Cardeal Scherer e infectologistas ressaltam a importância da vacinação contra a COVID-19

A Arquidiocese de São Paulo realizou na noite desta quarta-feira, 27, mais uma edição do evento virtual “Diálogos com a Cidade”, sobre o tema da vacinação contra a COVID-19.

Na live transmitida pelas mídias digitais da Arquidiocese, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, conversou com os médicos infectologistas Rosana Richtmann e Jamal Suleiman, ambos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, além do Padre João Inácio Mildner, capelão do mesmo Instituto e coordenador arquidiocesano da Pastoral da Saúde.

Os especialistas tiraram dúvidas dos internautas sobre as vacinas desenvolvidas, como acontece o processo de imunização e as medidas necessárias para o combate a pandemia.

A vacinação contra a COVID-19 foi iniciada no Brasil no dia 17, após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso emergencial de dois imunizantes: a CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica SinoVac, em parceria com o Instituto Butantan; e a Covishield, mais conhecida como AstraZeneca/Oxford (nome de seus desenvolvedores), produzida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Desde então, muitas dúvidas surgiram, alimentadas por informações falsas que questionavam a eficácia ou até mesmo a segurança dos imunizantes.

Logo no início, Dom Odilo incentivou a vacinação e encorajou o público a se imunizarem quando for possível. “Vou tomar a vacina assim que tiver a oportunidade e espero pacientemente a minha vez”, afirmou o Arcebispo, ressaltando que não há motivos para temer a imunização.

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Segura e eficaz

Rosana Richtmann assegurou que as vacinas contra a COVID-19 atualmente disponíveis são seguras. Falando especialmente da CoronaVac, da qual ela participou das pesquisas, a médica explicou que a tecnologia usada no seu desenvolvimento é bastante conhecida pelos cientistas e já foi utilizada na produção de outros imunizantes.

Em relação à eficácia, a infectologista ressaltou que a principal angústia da maioria das pessoas infectadas pelo novo coronavírus é se terá que ser hospitalizado, passar pela terapia intensiva e se vai sobreviver. Nesse sentido, Richtmann apontou que os imunizantes desenvolvidos apresentaram resultado muito satisfatório para evitar o desenvolvimento da forma grave da doença.

“As vacinas hoje conseguiram fazer com que quem tiver a doença, vai poder tratar em casa” acrescentou a médica, ressaltando que o primeiro objetivo dessa imunização é evitar que as pessoas sejam hospitalizadas, ocupem leitos de UTI ou morram por complicações da COVID-19.

“Esta é a primeira geração de vacinas. Atualmente, nós temos cerca de 200 vacinas sendo estudadas. Seguramente, teremos gerações melhores de vacinas. Mas não dá para esperar. Temos um produto extremamente seguro, eficaz”, completou Richtmann, sublinhando que não adianta haver vacinas sem vacinação. Por isso, o principal objetivo, no momento, é vacinar o maior número possível de pessoas.

Prevenção de casos graves e mortes

Jamal observou, por exemplo, que os estudos que comprovaram a eficácia global da CoronaVac – de 50,38% – foram realizados em pessoas altamente expostas, uma vez que os voluntários dos testes eram profissionais da saúde na linha de frente do combate à COVID-19. “O fato de, naquele número de pessoas expostas, não haver ninguém em quem o vírus tivesse evoluído de forma severa, é um fato para comemorarmos, não é algo irrelevante”

Outro aspecto salientado pelo infectologista é que não se pode perder de vista que existe uma emergência sanitária que precisa ser controlada, somente depois que um grande contingente da população estiver vacinado é que se saberá se a transmissão do vírus foi interrompida.

Por isso, Suleiman reforçou que a vacinação deve ser vista além do aspecto da imunização individual, mas, sim, em relação à toda a comunidade.  “Não tenham medo. Todos vamos nos proteger se tomarmos a vacina que estiver disponível”, garantiu.

Contraindicações

Os internautas também perguntaram se há alguma contraindicação para esses imunizantes. Os especialistas enfatizaram que, por serem vacinas seguras, as contraindicações existiriam se a pessoa tivesse uma reação alérgica ou efeito adverso grave ao tomar a primeira dose do imunizante. 

Rosana explicou que essas vacinas não são contraindicadas para pessoas que possuem alergia a algum medicamento ou alimento, como o ovo, por exemplo, o que pode ocorrer em alguns tipos de vacinas contra outras doenças. “O que recomendamos é que a pessoa sempre comente no momento da vacinação se já houve alguma reação após receber outra vacina”, completou

Também não há contraindicação para pessoas que tenham alguma doença crônica. “Temos que ter muito mais cautela com a doença [COVID-19] do que com as vacinas”, reforçou a infectologista. 

Os infectologistas recordaram que as vacinas ainda não foram testadas em crianças e adolescentes menores de 18 anos. Por isso ainda estão fora da vacinação. No entanto, já estão começando a ser feitos os primeiros testes nesse público.

Já em relação às gestantes e lactantes, não há contraindicação, mas cautela. Por isso, cada situação deve ser avaliada pelos médicos. “Se uma paciente gestante trabalha em uma terapia intensiva, que está na linha de frente e não vai sair do trabalho por causa a gestação, eu indico a vacina”, relatou Rosana.

Máscara, álcool e distanciamento continuam

No encontro, também foi enfatizado que a vacinação não elimina a necessidade da continuidade de todas a medidas para evitar a disseminação do vírus.

“A ciência ainda não demonstrou que eu estando vacinada deixo de transmitir o vírus para outra pessoa. A minha responsabilidade como cidadã é imensa”, afirmou Richtmann, explicando que será preciso ter aproximadamente 70% da população vacinada para haver, de fato, uma imunidade coletiva ou de “rebanho”, e para começar a pensar na flexibilização das medidas sanitárias. Entretanto, como observou seu colega, ainda não há vacinas suficientes para todos, nem há uma garantia formal de que haverá tão logo.

“Nossa responsabilidade social é proteger todos. Por isso, temos que ter consciência disso e, todos os dias, ao acordar, pensar: ‘como eu faço para proteger a mim e aos outros”, afirmou Jamal, reforçando a importância do uso de máscara e o seguimento das outras medidas sanitárias.

Responsabilidade moral

A esse respeito, Dom Odilo refletiu sobre a responsabilidade social e também moral de cada pessoa ao seguir as recomendações que evitam o contágio. “É, em primeiro lugar, uma questão de bom senso. Se há tantas pessoas morrendo e ficando doente. Eu me exponho a também ficar doente ou a difundir a doença?”, destacou o Cardeal, acrescentando que a Igreja, enquanto comunidade inserida na sociedade, tem a responsabilidade de conscientizar e insistir na necessidade desses cuidados.

Nesse sentido, o Arcebispo pontuou que iniciativas como esse evento virtual são formas de ajudar as pessoas a se informarem corretamente sobre o tema e a se conscientizarem de sua responsabilidade pessoal e social no combate à COVID-19. “Nossas paróquias, comunidades, organizações eclesiais são caixas de ressonância dessas orientações. A Igreja está capilarmente presente em todas as áreas da cidade”, afirmou.

Dom Odilo ressaltou, ainda, que a Igreja incentiva que todos tomem a vacina e recordou que tanto Papa Francisco como os organismos da Santa Sé, se manifestaram a esse respeito. 

Por fim, o Arcebispo incentivou que haja mais iniciativas que informem as pessoas sobre o risco de contágio, medidas preventivas e o combate efetivo à pandemia.

Assista à íntegra do “Diálogos com a Cidade” sobre a vacinação contra a COVID-19:

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