Dom Odilo preside missa pelos 80 anos da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho

Instituída em 16 de março de 1941, igreja é sinal da fé, esperança e caridade cristã no Alto da Mooca

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No domingo, 25, o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, presidiu missa de ação de graças pelos 80 anos da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, no Alto da Mooca, na zona Leste da capital paulista.

A celebração, que coincidiu com o 4° Domingo da Páscoa, foi concelebrada pelo Pároco, Padre Gildásio Lima Tanajura, pelo Vigário Paroquial, Padre José Aguiar Nobre, e pelo Padre José Ferreira Filho.

Seguindo a fase de transição nas medidas restritivas para conter a COVID-19, a igreja teve 25% dos seus bancos ocupados pelos paroquianos que agendaram a presença previamente. A solenidade foi transmitida pelas mídias sociais da Paróquia.

HÁ OITO DÉCADAS PARTILHANDO FÉ

A Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho foi instituída em 16 de março de 1941 pelo segundo Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva.

Ela é assistida pelos Padres e Irmãos Estigmatinos da Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, que têm por lema o auxílio aos bispos. A Congregação foi fundada em 1816 por São Gaspar Bertoni, em Verona, na Itália. Os primeiros Missionários Estigmatinos chegaram ao Brasil em 1910.

Padre Vitório Nardon foi o primeiro Pároco da Igreja do Bom Conselho da Mooca. Nascido na Itália, ele chegou ao Brasil em 1936 e, antes de assumir a missão na capital, atuou no interior do estado de São Paulo.

A devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho teve início no século XV, na Albânia. Na época, o pequeno país europeu estava em guerra com os turcos (otomanos). Devotos da Virgem Maria, os albaneses tiveram as preces atendidas ao se prostrarem diante da imagem para pedir a graça de escapar com segurança de uma invasão turca.

Da Albânia, a devoção chegou à Genazzano, cidade italiana, onde milagrosamente apareceu numa capela a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus. Não demorou muito para que esse e outros milagres se espalhassem pelo mundo. No Brasil, a devoção foi difundida pelos Padres e Irmãos Estigmatinos, em especial no bairro da Mooca, onde a Igreja está localizada.

A VIDA PASTORAL EM MEIO À PANDEMIA

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Ao longo das oito décadas, com exceção deste período de pandemia, todo ano a Paróquia mobiliza os devotos para realizar a festa da Padroeira, celebrada em 26 de abril.

“É onde, com alegria, todos se reúnem com barracas, comidas típicas e com shows ao vivo para festejar a Padroeira da Mooca. Hoje, precisamos nos distanciar, mas em breve estaremos novamente unidos”, relembrou o administrador de empresas Adriel Mota, 49, que participa da vida pastoral da igreja há 40 anos.

Mota lembra que a Paróquia é o ponto de encontro dos moradores da Mooca e reforça a importância de se viver em comunidade. “Pela igreja, o homem se faz comunidade, aprende o significado da união e assim fazemos juntos, em oração, a partilha eucarística e litúrgica, pela qual se faz nascer a cada um a esperança, o alívio no fardo diário da vida, um respeito mútuo de amor e caridade.”

Em 2018, Padre Gildásio assumiu como Pároco. Ele apontou que a Paróquia passa por um processo de renovação da Catequese, que foi iniciada no mesmo ano pelo seu antecessor, Padre Jordélio Siler Ledo.

“Cada turma tem, no mínimo, dois catequistas. Eles estão fazendo um trabalho mais interativo de iniciação à vida cristã. Desde 2020, tudo ocorre on-line e há boa presença e assiduidade. As crianças estão se envolvendo. Temos catequistas bem criativos nesse trabalho”, comenta o Pároco.

O Pároco destacou, também, o trabalho de caridade que vem sendo desenvolvido com a contribuição da comunidade. “A caridade é a identidade do Cristianismo e aqui foi intensificada, ampliada de três a quatro vezes de 2018 para cá; ainda mais com o pedido do Cardeal para que as pessoas doem alimentos, porque tem muita gente passando fome”, disse o Padre. “Estamos até enviando carros repletos de alimentos para outras paróquias, porque não temos dado conta de distribuir (tudo o que recebemos).”

A importância da memória

Dom Odilo deu início à celebração convidando todos a continuar vigilantes às medidas de prevenção contra a COVID-19. “O perigo ainda não passou. Temos que continuar atentos às orientações e medidas preventivas que nos são dadas para evitar o contágio, e, assim, evitar que os outros e nós fiquemos doentes. Portanto, cuidar de nós e dos outros também.”

O Cardeal acrescentou que todos devem rezar todos os dias pelos enfermos e suas famílias e, também, pelos falecidos e famílias enlutadas, exercendo assim a solidariedade espiritual.

Ao mencionar os 80 anos da Paróquia, o Arcebispo agradeceu aos Padres e Irmãos Estigmatinos “que desde o começo fazem parte desta história e têm se dedicado para cultivar a Igreja e a fé, fazendo o papel do bom pastor no meio das ovelhas”.

Sobre as oito décadas de história, Dom Odilo destacou: “Nossas memórias são a base sobre a qual construímos o presente. Ter a memória da nossa história, da Igreja e da Paróquia é importante para não esquecermos que não fomos os primeiros. Antes de nós, outros trabalharam”, reforçou. “Hoje, estamos aqui usufruindo dessa Igreja, mas quem ajudou a construí-la foi a geração passada. Recordar é importante para não perdermos as raízes”, complementou.

O Arcebispo acrescentou que hoje “somos nós os construtores dessa história”. E devemos ser fiéis, perseverantes e não desanimar diante das dificuldades. “A Igreja de Cristo é feita justamente das comunidades de fé que vivem, realizam, testemunham a fé, celebram, evangelizam e assim por diante. Que fazem a sua parte na sociedade a partir da motivação da sua fé.”

Domingo do Bom Pastor

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Refletindo o Evangelho do dia (Jo 10,11-18) que fala sobre o papel do pastor, Dom Odilo reforçou que “Cristo é o Pastor que deu a vida por toda ovelha, por toda a humanidade. Ele entregou a vida para que nós tenhamos vida”.

O Cardeal pontuou que “Jesus é o Bom Pastor que se apresenta em oposição ao mau pastor”. Também advertiu que ser bom pastor não é ser bonzinho. “Significa, antes de tudo, pastor verdadeiro, aquele que, de fato, se interessa pelas ovelhas, as defende e as procura.”

Salientando que todos fazem parte do rebanho de Deus, pois são Seus filhos e Ele não quer que ninguém se perca, Dom Odilo frisou que, mesmo nesse momento em que tanta gente está angustiada, se sentindo sozinha no mundo e sem horizonte, “não estamos abandonados. Deus olha por nós e cuida de nós, mesmo quando parece que não. Ele está sempre perto. Devemos celebrar a comunhão com Deus. Ele quer vir ao nosso encontro”.

Lembrando que o sacerdote recebe o chamado, o dom de ser pastor em nome de Jesus Cristo, o Arcebispo convidou a todos a rezar, não apenas nesse 4o Domingo da Páscoa, mas todos os dias pelas vocações sacerdotais e religiosas. “Sejamos cuidadores um dos outros, não só na questão da saúde, mas também da fé”, concluiu.

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