Uma jornada que atravessa nove municípios paulistas e que acumula testemunhos de fé e superação. Esta é a Rota da Luz, uma travessia sagrada de fé, contemplação e meditação, ao longo de 201 km, e que foi oficialmente inaugurada em abril de 2016.

A Rota, na verdade, começou bem antes, em 2001, quando o Padre Rosalvino Moràn Viñayo, salesiano, se preocupou em como fazer com que os peregrinos chegassem seguros de São Paulo a Aparecida (SP). Para isso, procurou a senhora Lu Alckmin, então primeira-dama do estado de São Paulo, para traçar um caminho alternativo ao feito pela Via Dutra.
Em meio às reflexões para definir a Rota, o filho de Lu, Tomás, faleceu em abril de 2015. Um ano depois, a Rota da Luz era oficialmente inaugurada, com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, em um itinerário que passa por nove cidades: Mogi das Cruzes, Guararema, Santa Branca, Paraibuna, Redenção da Serra, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira e Aparecida.
“Os municípios abraçaram a causa e tem havido um desenvolvimento turístico muito grande para eles, um boom mesmo, porque muitos peregrinos passam por aquela rota durante o ano todo, não é só em outubro ou nas férias. Em média, são de 20 a 30 grupos por mês. No ano passado, tivemos cerca de 20 mil pessoas participantes”, explicou, ao O SÃO PAULO, Daniel Pereira, um dos articuladores da Rota da Luz, que foi divulgada durante a ExpoCatólica 2026 no estande do Governo de São Paulo.
Daniel assegura que a Rota da Luz tem ajudado a desenvolver o turismo nas nove cidades, com enfoque a partir de seus santos padroeiros e devoções locais.

RESILIÊNCIA E FÉ
Embora percorrer os mais de 200 km da Rota da Luz seja desafiador, o apoio mútuo entre os participantes e todo o suporte e acolhida dada aos peregrinos são facilitadores desta jornada.
“Para completar o percurso é preciso ter resiliência. Às vezes, a pessoa conclui o primeiro dia desanimada, mas acorda revitalizada após um bom sono, um bom banho, um bate-papo. As pessoas nas cidades são muito acolhedoras, seja nas pousadas, seja nos pontos de apoio que existem em todo o trajeto. Sentem aquela força, aquele poder de Deus, porque a cada curva que faz durante o trajeto, vê a pintura de Deus: subiu uma montanha, desceu, viu a represa, uma borboleta, escuta o canto do pássaro. É um caminho seguro e muito bonito”, comenta Daniel, que ajudou a mapear o caminho da Rota da Luz.

Daniel comentou que neste período foram muitas as histórias de fé dos participantes, alguns já falecidos. “Dentro da programação dos 10 anos da Rota, teve um peregrino que foi curado de câncer. Ele havia feito o Caminho de Santiago de Compostela e depois veio para fazer a Rota da Luz, trazendo a cruz de ferro do Caminho de Santiago. Bem no meio da Rota, em Redenção da Serra, foi colocada a cruz, um marco do ano passado. Infelizmente, ele faleceu há 20 dias, foi cremado e pediu antes de morrer à esposa que colocasse suas cinzas aos pés dessa cruz”.
Quem participa da Rota conta com todo o suporte de uma equipe de apoio: “Desde o início, a pessoa entra no WhatsApp dos grupos de peregrinos, de pontos de apoio, de pousadas. Durante a Rota, a pessoa ou o grupo informa que saiu de determinado local e haverá pessoas monitorando se ela chegou ao itinerário que estava planejado para aquele dia. Se a pessoa, por exemplo, ia chegar em Guararema, mas ainda não chegou, algum responsável pela acolhida vai fazer o mesmo trajeto de carro para ir ao encontro desta pessoa para levá-la ao destino”.




