Intervenção com dieta, exercícios e suplementação proteica aumentou massa muscular, reduziu gordura e glicemia e favoreceu a função cardiovascular, entre outros benefícios

Uma pesquisa da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP investigou os efeitos de uma estratégia integrada para tratar idosos com obesidade sarcopênica – a perigosa combinação entre excesso de gordura corporal e perda de massa e força muscular. Isso porque a restrição calórica, uma abordagem comum para reduzir o excesso de gordura, pode ter implicações negativas se aplicada isoladamente nesses pacientes.
O estudo analisou se a suplementação proteica, aliada a um programa de restrição calórica e treinamento físico, poderia potencializar melhorias na saúde cardiovascular e metabólica dessas pessoas. Os resultados indicaram que a combinação promoveu melhorias significativas na composição corporal dos participantes, com redução de gordura e aumento da massa muscular.
Além disso, a intervenção proposta trouxe benefícios no controle da glicose, na função vascular, na aptidão cardiorrespiratória e na redução da síndrome metabólica – acúmulo de fatores de risco que eleva chances de doenças como diabetes e AVC. A pesquisa de Alice Erwig Leitão, com orientação do professor Hamilton Roschel, mostrou que intervenções não farmacológicas são grandes aliadas no tratamento da obesidade sarcopênica, contribuindo de modo mais eficaz para o envelhecimento saudável.
Obesidade sarcopênica
Embora não seja exclusiva em idosos, os impactos da obesidade sarcopênica tendem a ser mais severos nesse público, aumentando o risco de doenças, hospitalizações e até mesmo de mortalidade. Com aumento alarmante nos últimos anos, a condição compromete seriamente as capacidades funcionais, a autonomia e a qualidade de vida, tornando-se um importante desafio para a saúde pública.
Nos idosos, a condição favorece a inflamação crônica e a resistência à insulina e também está relacionada à perda de mobilidade, maior fragilidade, quedas, hospitalizações e risco elevado de mortalidade.
“A alta prevalência, somada a seu potencial negativo para a saúde do idoso, como o aumento do risco de fragilidade, incapacidade funcional e comorbidades metabólicas, torna o tratamento da obesidade sarcopênica uma prioridade para promover um envelhecimento com melhor qualidade de vida”, comenta a pesquisadora.
Intervenções combinadas
Diversas pesquisas têm investigado estratégias não farmacológicas para ajudar no combate à doença. Entre elas está a restrição calórica, que contribui para a redução do excesso de gordura e para a melhora metabólica. O treinamento físico, especialmente a combinação entre musculação e exercícios aeróbicos, também é um método consolidado ao ajudar a preservar e aumentar a massa muscular. O que o estudo investigou foi se a suplementação proteica poderia potencializar esses ganhos, favorecendo a síntese muscular e o ganho de força.
Participaram da pesquisa 105 idosos, de ambos os sexos, com 65 anos ou mais, apresentando obesidade sarcopênica. Os voluntários foram acompanhados ao longo de 16 semanas e divididos aleatoriamente em três grupos – controle, que não participou de nenhuma intervenção; placebo, que executou o treinamento físico e a restrição calórica, mas com a suplementação de substância placebo (sem efeito); e o grupo proteína, que realizou a dieta, os exercícios físicos e recebeu a suplementação proteica.
Tanto o grupo placebo quanto o grupo que recebeu a proteína seguiram um plano alimentar com redução controlada de calorias, visando à perda de gordura corporal sem comprometer a saúde. Paralelamente, os participantes desses grupos realizaram um treinamento físico supervisionado, combinando exercícios aeróbicos em esteira e exercícios de força que aumentaram progressivamente em relação ao número de séries, repetições e intensidade.
No grupo que recebeu todas as intervenções, os voluntários consumiram diariamente 30 g de proteína por meio de suplementação – o ponto central do estudo para avaliar seus efeitos adicionais na obesidade sarcopênica. Todos os participantes foram avaliados antes e após o período de intervenção, permitindo acompanhar a evolução dos participantes e o impacto das estratégias adotadas.
Os achados do estudo demonstraram que a combinação das estratégias trouxe benefícios significativos para os idosos com obesidade sarcopênica. Em comparação com o grupo controle e com o grupo placebo, os participantes que receberam o adicional da suplementação proteica tiveram melhores resultados na composição corporal, apresentando redução de gordura e aumento de massa muscular.
Também foram observados avanços expressivos no controle glicêmico, na saúde metabólica, na aptidão cardiorrespiratória e na função vascular. Ou seja, a suplementação proteica foi capaz de amplificar os efeitos da dieta e dos exercícios físicos, promovendo ganhos mais consistentes.
As evidências encontradas mostram que é possível implementar uma intervenção segura e altamente eficaz para pessoas com obesidade sarcopênica – baseada em estratégias já conhecidas, mas aplicadas de forma integrada. Trata-se de um avanço importante que contribui para o aumento da autonomia, da disposição e da qualidade de vida dos idosos.
“Essas abordagens não farmacológicas não só melhoram os parâmetros relacionados à obesidade, mas também promovem adaptações significativas na saúde cardiovascular – benefícios são especialmente importantes para populações em risco de fragilidade/incapacidade”, conclui a pesquisadora.
Fonte: Jornal da USP




