
Em um momento marcado pela emoção, saudade e gratidão, amigos, familiares, admiradores e pessoas tocadas pelo testemunho de Rita Raymond Ephrem se reuniram, no dia 20, no Auditório Paulo Apóstolo, das Irmãs Paulinas, na Vila Mariana, para o lançamento do livro “Você Não Conhece os Planos do Meu Deus”. A obra, concluída pouco antes do falecimento da autora, aos 32 anos, em 26 de março, tornou-se um testemunho definitivo da fé, da perseverança e da esperança que marcaram a vida da jovem conhecida carinhosamente como Ritinha.
O encontro foi uma verdadeira celebração da memória de Ritinha. Em meio às homenagens e recordações, também houve forte manifestação de solidariedade à mãe da autora, Leila Massaad, que, emocionada, agradeceu o apoio recebido desde a partida da filha.
Familiares e amigos recordaram a forma como Ritinha transformou o sofrimento em missão. Desde os 4 anos de idade convivendo com uma síndrome autoinflamatória ultrarrara, ainda desconhecida pela ciência, ela enfrentou inúmeras internações, tromboses, acidentes vasculares cerebrais, meningites, intubações e dores constantes. Ainda assim, recusou-se a permitir que a enfermidade definisse sua existência.
Em um trecho da apresentação da obra, destaca-se que “é impossível permanecer indiferente à história da Ritinha”. O texto recorda que, mesmo diante de sucessivos episódios clínicos graves, ela “escolheu viver com intensidade”, dedicando-se aos estudos, ao esporte, ao trabalho e à evangelização.
Filha de família libanesa, Ritinha viveu entre o Brasil e o Líbano. Estudou Engenharia Mecatrônica com ênfase em robótica, integrou a seleção libanesa de futsal e tornou-se uma influente voz católica nas redes sociais.
UMA EVANGELIZAÇÃO NASCIDA DA DOR

Durante os testemunhos apresentados no lançamento, foi frequentemente recordado que Ritinha ajudou milhares de pessoas – especialmente jovens – a compreenderem o sentido cristão do sofrimento. Por meio de suas redes sociais, nas quais reunia centenas de milhares de seguidores, ela transformou o próprio leito hospitalar em espaço de evangelização, partilhando reflexões sobre fé, esperança e abandono à vontade de Deus.
Em suas publicações, insistia na necessidade de unir os sofrimentos pessoais à Paixão de Cristo, oferecendo as dores pela santificação dos sacerdotes e pela conversão dos pecadores. Essa espiritualidade, profundamente marcada pela confiança em Deus e pelo amor à Igreja, tornou-se uma das marcas mais fortes de seu apostolado digital.
Mesmo nos períodos mais críticos de saúde, Ritinha continuava escrevendo, gravando mensagens e respondendo a pessoas que buscavam nela conforto espiritual. Muitos dos que foram ao lançamento do livro relataram que encontraram forças para enfrentar doenças, lutos e crises pessoais ao acompanhar os testemunhos dela na internet.
OFERTA A DEUS
Com 192 páginas, o livro é um relato autobiográfico profundo e direto, no qual Ritinha compartilha as dores e aprendizados de sua trajetória. Ela aborda temas como a difícil busca de um diagnóstico, obtido apenas aos 23 anos após um sequenciamento genético completo, o sofrimento provocado pela incompreensão médica durante a infância e adolescência e o caminho espiritual de reconciliação familiar.
O livro também evidencia a transformação interior vivida após sua conversão aos 16 anos. Antes distante da fé, Ritinha passou a compreender sua dor à luz da experiência cristã e encontrou, na relação com Deus, um novo sentido para o sofrimento.
Essa espiritualidade atravessa toda a narrativa. Em um dos trechos do livro, ela afirma: “Eu perdi, falando em coisas vitais, tudo, mas eu entendi que a doença não pode tirar a minha felicidade e a minha vida, pois a minha vida está baseada na minha alma e a minha alma está baseada em um Deus vivo”.
‘VOCAÇÃO PARA A VIDA’

O prefácio da obra foi escrito pelo Padre Cássio Carvalho, Pároco da Paróquia Santa Generosa, no Paraíso, que acompanhou Ritinha nos momentos finais de sua vida e desenvolveu com ela uma profunda amizade espiritual. No texto, o Sacerdote afirma que encontrá-la foi “uma das experiências mais marcantes” de sua vida e descreve a jovem como alguém que possuía “vocação para a vida”.
“Ritinha consegue transformar dor em alegria, sofrimento em esperança, tristeza em coragem”, escreveu Padre Cássio, que também recordou a profunda devoção da jovem à Eucaristia. Segundo seu relato, durante a primeira visita ao hospital, Ritinha pediu que pudesse receber diariamente “o Amor da sua vida”, referindo-se à Sagrada Comunhão.
Para adquirir o livro, acesse: https://livrodaritinha.com.br.
Leia também: https://osaopaulo.org.br/sao-paulo/a-doenca-nunca-vai-conseguir-me-matar-pois-a-minha-alma-permanecera-viva/




