‘A vida contemplativa na clausura é um dom divino’

Irmã Maria José de Jesus, eleita, no dia 5, Priora do Mosteiro de Santa Teresa de Jesus, das Carmelitas Descalças, fala sobre o cotidiano no Carmelo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na sexta-feira, 5, foi realizado no Mosteiro de Santa Teresa de Jesus, das Carmelitas Descalças, na zona Sul de São Paulo, o Capítulo Eletivo da nova Priora do Mosteiro, com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, representante da Igreja que legitima canonicamente a eleição, uma vez que o Mosteiro está sob jurisdição da Arquidiocese de São Paulo.

Irmã Maria José de Jesus, 65, assume por três anos a missão de conduzir a comunidade na vivência da fé, da unidade, da proximidade fraterna e da consagração, seguindo as Regras do Convento.

“É uma missão que assumo não como privilégio, mas como serviço a cada uma das irmãs da comunidade e com o desejo de, no pequeno colégio de Cristo, dar minha colaboração para a edificação do Reino de Deus e a fraterna convivência entre as monjas”, afirmou a nova Priora.

Segundo as Constituições, o Capítulo Eletivo acontece a cada três anos e participam dele as monjas de votos solenes. Somente pode ser eleita para o ofício de Priora ou Superiora Maior uma religiosa que tenha completado 35 anos de idade e cinco de profissão perpétua.

“Vamos caminhar juntas, como irmãs, unidas pela oração, alicerçadas na Palavra de Deus e alimentadas pela Eucaristia, trilhando os ensinamentos de Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja e padroeira do nosso mosteiro”, destacou a nova Priora, que conta com a colaboração de um conselho formado por quatro freiras e a participação colaborativa dos demais membros da comunidade. Atualmente, no Mosteiro vivem 25 irmãs, das quais 18 são religiosas de votos perpétuos e sete noviças.

Vocação

Arquivo pessoal

Irmã Maria José de Jesus Magalhães nasceu na cidade de Rio Vermelho (MG), em 15 de outubro de 1956, no mesmo dia em que a Igreja celebra Santa Teresa de Jesus. A nova Priora é a primeira de sete filhos de José Gabriel e Maria Magalhães.

“Deus plantou em meu coração a semente da vocação, sempre quis consagrar a minha vida a Cristo e aos irmãos. Nasci em um lar cristão, era engajada na vida pastoral da Paróquia”, disse a Religiosa, recordando a parábola do semeador (cf. Mt 13,1-23).

Na juventude, movida pelo desejo de consagrar a vida, participou de encontros vocacionais em várias congregações. E, em meados de 1980, por ocasião da visita ao Brasil de São João Paulo II, conheceu o Carmelo da cidade de Santos (SP) e se apaixonou pelo carisma e pela missão.

Ela ingressou na Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, no dia 16 de outubro de 1982, aos 26 anos, onde fez as primeiras etapas formativas: aspirantado, postulantado e noviciado. Professou os votos religiosos solenes em 1º de outubro de 1984, assumindo o carisma do Carmelo e a vida de silêncio, oração e clausura.

“Sou muito feliz e realizada na minha vocação. Deus me escolheu para ser uma missionária sem sair do lugar. Dedico minha vida a Deus e aos irmãos, na oração contemplativa, em silêncio orante”, disse a Religiosa, que vive na clausura há 39 anos.

Vida na clausura

Luciney Martins/O SÃO PAULO

As religiosas convivem em fraterna comunhão. Todas com um mesmo ideal de vida: união com Cristo em Seu Sacrifício pelo bem da Igreja e da humanidade: “Sós com o Só”.

A dinâmica de vida no claustro é pautada na experiência contemplativa da oração e trabalho, no silêncio às escondidas do mundo, contemplando e apresentando a Deus, diariamente, os pedidos e súplicas do povo de Deus.

Há horários definidos para tudo. Elas despertam às 4h45. Das 5h às 6h, há a oração mental, seguida pelas Laudes. Às 7h, elas participam da Santa Missa, presidida pelo Capelão do Mosteiro, atualmente o Padre Vittorio Moregola.

As Carmelitas rezam todas as horas do Ofício Divino (Liturgia das Horas) e no final do dia, após as Vésperas, segue- -se mais uma hora de oração mental.

Cotidianamente, destinam-se duas horas para o momento de recreio, no qual as religiosas partilham as experiências de vida e de oração e também contam suas dores e alegrias. O restante do dia é dedicado ao silêncio, conforme o ideal traçado por Santa Teresa de Jesus, na reforma do Carmelo.

“A vida contemplativa na clausura é um dom divino. É uma experiência única de quietude, súplica, imolação, solidão e sintonia com o Criador. Também é de comunhão profunda e íntima com as dores de Cristo, da Igreja e da humanidade”, detalhou Irmã Maria José de Jesus.

História

Em 1913, a pedido de Dom Duarte Leopoldo e Silva, então Arcebispo de São Paulo, as irmãs Regina da Imaculada Conceição e Maria do Sagrado Coração vieram do convento do Rio de Janeiro para reformar o Antigo Recolhimento de Santa Teresa, localizado na Praça da Sé. Desde então, o local passou a observar a Regra do Carmelo e a vida conventual das Carmelitas Descalças.

Em 1918, as religiosas se mudaram para o bairro da Penha, na zona Leste, enquanto aguardavam a construção do novo convento das Carmelitas no bairro de Perdizes, o que só ocorreu em 1923. No local, foi também construída uma capela em estilo colonial brasileiro.

Em 1946, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, Arcebispo à época, fundou a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). As monjas cederam o terreno e o prédio para a implantação da universidade e o desenvolvimento de uma comunidade paroquial, e, assim, se transferiram para um novo mosteiro, construído na avenida Jabaquara, na zona Sul, onde permanecem até hoje.

Desde 2015, o Mosteiro de Santa Teresa de Jesus é considerado patrimônio histórico da cidade de São Paulo.

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