Em Santana, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus tem igreja e altar dedicados

Cardeal Scherer unge com o óleo do Crisma o altar da igreja matriz da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, durante rito de dedicação (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidiu no sábado, 30 de janeiro, a missa com o rito de dedicação do altar e da igreja matriz da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, na Região Episcopal Santana.

O templo, inaugurado há 93 anos, faz parte do complexo mantido pelos padres da Pia Sociedade de São Francisco de Sales (Salesianos), na zona Norte, onde funciona um colégio e um centro universitário.

Igreja viva

“Vocês têm a oportunidade única de participar desta celebração muito rica de significados. A dedicação de um templo é para nós a recordação daquilo que somos como Igreja”, afirmou Dom Odilo, na homilia, referindo-se ao trecho da segunda leitura dessa missa, tirada da Primeira Carta aos Coríntios, na qual São Paulo destaca que o povo é a construção, o santuário vivo de Deus.

“Os simbolismos, sinais e palavras deste rito colocam em evidência a Igreja do Deus vivo, das pessoas, a comunidade que o acolhe com fé e o adora em espírito e em verdade, como Jesus afirma no Evangelho [Jo 4,19-24] no encontro com a samaritana, como acabamos de ouvir”, acrescentou o Arcebispo.

Dom Odilo ressaltou, ainda, que Deus não precisa de casa, pois Ele habita o mundo inteiro, mas “nós precisamos de casa para Deus, de um lugar onde encontrá-lo”, afirmou, acrescentando que os templos fazem parte do testemunho da presença divina nas cidades.

O Cardeal enfatizou que nas igrejas a família de Deus se reúne ao redor do altar, a mesa na qual se atualiza o sacrifício de Cristo e se celebra o banquete eucarístico, lugar onde se inicia o caminho da vida cristã, recebe-se o consolo, o conforto, o perdão e a misericórdia de Deus.

(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

História

A Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus tem sua origem em 1918, quando os Salesianos adquiriram uma chácara no Alto de Santana, onde construíram, em primeiro lugar, um campo de futebol e um galpão para os alunos do Liceu Coração de Jesus, localizado em Campos Elísios, passearem e brincarem.

Em 1924, começou a ser construída uma igreja votiva de Santa Teresinha, para cumprir um voto feito pelo Padre Luiz Marcigaglia, então Diretor do Liceu, em agradecimento pela proteção recebida durante a Revolução de 1924. A capela foi inaugurada em 4 de abril de 1927. Em 27 de outubro de 1940, foi criada a Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, tendo esse templo como matriz.

Pároco há três anos, Padre Sílvio César da Silva explicou ao O SÃO PAULO que a igreja não possuía um altar fixo no presbitério. Por isso, houve a iniciativa de confeccioná-lo e pedir que o Arcebispo o dedicasse, assim como a igreja, que ainda não havia passado por esse rito.

Dignidade do templo

Antes do Concílio Vaticano II, o rito de dedicação das igrejas e altares era comum nas catedrais e grandes santuários assim que eram inaugurados ou tinham suas obras concluídas. Após o Concílio, esse rito se estendeu às demais igrejas, inclusive as que já estavam em funcionamento há mais tempo, para ressaltar a dignidade do templo e a sacralidade do lugar de culto.

“Para a nossa comunidade, é um momento muito bonito, que dá um sentido ainda maior para este espaço litúrgico que une a Igreja”, expressou o Pároco, sublinhando que a riqueza do rito de dedicação é como uma verdadeira catequese sobre a casa de Deus e seu povo.

Rito de dedicação da igreja e do altar

Aspersão – O rito de dedicação é marcado por diversos símbolos e gestos. O primeiro deles é a aspersão com água benta sobre o povo, templo espiritual. Depois, asperge-se as paredes da igreja e o altar.

Relíquias – Após a liturgia da Palavra, depois da invocação da ladainha de todos os santos, são depositadas no altar as relíquias de santos e mártires, para significar que o sacrifício dos membros do corpo de Cristo teve a sua origem no sacrifício daquele que é a cabeça. Nesse caso, foram colocadas as relíquias de São João Bosco, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão e da jovem mártir brasileira Beata Albertina Berkenbrock.

Prece de Dedicação – O celebrante profere uma oração na qual manifesta a intenção de dedicar o templo a Deus para sempre, pedindo a sua bênção. “Que aqui os pobres encontrem misericórdia, os oprimidos alcancem a verdadeira liberdade e todos sintam a dignidade de ser vossos filhos e filhas, até que, exultantes, cheguem à Jerusalém celeste”, diz um trecho da prece.

Unção – O altar e as paredes da igreja são ungidos com o óleo do Crisma. Pela unção, o altar se torna o símbolo de Cristo, que é o “Ungido” por excelência com o Espírito Santo. Já a unção da igreja, feita nas 12 cruzes fixadas nas paredes (em templos de dimensões menores isso se faz em quatro cruzes), em recordação dos apóstolos, sinaliza que o templo é perpetuamente de- dicado ao culto cristão.

Incenso – Após a unção, é queimado incenso sobre o altar, para significar que o sacrifício de Cristo “sobe para Deus em odor de suavidade”; mas também para exprimir que as orações dos fiéis sobem até o trono de Deus. Também toda a igreja é incensada, sinalizando que aquela é uma casa de oração, assim como o povo, templo vivo.

Revestimento e Iluminação – Por fim, o altar é revestido como sinal de que aquele é o lugar do sacrifício eucarístico e a mesa do Senhor, em volta da qual o sacerdote e os fiéis celebram o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Em seguida, o altar é iluminado com velas, para recordar que Cristo é “luz para a revelação aos povos” e com sua claridade resplandece a Igreja. O templo também é iluminado simbolicamente com velas colocadas junto às cruzes que foram ungidas.

Eucaristia – Preparado o altar, é celebrada a Eucaristia, parte principal e a mais antiga de todo o rito de dedicação de uma igreja.

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