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Dom Odilo Scherer dedica a igreja e consagra o altar da Paróquia Santa Cândida

‘Uma pedra sozinha não faz o templo, mas cada pedra é importante para formar o conjunto’, disse o Arcebispo

Dom Odilo Scherer dedica a igreja e consagra o altar da Paróquia Santa Cândida - Jornal O São Paulo
Dom Odilo Scherer unge com o óleo do Santo Crisma o altar da igreja matriz da Paróquia Santa Cândida, no domingo, 20
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

No itinerário com vistas a celebrar seus 70 anos de história, a Paróquia Santa Cândida, na Região Ipiranga, viveu um momento de júbilo e de ação de graças a Deus, no domingo, 20, com a dedicação da igreja matriz e a consagração de seu altar, em missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, tendo entre os concelebrantes Dom Celso Alexandre, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga.

Na homilia, o Arcebispo Metropolitano de São Paulo ressaltou que a dedicação do templo vai além das paredes da igreja: “Nós é que somos o templo de Deus, a Igreja viva que é testemunha de Sua presença. Esta dedicação também é um compromisso de filhos de Deus com sua missão salvadora”.

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Ao comentar as leituras proclamadas no 25º Domingo do Tempo Comum, Dom Odilo recomendou que o povo de Deus tivesse “fome da Palavra, buscando-a sempre que possível na igreja, lugar onde ela ecoa, para que caia nos corações que estão fora do templo”. A partir dessa imagem, convidou os fiéis a serem testemunhas da acolhida e lembrou que a Igreja deve ser “uma casa aberta a todos”.

O Arcebispo também lembrou que “uma pedra sozinha não faz o templo, mas cada pedra é importante para formar o conjunto. Isso é comunhão porque todas as pedras juntas fazem o templo e cada pedra ficando firme deixa todo o templo firme também”.

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UM CHAMADO DIVINO

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Padre Anderson Marçal, Pároco desde 2020, revelou um episódio que o inspirou a se empenhar pela dedicação do templo: “Um dia, acordei no meio da madrugada escutando barulhos estranhos. Não consegui identificar de onde vinham os sons e resolvi voltar para a cama, e escutei a voz serena e doce de Deus me dizendo: ‘Este lugar ainda não me foi dedicado’”.

“Depois daquela manhã, investiguei a história, procurei documentos e conversei com os bispos, inquietado por aquela frase que não saía do meu coração. Hoje, três anos depois, posso ver que Deus faz tudo no seu tempo, e a realização desta dedicação, precisamente no dia da padroeira, é a prova disso”, avaliou o Sacerdote.

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O RITO DE DEDICAÇÃO 

A liturgia de dedicação começou após a saudação inicial do Arcebispo, quando ele abençoou a água e a aspergiu sobre os fiéis, nas paredes da igreja e no altar. Depois do “Glória”, Dom Odilo colocou o Lecionário sobre o ambão e entregou ao Pároco o Livro dos Evangelhos.

Após a homilia e a profissão de fé, entoou-se a Ladainha de Todos os Santos. Na sequência, foram depositadas sob o altar as relíquias de Santa Cândida, Santa Felicidade de Roma, São João Bosco, Santo Humberto de Liége e da mártir Beata Albertina. Depois, ocorreu o momento central do rito, com a prece de dedicação, seguida da unção do altar com o óleo do Santo Crisma, tornando, assim, o altar símbolo de Cristo, o ungido por excelência. Também foram ungidas as 12 cruzes nas paredes.

Posteriormente, houve a incensação do altar e da igreja, com a queima do incenso sobre o altar. Em seguida, foram incensados o povo e as paredes. Passou-se, então, ao revestimento do altar, e, por fim, ao acendimento das velas que o ladeiam e aquelas que estão junto às 12 cruzes.

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UM TEMPO DE RECONSTRUÇÃO

A Paróquia Santa Cândida foi erigida canonicamente em 20 de novembro de 1957, estando inicialmente sob os cuidados dos padres da Congregação de Nossa Senhora de Sion. 

