Caritas Arquidiocesana adapta serviços e intensifica atendimento a refugiados na pandemia

Arquivo Pessoal

A Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP), por meio do Serviço de Acolhida e Orientação para Refugiados, divulgou uma prévia dos dados sobre os atendimentos realizados em 2020. O relatório identificou que o número de novas chegadas à instituição ultrapassou o registrado nos anos anteriores e cresceu a procura por ajuda por parte de refugiados e solicitantes de refúgio em decorrência dos impactos da pandemia. 

O serviço de atendimento aos refugiados é realizado pela Caritas em convênio com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Cleyton Abreu, advogado e coordenador do Serviço de Acolhida e Orientação para Refugiados da CASP, explicou que nesse relatório ainda faltam os dados dos atendimentos realizados em dezembro e, por isso, a previsão é que o relatório definitivo seja concluído até 15 de fevereiro. “Também faremos um mapa georreferenciado dos atendimentos de 2020, que ficará pronto entre maio e junho. Esse mapa social é muito rico e pode ajudar na melhor construção de projetos pela CASP e desenvolvimento de políticas públicas pela Prefeitura”, acrescentou o coordenador.

Até novembro, a entidade contabilizou 5,8 mil atendimentos gerais pelo Serviço de Acolhida. Segundo o relatório, em 2020 houve 3.647 novas chegadas, enquanto em 2019, foram 3.426.

Durante a assembleia ordinária da entidade, realizada em novembro, o diretor da CASP, Padre Marcelo Maróstica Quadro, chamou a atenção para o crescimento do atendimento a crianças e idosos em situação de refúgio. “Todos os programas do nosso Serviço de Acolhida têm como eixos de trabalho acolher, proteger, promover e integrar migrantes e refugiados, verbos que o Papa Francisco utilizou na campanha da Caritas Internacional sobre migração e refúgio”, destacou.

Atendimento remoto 

Com a pandemia e as medidas de isolamento social, a entidade teve que readaptar sua estrutura de serviços presenciais para o modelo de atendimento remoto. Com uma equipe reduzida, setores como acolhida, assistência, integração, proteção e saúde mental enfrentaram os desafios da modalidade virtual de atendimento.

No entanto, na avaliação de Cleyton Abreu, esse pode ser um dos fatores que favoreceram o aumento de atendimentos. Ele explicou que, no atendimento presencial, havia restrições do fluxo de pessoas e de horário de atendimento e que, de certa forma, limitavam o acesso. “Quando mudamos para o formato virtual, essas barreiras caíram”, destacou.

Para viabilizar o atendimento virtual, foram disponibilizados 15 canais no WhatsApp, sendo três desses para registro das pessoas e triagem dos casos. Além disso, foi necessário digitalizar as pastas com informações dos atendidos para que os atendentes tivessem acesso remoto ao banco de dados. “Graças ao ACNUR, conseguimos recursos para a digitalização de mais de 380 mil páginas com informações sobre nossos beneficiários”, ressaltou o coordenador do serviço.

Impacto econômico

Outro fator apontado pelo advogado para o aumento da procura por atendimento foi as “outras pandemias de 2020”, como o desemprego, a fome, a insegurança habitacional, a desesperança e a ansiedade, que atingiu especialmente os mais vulneráveis, dentre os quais a população refugiada e solicitante de refúgio.

Por essa razão, a CASP manteve o atendimento presencial uma vez por semana, para entrega de itens de higiene, limpeza, roupas e cestas básicas. “Essas entregas, previamente agendadas com os beneficiários, contavam com uma boa logística para maior agilidade e respeito às novas normas sanitárias. O Serviço para Refugiados da Caritas entendeu a gravidade do momento e conseguiu responder da melhor forma possível”, salientou Abreu.

O aumento da demanda de atendimento e a diminuição do número de atendentes, devido às restrições da pandemia, aumentaram o risco de desgaste físico e mental desses agentes. “Por isso, desde julho passado, mantemos uma parceria com o Instituto Sedes Sapientiae, grande polo de apoio à saúde mental de São Paulo, para auxiliar a equipe nesse tema”, informou o coordenador.

No Brasil e no mundo 

Segundo dados do ACNUR, o número mundial de pessoas em deslocamento forçado chegou a um patamar sem precedentes no final de 2019 – com 79,5 milhões (sendo 3,7 milhões de venezuelanos), 85% vivendo em países em desenvolvimento. O Brasil atingiu o maior reconhecimento de pessoas em situação de refúgio, com 49.004 pessoas, de 60 nacionalidades. Apenas no primeiro semestre de 2020, o número cresceu sete vezes mais, comparado a dezembro de 2019.

As principais nacionalidades atendidas pelo serviço da Caritas Arquidiocesana em 2020 foram: venezuelanos (58%), colombianos (6%), congoleses (5%), sírios (5%) e angolanos (4%).

Perspectivas para 2021

Para este ano, o Serviço para Refugiados manterá o atendimento virtual e a entrega semanal de materiais. A entidade pretende, ainda, melhorar o monitoramento e controle sobre a quantidade possível de atendimentos diários.

“Daremos bastante atenção para aqueles serviços que auxiliam na integração da população atendida (educação, inserção laboral e empreendedorismo). Também é importante destacar que todo o trabalho desenvolvido na Caritas tem um custo e a captação de recursos é vital para manutenção desse histórico trabalho, o que também está entre nossas prioridades”, completou Abreu.

(Colaborou: Jenniffer Silva)

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