‘A Quaresma convida a renovar a fé e a retomar o caminho de Cristo’

Cardeal Scherer impõe cinzas em sacerdote durante missa que marca o início da Quaresma, na Catedral da Sé (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidiu a missa com o rito de imposição das cinzas, nesta quarta-feira, 17, na Catedral da Sé, marcando o início do tempo da Quaresma. 

Nessa data também foi aberta oficialmente a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2021, que este ano tem como tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2,14a). 

A Eucaristia foi concelebrada pelo Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo, pelos bispos auxiliares da Arquidiocese e um grupo de sacerdotes. 

Devido aos protocolos sanitários para a prevenção da COVID-19, houve reduzido número de fiéis presencialmente, mas a missa pôde ser acompanhada ao vivo por meio das mídias digitais da Arquidiocese e pela rádio 9 de Julho.

Cinzas 

O rito de imposição das cinzas, gesto penitencial, recorda que o ser humano é fisicamente perecível, em alusão ao versículo bíblico: “Tu és pó e ao pó retornarás” (Gn 3,19). Essas cinzas, geralmente, são feitas a partir da queima dos ramos abençoados na missa do Domingo de Ramos, na Semana Santa do ano anterior. 

Este ano, devido às recomendações de distanciamento físico para evitar a disseminação do novo coronavírus, a Santa Sé fez uma pequena alteração no rito de imposição. Após abençoar as cinzas, o celebrante diz uma única vez para toda a assembleia a fórmula: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”, em seguida, após higienizar as mãos e usando máscara, o ministro deixa cair uma porção de cinzas sobre a cabeça dos fiéis sem tocá-los. 

Olhar para o mistério pascal  

Na homilia, Dom Odilo recordou que a Quaresma é um tempo de preparação para a Páscoa, mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, e da participação dos cristãos nesse mistério por meio do Batismo. 

“Durante todo este tempo, somos orientados a olhar para a Páscoa e, também, para a nossa vida cristã. Recordamos o fundamento da nossa fé e da nossa religião, que é a expressão do nosso relacionamento com Deus”, destacou o Cardeal, convidando todos a viver intensamente a Quaresma. 

“Que cheguemos bem dispostos à Páscoa, para renovarmos as promessas batismais e, assim, o vigor, a alegria da nossa união com Cristo e da missão que Ele nos dá: sermos suas testemunhas no mundo”, acrescentou o Arcebispo. 

(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Penitência e conversão

O Purpurado lembrou, ainda, que os apelos à penitência e a conversão deste tempo litúrgico ressaltam a necessidade de os cristãos renovar a vivência da fé e retomar o caminho do seguimento de Cristo. 

Dom Odilo reforçou que, por meio dos exercícios quaresmais da oração, do jejum e da esmola, o cristão é capaz de enfrentar as forças que o impele para o mal. 

“A penitência não é para nos castigar, mas para nos fortalecer. É o exercício que fortalece a nossa vontade e nos ajuda a sermos firmes no caminho do Evangelho”, destacou o Cardeal, enfatizando que, como Jesus exorta no Evangelho proclamado nessa celebração, tais práticas devem ser sinceras e corresponder a uma vontade interior que honre a Deus e não procure a glória pessoal. 

Sobre a oração, o Arcebispo recordou que esta consiste na busca profunda de diálogo com Deus e escuta de sua Palavra, a frequência aos sacramentos, especialmente a Eucaristia. 

Já a esmola resume todo o conjunto da caridade e das obras de misericórdia e,  recordando o que diz a Sagrada Escritura, Dom Odilo frisou: “Sem a caridade, a nossa fé é vazia, morta”. 

Campanha da Fraternidade 

O Cardeal Scherer lembrou que a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) se insere como um dos exercícios quaresmais de caridade e, neste ano, de modo especial, chamando todos para a busca da unidade entre os discípulos de Cristo que estão divididos entre si. 

“Jesus quer nos unir em si. Por isso, devemos buscar o diálogo fraterno, o respeito, a escuta”, afirmou Dom Odilo, enfatizando que é possível realizar tantas iniciativas comuns mesmo que haja diferenças na fé. “Fazendo isso, aproximamo-nos, superamos aquilo que nos divide. Se estamos divididos, falta a caridade, falta o amor entre nós”, completou. 

(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Comunhão 

Por fim, o Arcebispo salientou que mesmo entre os católicos existem divisões “contagiadas por uma mentalidade que não é cristã”, sobretudo quando são marcadas por ideologias colocadas acima da fé e da comunhão em torno do mesmo altar. 

No fim da missa, o Arcebispo e os bispos auxiliares fizeram um envio simbólico para a realização da CFE, entregando exemplares do manual da Campanha a representantes das regiões e vicariatos episcopais da Arquidiocese. 

Novamente, Dom Odilo chamou a atenção para o tema do diálogo. “Não fazemos a Campanha da Fraternidade para promover a discórdia. Pelo contrário. Que seja uma campanha para promover a fraternidade, superar os conflitos não apenas com quem crê diferente de nós, mas com aqueles que professam a fé na mesma Igreja”, manifestou o Cardeal, concluindo: “A comunhão, expressão do amor fraterno, vem de Deus e leva a Ele”. 

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