
Com o tema “Fé e Gestão: maximizando o impacto das nossas obras de misericórdia”, aconteceu na sexta-feira, 24, a terceira edição do Fórum da Caridade Organizada, durante a ExpoCatólica 2026. Realizado pela Rede Amparo pela Vida, com a parceria do Vicariato Episcopal para a Caridade Social e de outras instituições, o evento reuniu lideranças para debater como a caridade, quando bem estruturada, gera transformação social e testemunho concreto da fé.
A importância da estruturação das ações pastorais foi amplamente destacada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. Ele recordou que a organização de uma Arquidiocese que abrange cerca de 7 milhões de habitantes e mais de 300 paróquias é um imenso desafio.

Nesse sentido, o 1o sínodo arquidiocesano representou um marco de tomada de consciência. A partir de uma rigorosa pesquisa de campo com mais de 21 mil questionários respondidos, o sínodo mapeou a realidade pastoral, revelando virtudes e lacunas. “Daí nasceram uma série de iniciativas, entre elas uma melhor organização da própria Arquidiocese”, explicou Dom Odilo, citando a criação de vicariatos ambientais e a publicação das diretrizes pastorais.
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DEVER CRISTÃO
O Arcebispo distinguiu a caridade pessoal – dever de todo cristão – da caridade organizada, e explicou que o Vicariato da Caridade Social tem o papel de “socializar as iniciativas para que mais pessoas nelas se envolvam e mais efeito tenham”, identificando onde o serviço carece de apoio e dinamizando as ações exitosas.

Dom Odilo destacou também a urgência da Pastoral da Saúde. Recordando que o próprio Jesus instituiu o cuidado aos enfermos, o Arcebispo citou São Camilo de Lellis, patrono dos doentes: “A caridade não apenas precisa ser feita bem, precisa ser organizada para ter ainda melhor efeito”.
Para o Cardeal, o amparo aos mais vulneráveis é o que valida a vida cristã: “Se nós dizemos que temos muita fé, rezamos muito, mas não temos caridade, como dizia São Paulo, somos como um sino que toca, faz barulho, mas está vazio. A fé é autenticada na caridade”.

Ele exemplificou a força de atração das obras sociais, lembrando a atuação da Ação Social Franciscana no centro de São Paulo durante a pandemia, que uniu centenas de voluntários, incluindo pessoas sem religião.
“A caridade é porteira aberta para o encontro com Deus. Se alguém diz que não tem fé, comece a praticar a caridade que a fé vai chegar”, concluiu.
DIVULGAR INICIATIVAS
O Cônego Marcelo Matias Monge, Vigário Episcopal da Caridade Social, endossou a necessidade de dar visibilidade ao trabalho assistencial. Segundo ele, noticiar a caridade impulsiona novas iniciativas e valoriza a dedicação de milhares de pessoas.

A programação do evento incluiu painéis estratégicos, como “Legitimidade em tempos de Ceticismo” e “Sustentabilidade Financeira”. Também houve um painel sobre os vicariatos episcopais ambientais da Arquidiocese de São Paulo, apresentando a missão e as principais iniciativas desenvolvidas pelos Vicariatos Episcopais para a Comunicação; para a Educação e Universidade; para a Pastoral da Saúde e dos Enfermos; e da Caridade Social. O encontro evidenciou a complementaridade dessas frentes pastorais e sua contribuição para a missão evangelizadora da Igreja na capital paulista.
Para Lorenna Pirolo, diretora-presidente da Associação Amparo Maternal e uma das organizadoras do evento, o Fórum evidenciou um caminho claro: “É possível ter a eficiência para servir, mantendo aquela vontade que brota do coração, o zelo no serviço e a excelência do nosso trabalho para elevarmos o nome de Nosso Senhor”.
(Colaborou: Fernando Arthur)




