa prática de piedade popular tem ajudado muitos homens a redescobrir a fé, retomar a vida sacramental e assumir serviços nas comunidades.

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CAMINHO DE REDESCOBERTA DA FÉ

Na homilia, Dom Odilo chamou a atenção justamente para esse fruto da iniciativa. “Muitos de vocês talvez tenham começado a participar do Terço dos Homens depois de algum tempo; talvez até já fizesse tempo que alguns não iam à igreja ou nunca mais tinham puxado o Terço. E, de repente, se sentiram envolvidos e com vontade de participar”, afirmou.

O Arcebispo ressaltou que, embora o Terço seja uma oração de todos, a participação dos homens possui um significado particular. “O mais significativo é que vocês, homens, estejam se envolvendo nesta devoção e, por ela, estejam redescobrindo a sua fé, a vida da Igreja, a sua relação com a fé cristã”, acrescentou.

Ao recordar diferentes passagens do Evangelho, o Cardeal explicou que Maria sempre conduz a humanidade ao encontro com seu Filho. Assim acontece no Natal, quando ela apresenta Jesus aos pastores e aos magos; no Templo; nas bodas de Caná; junto à cruz; e no Cenáculo, em oração com os Apóstolos à espera do Espírito Santo.

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FAZER O QUE JESUS DISSER

Dom Odilo também destacou a recomendação de Maria aos serventes nas bodas de Caná – “Façam tudo o que Jesus disser” – como indicação do sentido autêntico da devoção mariana. Nossa Senhora não ocupa o lugar de Cristo, mas apresenta seu Filho e ensina os discípulos a escutá-Lo e a segui-Lo.

Ao falar especificamente sobre o Rosário, o Arcebispo retomou o ensinamento de São João Paulo II, segundo o qual essa oração introduz os fiéis na contemplação do Evangelho. “O centro do Terço é Jesus. Estamos na escola de Jesus, na qual temos como catequista sua Mãe, Maria, que nos aproxima e nos ensina sempre mais sobre Jesus”, afirmou.

Desse modo, a repetição das Ave-Marias não constitui um gesto isolado ou meramente devocional. Cada dezena é acompanhada pela contemplação de um mistério da vida de Cristo, fazendo do Rosário uma oração profundamente bíblica e cristocêntrica. “Rezando o Terço, estamos na escola do Evangelho, na qual Maria é a mestra que nos ensina a conhecer mais e mais Jesus, Nosso Senhor”, reforçou Dom Odilo.

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ORAÇÃO QUE CONDUZ AO SERVIÇO

Ao término da missa, o Padre Wellington Laurindo, Assistente Eclesiástico do Terço dos Homens na Região Sé, ressaltou que a oração deve conduzir ao serviço na Igreja e na própria casa. “O homem do Terço deve justamente estar à disposição do Senhor dentro da sua paróquia. Colocar-se à disposição: ‘Olha, padre, eu estou aqui. Quero servir o Senhor, quero servir a comunidade’. E, também, servir a família”, disse.

O Sacerdote salientou que a experiência religiosa não pode ficar restrita ao interior da igreja. Aquilo que o homem aprende na oração precisa ser traduzido em atitudes, no relacionamento com a esposa e os filhos e no testemunho cotidiano. “O homem não é simplesmente para ter o seu ato religioso dentro da igreja, mas é para transportar para a família, justamente fazendo com que a sua família seja santificada pelos seus exemplos, pelos seus ensinamentos”, afirmou.

Padre Wellington também incentivou os integrantes do movimento a colaborar para que novos grupos sejam formados nas comunidades nas quais o Terço dos Homens ainda não está presente. Na Catedral da Sé, segundo informou, os encontros já acontecem aos sábados pela manhã, atendendo a um desejo manifestado pelo recém-falecido Cônego Helmo Faccioli, que acolheu e incentivou a iniciativa.

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O TERÇO REZADO EM FAMÍLIA

Dom Odilo concluiu a celebração partilhando uma recordação pessoal de sua infância em uma família de agricultores. Mesmo depois de um dia de trabalho intenso, seus familiares se reuniam após o jantar para rezar o Terço ou, quando estavam muito cansados, ao menos uma dezena. Era seu pai quem iniciava a oração e convidava os filhos a conduzir cada parte.

“Eu aprendi a rezar o Terço quando tinha 5 ou 6 anos de idade […] A gente era criança e aprendia a re-zar desde pequeno. E isso se tornou parte da vida da família, da oração diária”, testemunhou.

A partir dessa experiência, o Arcebispo incentivou os participantes a levar a oração para dentro de suas casas. “A família que reza unida permanece unida. Família que se encontra unida diante de Deus depois vai tentar também superar os seus probleminhas, as suas questões do dia a dia, com fé e com a ajuda de Deus”, disse, sugerindo que os homens rezem com a esposa, os filhos e os netos.

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‘UMA FAMÍLIA MAIOR’

Para Marcelo Sahade, coordenador do Terço dos Homens na Região Sé, a 4a edição da celebração nacional confirma e fortalece uma caminha-da já presente em muitas comunidades: “O caminho é este: rezar em casa, mas também rezar na paróquia com outros homens; compartilhar as mesmas graças, os mesmos pedidos, as mesmas dúvidas”.

A celebração evidenciou, assim, as diferentes dimensões do Terço dos Homens: a oração pessoal, a experiência comunitária, o serviço paroquial e o testemunho na família. Como resumiu Marcelo, participar do movimen-to significa integrar “uma família maior”, formada por homens que rezam juntos e se ajudam a perseverar na fé.

(Colaborou: Fernando Arthur)

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