Imagem de Santa Dulce dos Pobres é entronizada na Catedral da Sé

Cardeal Odilo Scherer incensa imagem de Santa Dulce dos Pobres, em missa na Catedral da Sé
(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

No domingo, 13, recordam-se os 30 anos do falecimento de Santa Dulce dos Pobres, religiosa brasileira que dedicou a sua vida aos mais necessitados. Nessa ocasião, foi entronizada na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção (Sé), em São Paulo, a imagem dessa Santa, popularmente conhecida como “O Anjo Bom da Bahia”.

A imagem foi presenteada pelo Vicariato Episcopal para Pastoral do Povo da Rua e abençoada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, no fim da missa por ele presidida na igreja-mãe da Arquidiocese.

Carregada por pessoas em situação de rua, acompanhadas pelo Padre Julio Lancellotti, Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, e agentes de pastoral, a imagem foi colocada diante do altar da Catedral, enquanto era entoado o refrão do hino composto por ocasião de sua canonização, em 13 de outubro de 2019.  

“A vocês, da Pastoral do Povo da Rua, ao Padre Julio e a todos os grupos que fazem tantos trabalhos em favor dos nossos irmãos em situação de rua, que Deus os abençoe e conforte. Continuem firmes, a exemplo de Santa Dulce, assistindo os irmãos em nome de toda a Igreja”, manifestou Dom Odilo, recomendando a todos os fiéis que apoiem as iniciativas realizadas em favor dos pobres.

Após a missa, foi oferecido pela Catedral um almoço a um grupo de pessoas em situação de rua e agentes da Pastoral do Povo da Rua, com a participação do Cardeal Scherer.

Dom Odilo almoça com pessoas em situação de rua (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Santa Dulce

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914 em Salvador (BA). Aos 13 anos, manifestou o desejo de se consagrar a Deus. Já naquela época, inconformada com a pobreza, amparava miseráveis e carentes.

Aos 18 anos, recebeu o diploma de professora e entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Em 13 de agosto de 1933, recebeu o hábito religioso e adotou, em homenagem a sua mãe, o nome de Irmã Dulce.

Sua primeira missão como religiosa foi ensinar em um colégio mantido pela Congregação, em Salvador. No encontro, o seu pensamento estava voltado para o trabalho com os pobres. Já em 1935, dava assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas localizado na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começou a atender também os operários que viviam no bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco.

Em 1937, fundou, com Frei Hildebrando Kruthaup, o Círculo Operário da Bahia. Em maio de 1939, Irmã Dulce inaugurou o Colégio Santo Antônio, escola pública voltada para operários e filhos de operários, no bairro da Massaranduba.

A OBRA

No mesmo ano, ocupando um barracão, passou a abrigar pessoas em situação de rua e doentes, levados depois ao Mercado do Peixe, nos Arcos do Bonfim. Desalojados pela Prefeitura da cidade, acolheu-os, com a permissão da madre superiora, no galinheiro do Convento, transformado, em 1960, em Albergue Santo Antônio, com 150 leitos (hoje o Hospital Santo Antônio).

Irmã Dulce inaugurou ainda um asilo, o Centro Geriátrico Júlia Magalhães, e um orfanato, o Centro Educacional Santo Antônio e, em 1983, inaugurou o novo Hospital Santo Antônio.

Em 1988, foi indicada, pelo então presidente da República José Sarney, ao Prêmio Nobel da Paz. Em 7 de julho de 1980, teve seu primeiro encontro com São João Paulo II por ocasião da visita dele ao País. O segundo encontro foi em 20 de outubro de 1991, quando ela já estava bastante debilitada por problemas respiratórios. O Anjo bom da Bahia morreu em 13 de março de 1992, com 77 anos.

Canonização e beatificação

Em procissão, membros da Pastoral do Povo da Rua carregam imagem do ‘Anjo Bom da Bahia’
(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A causa da canonização de Irmã Dulce foi aberta em janeiro de 2000. Suas virtudes heroicas foram reconhecidas em abril de 2009, sendo, então, considerada Venerável.

A beatificação de Irmã Dulce ocorreu em 22 de maio de 2011, em Salvador, em missa presidida pelo Cardeal Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo Emérito de Salvador e delegado papal do rito de beatificação, então Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, com a participação de 70 mil pessoas. A Religiosa recebeu o título de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo como data de sua memória litúrgica o dia 13 de agosto.

Em 13 de outubro de 2019, Dulce dos Pobres foi proclamada santa da Igreja pelo Papa Francisco, em celebração na Praça São Pedro, no Vaticano.

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