Arquidiocese realiza formação litúrgico-musical para o tempo da Quaresma

Atividade, feita de modo on-line, ressaltou a preparação que deve haver para cantar a liturgia na Igreja no tempo quaresmal

Maestro Delphim Porto e integrantes do coro da Catedral da Sé da Arquidiocese de São Paulo (foto:reprodução da internet)

Os cuidados com o canto litúrgico para o período da Quaresma foram tratados em uma formação on-line, no sábado, 6, promovida pela Comissão Arquidiocesana de Liturgia e transmitida pelo canal do YouTube da Catedral da Sé.

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Mais de 800 pessoas, de diferentes partes do Brasil, acompanharam em tempo real a atividade, que teve a assessoria do Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, Cura da Catedral e redator do folheto litúrgico Povo de Deus em São Paulo, com as participações de Dom José Benedito Cardoso, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Referencial da Comissão Arquidiocesana de Liturgia; e do maestro Delphim Rezende Porto, regente do coro da Catedral.

No início do encontro, foi exibida uma mensagem de vídeo do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. Ele exortou que sempre se aprimore mais o canto litúrgico nas celebrações. “Nós não cantamos na liturgia, mas, sim, cantamos a liturgia. Desse modo, cantar nas celebrações significa se colocar dentro do espírito da celebração, conhecer o momento celebrado e a ocasião que se celebra”, afirmou, complementando que tais cantos devem estar de acordo com cada tempo litúrgico.

ITINERÁRIO BATISMAL E PENITENCIAL

Padre Baronto explicou, inicialmente, que tudo o que se realiza na liturgia da Quaresma  ocorre em função da Páscoa. “É a observância da Quaresma, ou seja, a participação reverente, piedosa e obediente, que nos fará chegar à Páscoa com o coração purificado”, afirmou, ao recordar a oração feita na celebração da Quarta-feira de Cinzas, quando tem início o tempo quaresmal.

O Cura da Catedral fez menção aos pontos 109 e 110 da constituição conciliar Sacrosanctum concilium, para recordar que o Batismo e a Penitência são os aspectos fundamentais da Quaresma, assim como a orientação para que os cristãos sejam mais frequentes na escuta da Palavra de Deus e na oração. Ele lembrou que estes aspectos devem ser considerados para a escolha e a preparação dos cantos litúrgicos na Quaresma.

Ao longo do encontro, Padre Baronto detalhou a dimensão batismal presente na liturgia dos cinco domingos da Quaresma deste ano litúrgico (Ano B) e foram entoadas pelo coro da Catedral, regido pelo maestro Delphim, as antífonas dos cantos de comunhão dessas celebrações (veja detalhes abaixo). 

O Cura da Catedral também comentou que, além das comunidades se organizarem para o sacramento da Penitência, é possível realizar na Quaresma outros momentos penitenciais, nos quais não há absolvição sacramental, como as celebrações da Palavra, as vias-sacras, a maior atenção aos enfermos e a oração das vésperas quaresmais.

A proposta é de uma penitência quaresmal que não seja apenas interna e individual, mas, também, externa e social. Esse chamado é feito de modo especial pela Campanha da Fraternidade (CF), que indica aos cristãos quem é o próximo que mais sofre e precisa de maior atenção. O Sacerdote comentou, porém, que de modo algum a temática da CF deve se sobressair à celebração da Quaresma.

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS

Dom José Benedito Cardoso e Padre Baronto durante formação litúrgico-musical da Quaresma

O maestro Delphim lembrou aos participantes que é necessário ensaiar devidamente os cantos que serão entoados, para que se ressalte a mensagem do texto litúrgico.

 “Como cantores, a nossa prioridade deve ser a de levar o texto às pessoas. Assim, o acompanhamento do órgão precisa ser muito discreto. O ritmo da música deve ser quase como o ritmo da fala. Vamos deixar de lado as referências que temos de ritmo, a fim de deixar o ritmo do texto aparecer, para, assim, potencializar a Palavra de Deus de modo musical”, comentou o maestro, destacando, ainda, que se deve ter mais preocupação com aquilo que se canta do que com o canto em si.

Fazendo menção ao missal romano, Padre Baronto comentou que na Quaresma o órgão e os demais instrumentos musicais devem apenas sustentar o canto, à exceção do 4o Domingo – o Domingo da Alegria – ou se houver festas e solenidades litúrgicas neste período. “É um tempo de sobriedade dos instrumentos. Eles devem estar mais reclusos, ser apresentados sem tanta efusividade”, detalhou.

O Cura da Catedral lembrou, ainda, que músicos e cantores precisam participar das reuniões preparatórias da liturgia. “A Sacrosanctum concilium diz que a liturgia é um só ato de culto, de modo que a música não é um apêndice, não é um enfeite ou foi feita para animar a liturgia. Ela é parte integrante, assim como a homilia e as leituras”, afirmou.

Também o Padre José Henrique Weber, 88, ex-Assessor de Música Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que atualmente colabora na São Paulo Schola Cantorum, da Catedral da Sé, observou que “na Igreja se canta a liturgia, o que é diferente de cantar na liturgia, pois nesse caso se corre o perigo de cantar qualquer coisa, que pode não combinar com a vivência do tempo litúrgico”.  

As partituras musicais para a Quaresma deste ano já estão disponíveis para download gratuito no portal da Arquidiocese de São Paulo.

A LITURGIA DOS DOMINGOS DA QUARESMA E AS ANTÍFONAS DA COMUNHÃO (ANO B)

1o Domingo – Tentação no deserto (Mc 1,12-15)

Antífona: “Convertei-vos e crede no Evangelho”

Explicação: O deserto é lugar da tentação, mas também do encontro com Deus. Jesus, por meio da Palavra de Deus, afasta Satanás.

2o Domingo – Transfiguração (Mc 9,2-10)

Antífona: “Da nuvem uma voz se fez ouvir: ‘Eis meu Filho muito amado, nele está meu bem querer! Escutai o que ele diz!’”.

Explicação: Na transfiguração há o anúncio de que do escândalo da cruz se passará à alegria da Páscoa. Há o convite de que se escute o Mestre, pois assim fazem os discípulos de Jesus.

3o Domingo – Expulsão dos vendilhões do templo (Jo 2,13-25)

Antífona: “Destruí este templo, disse Cristo, e em três dias haverei de reerguê-lo. Ele falava do templo do seu corpo”.

Explicação: Além da imagem da purificação da própria religião, o aspecto central é a explicação que Cristo faz sobre sua própria morte e ressurreição, algo que também acontecerá a todos os que acolhem a luz do Senhor.

4o Domingo – O Filho do Homem elevado na cruz (Jo 3,14-21)

Antífona: “Tanto Deus amou o mundo que lhe deu seu filho único. Quem crê nele não perece, mas terá a luz da vida”.

Explicação: Neste que também é conhecido como o Domingo Laetare (Domingo da Alegria), a Igreja faz o convite que todos se alegrem, pois a Páscoa está próxima. O madeiro da árvore do pecado (episódio de Adão e Eva) torna-se, agora, o madeiro da salvação, onde o Filho do Homem será elevado na cruz.

5o Domingo – Ressurreição de Lázaro (Jo 12,20-33)

Antífona: “Se o grão de trigo não morrer, caindo em terra fica só; mas se morrer dentro da terra, dará frutos abundantes”.

Explicação: Para além da demonstração do poder de Jesus de trazer à vida Lázaro, está o anúncio de um sentido novo para a morte: ao morrer, o cristão experimentará de forma concreta a Páscoa.

* Síntese a partir das explicações do Padre Luiz Eduardo Baronto na formação de 06/02

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