Eucaristia: encontro pessoal e insubstituível com Deus

Especial do O SÃO PAULO destaca a centralidade do sacramento da Eucaristia na vida dos cristãos

Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Sacramento que “alimenta o discípulo com o Corpo e o Sangue de Cristo em vista de sua transformação nele” (Catecismo da Igreja Católica, 1275), a Eucaristia é ponto central da vivência da fé cristã.

Ao longo da atual pandemia, porém, diante das recomendações para a restrição de atividades presenciais, muitos católicos deixaram de ir à missa e, assim, de receber este sacramento, embora tenham acompanhado as celebrações transmitidas pela tevê, rádio e plataformas digitais.

“Aceitamos a distância do altar do Senhor como um tempo de jejum eucarístico, útil para redescobrir a importância vital, a beleza e a preciosidade incomensurável. No entanto, assim que possível, é necessário voltar à Eucaristia com um crescente desejo de encontrar o Senhor, de estar com Ele, de recebê-lo para levá-lo aos irmãos com o testemunho de uma vida cheia de fé, de amor e de esperança”, escreveu, em setembro de 2020, às conferências episcopais, o Cardeal Robert Sarah, então prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Na carta, que teve seu conteúdo aprovado pelo Papa Francisco, o Cardeal Sarah alerta que apenas acompanhar as missas remotamente pode levar ao “risco de nos afastar de um encontro pessoal e íntimo com o Deus encarnado, que se entregou a nós não de forma virtual, mas sim, dizendo: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele’ (Jo 6,56). Esse contato físico com o Senhor é vital, indispensável, insubstituível”.

A falta do essencial para a vida

Tiago Araújo Rocha e família

Nas primeiras semanas após a chegada do coronavírus ao Brasil, o coordenador de cobrança Tiago Araújo Rocha, 38, deixou de ir regulamente às missas no bairro onde mora, em Engenheiro Goulart, na zona Leste de São Paulo, e passou a assistir às missas pela tevê, sempre ao lado da es- posa, Regina Aparecida Gonçalves Rocha, e dos filhos Miguel, 8, e Alice, 6, com os quais tem uma rotina diária de oração.

“Passados dois meses, eu já estava com um sentimento de que algo estava faltando, era como a falta de um alimento que faz toda a diferença no dia a dia”, recordou ao O SÃO PAULO. Rocha, então, procurou um local onde pudesse participar das celebrações e tem ido à Paróquia Santa Generosa, na Região Episcopal Sé, aos domingos, com a família, e, durante a semana, ao menos uma vez, individualmente.

“A Comunhão constante faz com que eu tenha uma intimidade maior com Deus, pelo ato concreto de me alimentar do corpo de Cristo, sendo fortalecido espiritualmente. Sem a Eucaristia, falta a essência que me fortalece espiritualmente, principalmente em um momento como este, de dificuldade em todo o mundo”, destaca.

Rocha afirma que nessa Paróquia e em outras às quais se dirigiu desde o início da pandemia percebeu um extremo respeito às medidas recomendadas pelas autoridades de saúde contra a COVID-19. “Todos os protocolos estão sendo seguidos pela Igreja. Quem pode, deve voltar às missas. É incomparável o benefício de se colocar na presença de Deus e adorá-lo no sacrário”, assegura.

‘Nada é mais importante do que ter este tempo para o Senhor’

Dr. Ives Gandra da Silva Martins

Há 50 anos, o renomado jurista Ives Gandra da Silva Martins, 86, participa da Santa Missa diariamente: durante a semana e aos sábados, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, e aos domingos na Capela do Colégio Sion, ambas na Região Episcopal Sé.

“Nada é mais importante na minha vida do que, diariamente, ter este tempo para o Senhor”, conta o fundador e presidente emérito da União dos Juristas Cató- licos de São Paulo (Ujucasp), ressaltando o papel de sua esposa, Ruth Vidal, falecida em janeiro, aos 86 anos, para que ele nunca tenha se afastado da fé católica.

Durante a fase mais extrema da pandemia, com restrições para a participação presencial dos fiéis nas celebrações, a Paróquia que o doutor Ives frequenta abriu a possibilidade de que os fiéis que iam regularmente às missas assistissem às celebrações pela tevê e, ao longo do dia, recebessem o sacramento da Eucaristia na própria igreja. “Assistir à missa pela tevê não é a mesma coisa que ter o próprio Deus dentro de nós a partir do Santíssimo Sacramento recebido na hóstia consagrada”, enfatiza.

Sobre o significado da Eucaristia em sua vida, doutor Ives recorda o que afirmou certa vez a juristas em um evento sobre o que consta na Constituição federal a respeito do sistema financeiro nacional. “Lembro-me de ter dito: Tenho a impressão de que, por mais que os bancos lucrem, eu sou sempre um cidadão que lucra mais. Afinal, qual é o banco que, em se dando meia hora do dia para Deus, recebe-se em troca 23 horas e 30 minutos de proteção, o próprio Cristo dentro do coração, por meio da Eucaristia? Algum investimento rende tanto quanto isso?”, recorda.

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