Celebração marca a abertura da assembleia arquidiocesana do sínodo

‘Hoje é a nossa vez de sermos luz de Cristo na cidade, sal e fermento dessa imensa massa humana’, disse o Arcebispo Metropolitano

Celebração marca a abertura da assembleia arquidiocesana do sínodo
Cardeal Scherer e participantes da celebração de abertura do sínodo arquidiocesano (fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O hino do 1o sínodo arquidiocesano de São Paulo ecoou pela Catedral da Sé na tarde do sábado, 7, entoado por padres, religiosos, bispos auxiliares e fiéis na celebração de abertura da assembleia sinodal arquidiocesana. 

“O sínodo é ocasião para olharmos para a realidade religiosa, evangelizadora e pastoral da nossa Igreja na cidade de São Paulo. Queremos ouvir o que Deus nos diz sobre a vida e a missão da nossa Arquidiocese”, destacou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, na saudação inicial. 

SINAIS DA FÉ E SÍMBOLOS DO SÍNODO

A celebração foi marcada por muitos sinais referentes à realização do 1o sínodo arquidiocesano e à fé dos cristãos, como a entrada do Círio Pascal e da vela sinodal; a entronização das bandeiras das regiões episcopais, vicariatos ambientais e da Arquidiocese, bem como de banners de santos e bem-aventurados que testemunharam a fé cristã na cidade de São Paulo, como São José de Anchieta, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, Santa Paulina, Beato Mariano de La Mata e a Beata Assunta Marchetti. 

Houve, ainda, a apresentação e acolhida do decreto de convocação da assembleia sinodal, do regulamento e do instrumento de trabalho do sínodo; e a entrada da Palavra de Deus e do Evangeliário. 

Celebração marca a abertura da assembleia arquidiocesana do sínodo

ÂNIMO RENOVADO

Dom Odilo, na homilia, manifestou sua alegria pela realização da celebração de abertura da assembleia sinodal arquidiocesana, após dois anos em que os trabalhos do sínodo ficaram muito restritos em razão da pandemia de COVID-19. 

Ao falar sobre a leitura do Evangelho (cf. Jo 21,1-19), em que os apóstolos, antes desanimados e desorientados com a crucifixão de Jesus, recobraram a alegria no reencontro com o Ressuscitado, o Arcebispo lembrou que também na Igreja de hoje pode haver momentos de crise, mas que os cristãos devem sempre testemunhar, com coragem e dedicação, a fé no Cristo. 

“Jesus Ressuscitado chama os apóstolos novamente a estarem com Ele, a caminharem unidos para a missão, e o fruto aparece logo. Igreja sinodal é o contrário da dispersão, da divisão e do desânimo. Na Igreja sinodal, experimenta-se novamente a força do Espírito Ressuscitado, que não abandona a Igreja, mas renova as suas forças na alegria”, ressaltou. 

UMA LONGA TRAJETÓRIA DE FÉ

Dom Odilo lembrou o itinerário do sínodo arquidiocesano, por ele convocado em 2017, e que teve as etapas nas paróquias, em 2018, e nas regiões episcopais e vicariatos em 2019. Em 2020, aconteceria a assembleia sinodal arquidiocesana, mas a pandemia inviabilizou sua realização. No entanto, nesse período, todos puderam se voltar para a busca do essencial na própria vida e na comunidade eclesial. Além disso, também a Igreja em todo o mundo iniciou um caminho sinodal, a partir da convocação do Sínodo Universal de 2023 pelo Papa Francisco. 

Ao recordar que santos, beatos, religiosos e muitos leigos já deram seu testemunho de fé na Arquidiocese, o Arcebispo comentou que hoje “temos a graça de ser herdeiros desse patrimônio espiritual, cultural e religioso da Igreja em São Paulo. Quem nos precedeu enfrentou as mil dificuldades do seu tempo; nenhuma época foi simplesmente propícia à vida da Igreja e ao testemunho cristão na cidade. Hoje é a nossa vez de ser luz de Cristo na cidade, sal e fermento dessa imensa massa humana, em que a força do Evangelho não pode faltar para humanizar a convivência e propor continuamente à cidade dos homens os grandes ideais e metas da ‘cidade de Deus’, a Jerusalém celeste”. 

ABERTOS À AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

Celebração marca a abertura da assembleia arquidiocesana do sínodo

O Arcebispo comentou, ainda, que o sínodo é um chamado à sincera e humilde escuta de Deus, em uma atitude de disponibilidade para acolher o que o Espírito Santo diz à Igreja em São Paulo, por meio da realidade eclesial, religiosa, social e cultural da cidade. 

Dom Odilo lembrou que o sínodo não produzirá efeitos imediatos e automáticos, mas que as propostas elaboradas pela assembleia sinodal deverão nortear a renovação dos planos e orientações pastorais e administrativas da Igreja em São Paulo. 

“O que esperamos é que o sínodo possa desencadear processos que levem, com o passar do tempo, a produzir frutos de comunhão, conversão e renovação missionária. Temos confiança na ação do Espírito Santo, que é o verdadeiro animador e guia do sínodo e da vida eclesial. Ele é que suscitará os frutos do sínodo a seu tempo, se formos as suas inspirações. Por isso, nós o invocamos com fé e fervor nesta abertura da assembleia sinodal. E o invocaremos a cada sessão da assembleia”, afirmou, recomendando que os fiéis tenham constante atitude de oração ao Espírito Santo pelo bom êxito do sínodo. 

