Marco Zero: monumento é referência geográfica para toda a cidade

A estrutura foi a primeira com essa função em toda a América do Sul e serviu de referência para os outros estados

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No ritmo dinâmico da grande metrópole, muitas vezes quem caminha pela Praça da Sé passa por este monumento, erigido na década de 1930, e não o percebe. Quem a ele se atenta, porém, vê uma riqueza de detalhes que ajudam a contar a história de São Paulo.

Instalado em frente à Catedral da Sé, o Marco Zero foi inaugurado em 18 de setembro de 1934. Ele tem a função de marcar o início da numeração das vias públicas e rodovias estaduais, como referência para a medição das linhas ferroviárias, aéreas e telefônicas. Feito de mármore, em forma de prisma hexagonal, o monumento foi o primeiro com essa função em toda a América do Sul e serviu de referência para os de outros estados.

A SÉ E O MARCO ZERO

Este é o quarto marco zero da cidade. O inicial ficava em frente à primeira igreja da Sé, na altura da atual Rua Venceslau Brás. O segundo era a torre da segunda igreja, mas depois foi criado um monumento ao lado da mesma matriz. No começo do século XX, a igreja da Sé foi demolida, junto com vários imóveis no seu entorno, para dar lugar à nova Catedral e à grande praça à sua frente.

São Paulo deixou de ter um marco zero, mas a quilometragem das estradas era determinada por vários pontos espalhados pela cidade. Foi então que o jornalista Américo Netto, membro da Associação Paulista de Boas Estradas, preocupado com a ausência de centralidade, lançou a proposta de se retomar a ideia de um marco zero para a cidade em 1921.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O jornalista recorreu ao artista francês Jean Gabriel Villin para os desenhos e concepção da obra. A ideia de Américo Netto, contudo, somente encontrou respaldo em 1932, quando o projeto foi aprovado pelo então prefeito da capital paulista, Antonio Carlos Assumpção. A instalação na praça foi realizada em 1934.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

A estrutura foi tombada em 2007 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), e, desde 2016, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), que no mesmo ano tombou a Catedral da Sé, a Praça da Sé e o monumento de São José de Anchieta.

O tombamento é o ato de reconhecimento do valor histórico, cultural ou artístico de um bem, previsto na Constituição Federal, que o transforma em patrimônio oficial público, levando-se em conta sua função social. Destina-se a proteger o patrimônio, bens de ordem histórica, artística, arqueológica, cultural, científica, turística e paisagística

DETALHES

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em cada face do prisma hexagonal, figuras inscritas representam o Paraná, por uma araucária; o Mato Grosso, pela vestimenta dos Bandeirantes; Santos, por um navio, de cujo porto saía o café, maior riqueza do País no período; do Rio de Janeiro se recorda o Pão de Açúcar e suas bananeiras; Minas Gerais, por materiais de mineração profunda; enquanto Goiás é lembrado por uma bateia, material de mineração de superfície

O monumento possui na parte superior uma placa de bronze que exibe um mapa das estradas que partem de São Paulo com destino a outros estados e também apresentam os principais pontos da cidade na época, como os rios Tietê e Pinheiros, a estação da Luz, a Faculdade de Medicina da USP, o Museu do Ipiranga e as vias como a Rua Voluntários da Pátria, Rua da Consolação e a Avenida Paulista. A atual placa é uma réplica da primeira versão, que foi roubada. Após o tombamento e a restauração do patrimônio, o material foi substituído por um similar ao que havia ali anteriormente.

(Texto redigido sob a supervisão de Daniel Gomes)

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