
A comunidade peruana residente em São Paulo se reuniu na Catedral da Sé, no domingo, 18, para celebrar a festa do Señor de los Milagros (Senhor dos Milagres), uma das mais importantes expressões da religiosidade popular do Peru. A missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e seguida de uma procissão pelas ruas do centro da capital.
Participaram da celebração o cônsul-geral do Peru em São Paulo, Luis Armando Monteagudo Pacheco; o cônsul-adjunto, Carlos Alberto Ríos; a cônsul-geral do Equador, Elisa Nataly Jarrin; e integrantes da Irmandade do Senhor dos Milagres, responsável pela preservação e difusão dessa tradição na cidade.
A FÉ QUE UNE OS POVOS

Na homilia, Dom Odilo destacou a alegria de acolher a comunidade peruana justamente no Dia Mundial das Missões, ressaltando o caráter universal da Igreja, que reúne povos de diferentes origens em uma mesma fé.
“A Igreja presente em todo o mundo se faz também uma comunidade unida em oração”, afirmou, recordando a mensagem do Papa Leão XIV para a data, intitulada “Um em Cristo, unidos na missão”.
O Arcebispo enfatizou que a missão evangelizadora é responsabilidade de todos os batizados e se concretiza no testemunho cotidiano da fé, especialmente por meio da caridade, da misericórdia e da promoção da dignidade humana.
“A missão da Igreja não é feita por alguns poucos solitários evangelizadores. A missão da Igreja é de toda a Igreja”, salientou. O Cardeal também disse que a unidade e a comunhão entre os cristãos são fundamentais para a credibilidade do anúncio do Evangelho.
TRADIÇÃO E FRATERNIDADE

Ao final da missa, o cônsul-geral do Peru recordou o significado religioso e cultural da celebração para os peruanos que vivem fora de seu país.
“A sagrada imagem representa a esperança, a união e a fortaleza de milhões de fiéis que nela encontram consolo e proteção”, disse Monteagudo Pacheco, ressaltando que a devoção ultrapassou as fronteiras peruanas e se tornou uma das maiores manifestações públicas da fé católica no mundo.
O diplomata agradeceu a Dom Odilo pela retomada, após muitos anos, da procissão entre a Catedral da Sé e a Igreja Nossa Senhora da Consolação. Também reconheceu o trabalho da Irmandade do Senhor dos Milagres, que há 16 anos mantém viva essa tradição em São Paulo.
Outro aspecto destacado foi a presença, no verso do andor, da imagem de Nossa Senhora das Nuvens, devoção mariana originária do Equador e incorporada à tradição processional peruana no século XVIII. Para o cônsul, essa presença representa um vínculo espiritual entre os dois países e recorda que “a fé não conhece fronteiras”.
DEVOÇÃO SECULAR

A devoção ao Senhor dos Milagres surgiu por volta de 1650, no bairro de Pachacamilla, em Lima, quando um escravo de origem angolana pintou a imagem de Cristo crucificado em um muro de adobe.
Em 1655, um forte terremoto devastou parte da cidade, mas o muro permaneceu intacto. Outros fenômenos naturais, especialmente em 1687, reforçaram a veneração popular à imagem, que passou a ser conhecida como do Senhor dos Milagres.
Desde então, a devoção se difundiu pelo Peru e por diversos países, especialmente entre comunidades de imigrantes peruanos, que celebram a festa tradicionalmente em outubro.
Em São Paulo, o andor foi levado da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, sede da irmandade, até a Catedral da Sé. Após a missa, os fiéis percorreram em procissão as ruas do centro, conduzindo a imagem de volta à Paróquia, em uma manifestação pública de fé, identidade cultural e fraternidade.