A INTERCESSÃO DA VIRGEM MARIA E DOS SANTOS 

Após a homilia, os fiéis rezaram a Ladainha de Todos os Santos. Depois, houve a renovação das promessas do Batismo e a profissão da fé católica, momento em que o Círio Pascal e a vela do sínodo foram levados ao corredor central da Catedral da Sé e os fiéis acenderam as pequenas velas que tinham nas mãos. 

“Não se acende uma luz para escondê-la, mas para que todos vejam suas obras e façam brilhar a luz de Cristo em todos os cantos da cidade e trabalhos pastorais”, comentou o Cardeal. 

Os participantes da celebração também apresentaram ao Senhor preces para que o sínodo arquidiocesano seja iluminado e conduzido pelo Espírito Santo. 

Houve, ainda, a invocação ao Espírito Santo; a coleta, que foi destinada aos trabalhos caritativos da Missão Belém; a oração do Pai-nosso; além da entrega do sínodo à intercessão de Nossa Senhora; e a oração ao Patrono da Arquidiocese, o apóstolo São Paulo, para que “interceda por nós junto a Deus e, com seu exemplo, nos ajude a promover a nova evangelização na Arquidiocese”. 

A celebração foi concluída com a bênção de envio dos mais de 400 delegados da assembleia arquidiocesana, que, a partir de 4 de junho, participarão das sete sessões de trabalhos ao longo deste ano, uma por mês, aos sábados, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), na Vila Mariana. 

Delegados estão otimistas quanto à fase final do caminho sinodal 

A partir de 4 de junho, cerca de 400 delegados da assembleia arquidiocesana do sínodo, convocados pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, se reunirão mensalmente. 

Eles representam as diversas expressões e organizações da vida eclesial e pastoral da Arquidiocese: o clero, os leigos, os religiosos e os organismos eclesiais e pastorais. 

Irmã Helena Corazza, paulina, relatora-geral do sínodo arquidiocesano ao lado do Cônego José Arnaldo Juliano dos Santos, afirma que já estão sendo sintetizados os conteúdos enviados pelas paróquias a partir das pré-assembleias sinodais para que constem no relatório que será apresentado na primeira sessão da assembleia: “Há muitas coisas em comum nas respostas das paróquias: a necessidade de ser uma Igreja acolhedora e missionária; de diálogo entre as pastorais, de ser Igreja em saída; necessidade de formação. Estamos buscando as convergências dessas respostas e vamos agregar as informações ao que já há no primeiro relatório feito antes da pandemia”, detalhou. 

SENSIBILIDADE ÀS REALIDADES HUMANAS 

Integrante da Comissão de Coordenação Geral do sínodo, o Padre Marcelo Maróstica considera que o novo entendimento sobre a vida e as relações humanas durante o período de pandemia irá enriquecer as reflexões do sínodo arquidiocesano, assim como o fato de a assembleia sinodal arquidiocesana ocorrer em meio ao Sínodo Universal 2021-2023. “A própria proposta do Sínodo dos Bispos veio fortalecer o nosso sínodo arquidiocesano. Não são sínodos separados, pois a proposta é a mesma de caminhar juntos.” 

Sueli Camargo, coordenadora da Pastoral do Menor, participa do sínodo como uma das representantes do Conselho Arquidiocesano de Pastoral. Ela recordou que, antes da pandemia, houve grande adesão e participação dos membros das pastorais às etapas do sínodo, algo que tem se mostrado um pouco mais difícil agora, mas que continua sendo feito. 

Cônego José Bizon, Diretor da Casa de Reconciliação, destacou que o sínodo arquidiocesano também é ocasião para se pensar o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. “Se a palavra ‘sínodo’ significa caminhar juntos, nós, como Igreja Católica Apostólica Romana, precisamos também caminhar com os nossos irmãos e irmãs de outras denominações.” 

UMA IGREJA MAIS EVANGELIZADORA 

Também os leigos indicados pelo Arcebispo Metropolitano e pelos bispos auxiliares para a assembleia sinodal estão otimistas com os possíveis frutos do 1o sínodo arquidiocesano. 

“Eu pretendo me debruçar de uma forma muito profunda sobre todos os documentos até agora elaborados e que dão uma dimensão concreta da nossa Arquidiocese, para que no sínodo, com bastante espírito missionário, nós possamos encontrar soluções adequadas. Como disse Dom Odilo na celebração, uma luz a gente não esconde, a gente a expõe”, comentou João Vitor Lozano Jeronymo. 

Já Dalton Luiz de Luca Rothen espera que do sínodo resultem novos caminhos para a ação evangelizadora: “Acredito que pode haver uma organização mais efetiva da evangelização que leve à melhor propagação do Evangelho na cidade, pois o Evangelho tem força, tem vida, mas precisa ser anunciado de maneira sistemática”. 

Fazer com que a Igreja testemunhe ainda mais o Cristo é a expectativa de Maria Leonice da Silva Mariannini, uma das representantes dos leigos da Região Ipiranga. “Participar do sínodo é uma grande missão, que até dá medo, mas o Espírito Santo nos alegra e tira um pouco desse receio para que participemos a cada dia mais da Igreja e de todo o processo de evangelização.” 

Mariana dos Santos Souza estará na assembleia como uma das representantes dos leigos da Região Santana. Ela espera que neste itinerário sinodal “se retome aquilo que os antigos cristãos faziam: sentar todos em roda e partilhar o pão, ninguém sendo maior do que ninguém, com as vozes e dores de cada um sendo ouvidas, e que a partir do Pão da Vida, que é Jesus Cristo, possamos nos saciar e nos encher de esperança para transformar a sociedade”. 

VEJA OUTROS FOTOS DA CELEBRAÇÃO DE ABERTURA DA ASSEMBLEIA ARQUIDIOCESANA DO SÍNODO

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