Celebração, presidida pelo Cardeal Odilo Scherer, também foi em ação de graças pelos 105 anos da Legião de Maria

Na data em que o País comemora sua Independência, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu a Missa pela Pátria e pelo Povo Brasileiro, que reuniu centenas de fiéis na Catedral da Sé, na segunda-feira, 7 de setembro.
A celebração contou com expressiva participação de membros da Legião de Maria, que celebra 105 anos de fundação. Presente em diversos países, o movimento de leigos católicos tem como finalidade colaborar com a missão evangelizadora da Igreja por meio da oração, da formação e do apostolado, especialmente junto às pessoas que mais necessitam.
Na homilia, Dom Odilo dirigiu uma palavra especial aos legionários e agradeceu o trabalho realizado pelo movimento na Arquidiocese de São Paulo. Segundo ele, trata-se de uma ação muitas vezes discreta, mas de grande importância para aqueles que são visitados e acompanhados: “Continuem a fazer esta ação tão bonita que não aparece, mas existe e é importante para cada pessoa que vocês visitam”.

O Arcebispo destacou que o apostolado legionário é marcado pela fraternidade, proximidade e solidariedade, além do anúncio da fé. Ao recordar a visita de Maria à sua prima Isabel, Dom Odilo lembrou que os legionários podem reconhecer nessa passagem do Evangelho um modelo para sua própria missão.
“Em cada visita que vocês fazem, lembrem-se sempre: vocês são como Maria que visita sua prima Isabel”, disse.
Dom Odilo também incentivou a Legião de Maria a envolver novas pessoas, sobretudo os jovens, para que a missão iniciada por Frank Duff continue sendo transmitida às novas gerações.
Oração pelos governantes
Ao refletir sobre o significado do 7 de setembro, o Cardeal Scherer lembrou que a Igreja, como parte da sociedade brasileira, também tem a responsabilidade de contribuir para a construção do País. Nesse contexto, recordou a importância da oração pelas autoridades.
A partir da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo, Dom Odilo explicou que a Igreja reza pelos governantes não porque todos sejam necessariamente justos ou bons, mas para que exerçam suas responsabilidades buscando o bem de toda a população.
“Devemos constantemente rezar por todos, para que correspondam àquilo que são as suas responsabilidades e às necessidades da população”, afirmou.

O Arcebispo chamou a atenção para a necessidade de uma atuação política orientada pelo bem comum, especialmente em favor dos mais pobres e vulneráveis. Entre as questões que devem ser consideradas como prioridades, mencionou o acesso à moradia, à saúde, à educação, à segurança pública e a um trabalho digno.
Para Dom Odilo, a sociedade não deve se conformar diante de situações de injustiça. “Nós devemos sempre manter firme o propósito e a busca de dias melhores, de condições melhores”, afirmou.
O Arcebispo recordou alguns princípios da Doutrina Social da Igreja. Um deles é que a convivência humana e a organização social, política e econômica devem estar submetidas a uma ordem moral, tendo como referência valores como verdade, justiça, honestidade e dignidade. “Se não se edifica sobre uma ordem moral, não se edifica nunca o bem social, o bem comum”, alertou.

Outro princípio destacado foi o próprio bem comum. De acordo com o Arcebispo, governar significa buscar aquilo que é bom para todos, com atenção especial àqueles que não possuem condições de fazer valer sozinhos seus direitos.
“Quem governa deve promover o que é bom para todos, e não apenas para alguns”, enfatizou.
Dom Odilo observou ainda que a promoção do bem comum deveria ocupar lugar central no debate político, especialmente durante períodos eleitorais. Para ele, a justiça social não pode ser tratada como questão secundária, pois diz respeito diretamente à dignidade das pessoas.

Trabalho e novas tecnologias
A dignidade do trabalho também esteve entre os temas abordados pelo Arcebispo. Diante do avanço das novas tecnologias e da inteligência artificial, Dom Odilo manifestou preocupação com os impactos dessas transformações sobre o emprego.
Segundo ele, existe o risco de que o desenvolvimento tecnológico produza novas situações de desemprego e deixe pessoas sem condições de garantir uma vida digna. Por isso, defendeu que a proteção e a promoção da dignidade dos trabalhadores estejam entre as preocupações daqueles que exercem ou pretendem exercer funções de governo.
Ao concluir a homilia, Dom Odilo pediu a Deus que inspire governantes e cidadãos a não esquecerem a responsabilidade pela construção do bem comum e a manterem a liberdade de se manifestar diante das injustiças.
Também confiou o Brasil à proteção de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do País, recordando o cântico do Magnificat: “Deus eleva os humildes e derruba dos tronos os poderosos”.

Legião de Maria: 105 anos de missão
A participação dos legionários deu um caráter especial à celebração. Fundada por Frank Duff, em Dublin, na Irlanda, a Legião de Maria nasceu de uma espiritualidade profundamente marcada pela devoção à Virgem Maria e pelo compromisso com a evangelização.
No Brasil, o movimento chegou em 1951, no Rio de Janeiro, e posteriormente se espalhou por diversas regiões do País. Seus membros realizam trabalhos apostólicos junto a famílias, doentes, idosos, jovens e pessoas afastadas da Igreja.
Os legionários são organizados em membros ativos e auxiliares. Enquanto os primeiros participam das reuniões semanais, assumem compromissos de oração e realizam trabalhos apostólicos, os auxiliares colaboram espiritualmente com a missão por meio da oração.

Para o Padre Sidney Barbosa de Amorim, da Paróquia do Cristo Redentor, em Itaquaquecetuba (SP), Diocese de Mogi das Cruzes, a celebração na Catedral da Sé representou uma oportunidade de reafirmar a missão evangelizadora do movimento.
“Visito várias famílias juntamente com os membros da Legião, visitamos os doentes, levamos o conforto, a Palavra de Deus e, muitas vezes, as pessoas são convertidas, famílias são transformadas com a presença de Nossa Senhora”, relatou ao O SÃO PAULO.
A Coordenadora Arquidiocesana da Legião de Maria, Tânia Jaciara Chalita da Silva Machado, destacou que a presença do Cardeal na celebração dos 105 anos do movimento foi muito importante “para abençoar essa nossa missão de evangelizar e levar Jesus para as pessoas com a intercessão de Nossa Senhora”, afirmou à reportagem.

“Vida em primeiro lugar”
Ao final da Missa, o Cônego Marcelo Monge, Vigário Episcopal da Caridade Social, recordou o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, realizado neste ano com o tema “Vida em Primeiro Lugar!”.
Relacionando a iniciativa à celebração, o Sacerdote recordou a conhecida afirmação de Santo Irineu de Lyon – “A glória de Deus é o homem vivo” – e destacou reivindicações relacionadas ao direito à água, moradia, saúde, educação, transporte e aos direitos das pessoas com deficiência, além da defesa dos territórios dos povos indígenas.
Cônego Marcelo também mencionou a atuação de pastorais, movimentos, sindicatos e organizações sociais que trabalham em prol de uma vida mais justa para todos na cidade de São Paulo.




