‘Devemos nos colocar de modo muito humilde diante do Crucificado’

Afirmou o Cardeal Scherer, ao participar da programação especial da rádio 9 de Julho na Sexta-feira Santa, dia 2

Foto: Reprodução da internet

Na Sexta-feira Santa, 2, a rádio 9 de Julho, da Arquidiocese de São Paulo, realizou uma programação especial com meditações e reflexões, que se estendeu das 5h às 22h, e incluiu a transmissão da Comemoração da Sexta-feira da Paixão do Senhor, na Catedral da Sé.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, participou pela manhã da programação, quando falou sobre a espiritualidade da Sexta-feira da Paixão, em diálogo mediado pelo Padre Cido Pereira, com a interação de ouvintes e internautas.

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Inicialmente, Dom Odilo recordou que a Igreja em São Paulo está unida aos esforços para conter a pandemia de COVID-19  e que por isso as celebrações da Semana Santa estão sendo realizadas sem a participação presencial dos fiéis, mas que todos podem se unir, por diferentes plataformas de comunicação, para fazer memória da Paixão de Cristo.

“Hoje, particularmente, devemos nos colocar de modo muito humilde diante do Crucificado, e lembrar que Ele se esvaziou de sua glória, veio ao nosso encontro, se fez humano, assumiu nossas dores, nossas fragilidades para dar um sentido à nossa vida e mostrar que alguém está pensando em nós”, comentou o Arcebispo, destacando, que a Paixão de Cristo comunica esperança por sua Ressurreição e assegura  a vida em plenitude.

Dom Odilo observou, ainda, que a atual pandemia tem mostrado as fragilidades humanas e dado a oportunidade de as pessoas serem mais fraternas: “Todos precisamos nos ajudar para superar as fragilidades e também para viver esta vida na esperança. Muitos se voltaram para Deus neste tempo de pandemia, reorientado o rumo da vida que não estava bem”.

‘No Crucificado está a nossa redenção’

Dom Odilo, respondendo a uma pergunta a respeito dos que criticam os católicos por venerarem o Cristo Crucificado, observou: “Jesus Crucificado é o sinal do amor de Deus que se doou por essa raça miserável que somos nós, deixou-se esmagar por nós, carregou na cruz nossos pecados. Ora, não deveríamos olhar para a cruz e nos lembrar disso?”, indagou.

“Como São Paulo, dizemos que não temos vergonha de olhar para o Crucificado, não temos vergonha da cruz de Cristo, pois Nele está a nossa redenção, por meio dessa expressão máxima da vida doada. E claro: cremos no Ressuscitado”, enfatizou.

Páscoa: mais que um dia, um mistério celebrado

Dom Odilo explicou que a celebração da Páscoa não deve ser entendida como um dia em separado.

“O importante não é um dia, mas o mistério celebrado. Estamos celebrando não o dia de Páscoa, mas a Páscoa de Jesus e, com ela, a nossa Páscoa. Trata-se de um conjunto que vai do Domingo de Ramos até o Domingo da Páscoa da Ressurreição”, comentou. “Estamos celebrando os ritos que lembram o mistério da Páscoa, a passagem de Jesus deste mundo para o Pai”.

A espiritualidade da Sexta-feira Santa

O Arcebispo destacou, porém, que cada dia da Semana Santa e o Domingo de Páscoa tem a sua espiritualidade própria, que convida os fiéis a viver os passos da Paixão de Cristo.

Especificamente sobre a Sexta-feira Santa, Dom Odilo observou que esta tem “a espiritualidade da nossa união com Jesus no seu sofrimento e morte na cruz por nós”.

O Cardeal exortou que cada fiel diante das narrativas bíblicas da Sexta-feira Santa não as veja como algo que apenas ocorreu no passado, mas que se coloque na cena narrada e se pergunte em qual parte se enquadra. “Assim, renovamos a nossa adesão de fé a Jesus Cristo, nosso arrependimento, o nosso pedido de perdão”.

O Arcebispo disse, ainda, que a Sexta-feira Santa deve ser um dia de grande agradecimento a Cristo, o que é expresso com o beijo na cruz, que neste ano não ocorrerá no ato litúrgico da Sexta-feira da Paixão, mas que pode ser feito pelas famílias nas casas. “O beijo na cruz é um beijo de gratidão, de reconhecimento a Jesus pelo sofrimento que fez por cada um de nós, por toda a humanidade”.

Ele observou, também, que Jesus continua a sofrer a sua Paixão nos pobres, doentes, encarcerados, nos que são expulsos de suas terras, nos que sofrem injustiças, e que todas as pessoas são chamadas a aliviar as dores desses irmãos.

Ressurreição de Cristo: esperança

Ao fim do programa, o Arcebispo deixou uma mensagem de conforto e esperança àqueles que já sofreram e aos que ainda hoje sofrem com a perda de um ente querido neste momento de pandemia, muitas vezes sem poder até realizar um velório digno ao falecido, para se evitar a proliferação do novo coronavírus:

“Vivam isso lembrando de Maria, que recebeu em seus braços Jesus morto, descido da cruz. Vivam este momento de dor agradecendo a Deus pela pessoa falecida, pelo dom que ela foi, pela vida que passou ao seu lado e entreguem a Deus esta vida que se foi. Entregue a sua dor também. A Paixão de Cristo nos mostra que a morte não tem a última palavra sobre a vida. A ressurreição, que comemoramos no Domingo da Páscoa da Ressurreição, nos dá esse horizonte de esperança”, concluiu.

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