Fé, alegria e macarronada à mesa: um domingo diferente no Seminário de Filosofia

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na cozinha, o fogão “não teve descanso”. Nos corredores, nas áreas abertas, nas salas de estudo, no refeitório e até na biblioteca, o silêncio comum do lugar foi substituído pelo riso entre amigos e o barulho dos pratos e talheres. Sim, o domingo, 28 de agosto, foi diferente do habitual no Seminário de Filosofia Santo Cura D’Ars, com a realização da Macarronada do Seminário. 

A atividade, promovida desde 2016, não ocorreu nos dois últimos anos em razão da fase mais aguda da pandemia de COVID-19. O retorno em 2022 foi em “grande estilo”, com a participação de mais de 400 pessoas, incluindo familiares dos seminaristas, amigos e grupos de paróquias que foram almoçar no Seminário, após a missa das 11h na Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus, na Vila Albertina, na zona Norte, localizada no mesmo complexo dessa casa de formação. 

“Esse evento acaba divulgando o Seminário como um todo. As pessoas vêm conhecer o local, muitas não sabiam até então como a formação acontece, onde os seminaristas estudam e por quanto tempo”, detalhou, ao O SÃO PAULO, o Padre Frank Antônio de Almeida, Reitor. 

Atualmente nessa casa de formação vivem 25 seminaristas, da etapa do Discipulado, período em que cursam os três anos da faculdade de Filosofia e aprofundam a dimensão do sacerdote como discípulo de Cristo. “Com a graça de Deus, é um número bom de seminaristas, mas precisamos de muito mais, por isso peço que todos rezem pelas vocações”, expressou o Reitor, que vive no Seminário junto com os seminaristas e o Cônego José Adriano, Diretor Espiritual. 

PROXIMIDADE 

Para muitos dos visitantes, estar em um seminário foi uma experiência inédita, como para o irmão e dois amigos do seminarista Rafael Manente. 

“O que mais me encantou, já na missa, foi a sensação de leveza do ambiente”, contou Mariana Voci, amiga de Rafael. “Vi que aqui é um lugar simples e com muita natureza em volta. É um ambiente que nos ajuda na conexão com Deus”, completou o também amigo, Paulo André. “Fiquei muito surpreso com o que vi. A casa é muito bonita”, afirmou Gabriel Manente, irmão. 

O pai, João Cláudio Manente, que já tinha estado nessa casa de formação, também se mostrou surpreso: “Hoje, o que me chamou a atenção é a alegria dos seminaristas, do padre reitor, de todos. É muito bacana ver esse clima de felicidade e de pertencimento”. 

Em outra mesa, um grupo da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, da Região Sé, incluindo o Pároco, Padre Ricardo Cardoso Anacleto, aproveitou o evento para confraternizar pelo Dia do Catequista: “A comida é deliciosa e a casa muito acolhedora, um lugar de paz. Viemos com algumas catequistas para que também possam conhecer melhor este lugar de formação dos futuros padres”, afirmou Débora Oliveira, coordenadora paroquial da Catequese infantil. 

EXPERIÊNCIA EDIFICANTE 

Para que tudo saísse como planejado, a Macarronada no Seminário começou a ser pensada em março, quando houve a divisão de tarefas entre os seminaristas, incluindo a busca por doações. Nos dias anteriores ao evento, muitas horas foram dedicadas para decorar e organizar os ambientes e para preparar o macarrão, os molhos, as coxas e sobrecoxas de frango, as saladas e as sobremesas. 

Na cozinha, ao menos 15 voluntários trabalharam no dia da Macarronada, e funcionários do Seminário e os seminaristas também “colocaram a mão na massa”. Alguns participaram pela primeira vez de algo assim, como foi o caso do seminarista Luís Henrique Rodrigues de Lima, 21, do 3º ano de Filosofia, coordenador-geral dos trabalhos da Macarronada. 

“Foi tudo muito novo pra mim e pude observar coisas boas. A festa da Macarronada, além de ajudar o Seminário financeiramente, alcança, sobretudo, a vocação e a formação dos futuros padres. Quando eu, no futuro, me tornar padre, terei uma noção de como organizar trabalhos em comunidade, de como ter um espírito de liderança”, comentou o seminarista Luís Henrique. 

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