Membros do Conselho Metropolitano de São Paulo da Sociedade São Vicente de Paulo participaram da missa em ação de graças na Catedral da Sé

“A entrega de alimentos é apenas a chave para abrir as portas. O verdadeiro carisma está em sentar-se à mesa – quando há – no sofá ou no banquinho, ouvir as dores daquela família ou daquela pessoa, abraçar a solidão e devolver a dignidade a famílias assistidas, enxergando o próprio Cristo no irmão que sofre”.
Assim o Cônego Marcelo Monge, Vigário Episcopal da Caridade Social, sintetizou o trabalho que os membros da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), os Vicentinos, realizam na capital paulista por meio do Conselho Metropolitano de São Paulo (CM).
Na tarde do domingo, 27, na Catedral da Sé, na memória litúrgica de São Vicente de Paulo (1581-1660), o Sacerdote presidiu a missa em ação de graças pelos 125 anos do Conselho Metropolitano de São Paulo.
Fundada em 1833, em Paris, na França, por seis jovens universitários católicos, entre os quais o Beato Antônio Frederico Ozanam (1813-1853), a Sociedade de São Vicente de Paulo é uma organização civil de cristãos leigos dedicada ao serviço da caridade. Atualmente, está em 150 países, incluindo o Brasil – onde atua desde 1872 – e tem como objetivo aliviar o sofrimento das pessoas carentes.
“Celebrar os 125 anos da fundação do Conselho Metropolitano de São Paulo é um momento de render gra-ças a Deus pela missão já realizada, sabendo que tem muito a ser feito”, comentou Manuel Bezerra Lopes, 62, atual presidente do CM.
ESTRUTURAÇÃO


Manuel explicou que o CM é o elo entre os Conselhos Centrais (CCs) e o Conselho Nacional do Brasil (CNB), funcionando como um articulador que fortalece, orienta e anima a atuação vicentina em cada região.
Padre Gilson Feliciano Ferreira, da Congregação dos Religiosos de São Vicente de Paulo, explicou ao O SÃO PAULO que o Conselho Metropolitano da Sociedade de São Vicente de Paulo abrange 14 Conselhos Centrais espalhados pelos territórios de dez dioceses, além da Arquidiocese de São Paulo, tendo atualmente a seguinte estrutura:
✓ 629 conferências;
✓ 4.114 Vicentinos;
✓ 4.400 famílias assistidas;
✓ 16.415 pessoas atendidas;
✓ 96.101 quilos de alimentos doados.
A ORAÇÃO PULSANTE DA CARIDADE CRISTÃ


Na homilia, Cônego Marcelo Monge recordou que São Vicente de Paulo se dedicou primeiro à evangelização das populações rurais, foi capelão e apóstolo da caridade entre os pobres, doentes e sofredores: “Sua voz se fez intérprete dos direitos dos humildes aos poderosos e promoveu uma forma simples e popular de evangelização”.
O Sacerdote comentou que “refletir sobre a atuação dos Vicentinos na Arquidiocese de São Paulo é lançar um olhar sobre a oração pulsante da caridade cristã em uma das maiores metrópoles do mundo”.
Cônego Marcelo também sublinhou que o Conselho Metropolitano de São Paulo atua em diferentes paróquias da Arquidiocese, “do centro às periferias, transformando a herança espiritual de São Vicente de Paulo e do Beato Antônio Frederico Ozanam em ação concreta junto aos pobres”.
“Na imensidão urbana de São Paulo, marcada por contrastes sociais brutais e pelo isolamento, o vicentino realiza uma teologia de proximidade”, destacou o Cônego.
Ao sublinhar que na cidade de São Paulo a pobreza assume contornos complexos – “desemprego, falta de moradia e fome” – o Vigário Episcopal da Caridade Social disse ainda que o vicentino também atua na promoção humana: “O objetivo final da conferência é que aquela família caminhe com as próprias pernas e não precise mais do auxílio, conquistando autonomia por meio do trabalho e dos direitos garantidos”.
EM ATENÇÃO AO PRÓXIMO
Na Arquidiocese de São Paulo existem quatro CCs: Norte, Sudeste, Oeste e Tatuapé. Maria Cristina Rodrigues Paixão, 52, há 35 anos é vicentina na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Sacomã, Região Ipiranga. Atualmente, preside o Conselho Sudeste. “Somos aproximadamente 350 vicentinos em ação. Nossa missão vai além da cesta básica. Distribuímos cerca de 60 cestas mensais. Buscamos garantir o básico e, também, o pão do Evangelho”, detalhou.
Matheus Domingues de Lima Maciel, 35, membro do Conselho Norte, atua na Paróquia Santa Luzia, no Jardim Primavera, Região Brasilândia: “Conheci os Vicentinos no grupo de jovens e vi um propósito para minha vida. Visitar as famílias é uma possibilidade de encontrar o Cristo presente no irmão que sofre”.

SÃO VICENTE DE PAULO (1581-1660)
Sacerdote, missionário e grande testemunha da caridade cristã, ele dedicou sua vida a reconhecer e servir Cristo nos pobres. Nascido na França, em 1581, compreendeu que a fé precisava se transformar em ação concreta. Diante das necessidades espirituais e materiais de seu tempo, organizou a caridade e inspirou a criação de diversas obras, congregações e iniciativas que continuam sua missão até hoje.

BEATO ANTÔNIO FREDERICO OZANAM (1813-1853)
Homem de fé, professor, esposo, pai e grande testemunha da caridade cristã, Ozanam, movido pelo Evangelho e atento às necessidades dos mais pobres, compreendeu que a fé não poderia permanecer apenas nas palavras: era preciso agir, servir e colocar o amor em prática. Em 1833, junto com seus companheiros, participou da fundação da Sociedade de São Vicente de Paulo, dando início a uma missão que atravessaria fronteiras e gerações: levar a caridade ao encontro das pessoas, especialmente dos pobres, reconhecendo neles a presença de Cristo.