No início, porém, o espaço tinha também outra função: acolhia sacerdotes que vinham a São Paulo para estudar ou lecionar, que resultava em uma grande rotatividade de padres e dificultava a continuidade do trabalho pastoral e a criação de vínculos duradouros com os fiéis. Com isso, a Paróquia Santa Cândida demorou a consolidar uma comunidade própria e uma vida pastoral mais estruturada.

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Em fevereiro de 2020, quando os Padres Anderson Marçal e João Gualberto, Vigário Paroquial, ambos da Comunidade Canção Nova, chegaram à Paróquia, havia poucas pastorais e algumas dezenas de participantes. Um desafio foi-lhes colocado pelo Cardeal Scherer: que “abrissem a igreja”. Entretanto, apenas 40 dias depois, a pandemia de COVID-19 levou a profunda restrições das atividades presenciais, incluindo a participação dos fiéis nas missas. 

Diante disso, a Paróquia intensificou a transmissão das celebrações e das adorações eucarísticas pelos canais digitais, alcançando, assim, não apenas os paroquianos, mas também pessoas de diferentes pontos de São Paulo e de outras cidades. 

Quando houve a plena retomada das atividades presenciais, após a fase mais intensa da pandemia, uma nova comunidade começou a se formar. Atualmente, a Paróquia Santa Cândida conta com uma estrutura pastoral ampla, missas com grande participação e uma programação frequente de atividades. 

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COMUNIDADE VIVA E ATUANTE

A transformação também pode ser percebida no espaço físico. Nesse período, o estacionamento foi pavimentado, o teto e a torre, que apresentavam problemas estruturais, foram reformados e instalou-se novos sinos. A casa paroquial e o centro catequético também foram completamente reformados, os bancos da igreja substituídos e, recentemente, a parte externa da comunidade recebeu nova pintura.

Para quem acompanha de perto a vida da Paróquia, porém, a principal transformação está nas pessoas. Neuza Tarallo, zeladora da igreja matriz e paroquiana há seis anos, destaca a mudança que mais lhe trouxe alegria: “A igreja não tinha jovens. Hoje são quase 100 engajados em muitas pastorais, e isso faz a gente sentir a vida da igreja fluindo”.

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Neuza avalia que a dedicação do templo expressa o sentido da própria comunidade: “Deus criou a Igreja com esse desígnio, de unir as pessoas para que elas encontrassem aqui o suporte e a contribuição que, às vezes, não têm em casa. Poder servir na Paróquia é a confirmação do meu ‘Eis-me aqui’”.

A experiência de Camila Corrêa revela como a vida comunitária também se tornou uma catequese cotidiana para seus filhos: “Samuel, com 3 anos, foi com a avó até a imagem de Nossa Senhora e rezou espontaneamente pela família e pelos amigos. Não ensinamos ele a fazer isso, aprendeu vivendo aqui com a comunidade”.

Padre Anderson revela profunda satisfação com o atual momento da Paróquia: “Eu sinto muita alegria ao olhar para trás e ver o que Deus fez por meio de nós. Quando cheguei, tive de ‘puxar’ a comunidade. Agora, sou eu ‘quem corre atrás’, porque ela se desenvolveu e caminha com dedicação, sempre fazendo o melhor para Deus”. 

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MAIS UM MOTIVO PARA COMEMORAR

Antes da bênção final, o Pároco fez muitos agradecimentos, especialmente a Dom Odilo, já o cumprimentando pelos 77 anos, completados pelo Arcebispo no dia seguinte. O Padre convidou a assembleia de fiéis a cantar parabéns ao aniversariante e pediu que todos rezassem pela vocação de Dom Odilo.

O Cardeal agradeceu a homenagem e recomendou que, à luz do exemplo de Santa Cândida, a comunidade se fortaleça sempre mais no serviço e na entrega a Deus.

A Paróquia Santa Cândida está localizada na Avenida Dr. Ricardo Jafet, 769, no Ipiranga. Saiba mais detalhes pelas redes sociais: @santacandidasp

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